A novidade do Dr. Rui

 

31/05/2010 - 06h00

A novidade do Dr. Rui

"Há cem anos, Rui Barbosa foi o primeiro político brasileiro a percorrer o país, fazer comícios, distribuir santinhos, abraços e apertos de mão, coisa jamais vista até então na República"

 

Botom de Rui Barbosa na Campanha Civilista: assim começou há cem anos o marketing político

Marcelo S. Tognozzi*

Toda ação de persuasão é uma ação de comunicação. Quando se deseja convencer alguém a “comprar” uma idéia, a dar seu apoio ou voto, não há outro caminho que não o da comunicação. E o sucesso ou fracasso será diretamente proporcional à qualidade e a eficência desta comunicação.

Há cem anos, Rui Barbosa foi o primeiro político brasileiro a por este conceito em prática nas eleições de 1910, a chamada Campanha Civilista. Ele percorreu o país, fez comícios, distribuiu santinhos, abraços e apertos de mão, coisa jamais vista até então na República. Perdeu para Hermes da Fonseca, derrotado por um processo eleitoral viciado e corrupto. Mas sua comunicação foi tão eficaz que Rui entrou para a História como o político-símbolo de retidão, ética e competência. No plenário do Senado sua imagem ocupa lugar de honra, logo abaixo da de Jesus Cristo.


 

Qual a grande novidade no Rui Barbosa de cem anos atrás? Ele fez uma comunicação baseada em dois pressupostos: conteúdo e interatividade. Sua mensagem de esperança e mudança foi levada aos grotões do Brasil num corpo a corpo inédito, o que transformou a campanha de 1910 como o início da reação da opinião pública na conquista da legitimidade dos processos eleitorais. Com grande capacidade de mobilização, Rui deu início à era dos grandes comício, reunindo dezenas de milhares de pessoas nas ruas das capitais e grandes cidades. Em Campinas, juntou mais de 10 mil, em Salvador chegou perto dos 20 mil e, no Rio, cerca de 30 mil foram ouvi-lo na Avenida Central, hoje Rio Branco.

O conteúdo é o rei, e a interação a rainha. Um depende do outro para acontecer. Esta máxima continua valendo e vai valer sempre. O equipamento mais sofisticado e veloz da campanha de Rui Barbosa era o telégrafo, que ele soube usar a seu favor espalhando sua mensagem pelos quatro cantos do Brasil. Os meios de comunicação não mudaram a forma de fazer campanhas. Eles apenas as tornaram mais eficientes e competitivas do ponto de vista da comunicação e da persuasão do eleitorado. Principalmente no ambiente digital do século 21. A internet livre se transformou num instrumento de renovação política ao juntar um bom discurso com um bom relacionamento com o eleitor. Qualquer político, do vereador de cidadezinha do interior ao candidato favorito nas pesquisas presidenciais, pode usufrir de graça dos mesmos canais digitais de comunicação, as chamadas plataformas free (ou livres) como blogs e redes sociais. Então o que faz a diferença na hora de conquistar votos pela internet? Simples: a qualidade do conteúdo que publicam e a forma como interagem com as pessoas.

O conteúdo se transformou na questão central das campanhas da web e de mobile marketing (celular). Com a disseminação das plataformas free, passou a valer cada vez mais. É a alma do palanque e, por isso, fez surgir um novo profissional: o editor de conteúdo. Um bom editor ou gerente de conteúdo (content manager) sabe selecioná-lo e distribuí-lo com unidade de linguagem para o público certo e, com isso, consegue interatividade mais eficiente, criando ambiente ideal para que a persuasão aconteça e o eleitor seja conquistado. Há dez anos, ferramentas agora indispensáveis para qualquer campanha não existiam. Em 2006, quando Barack Obama iniciou sua caminhada rumo à Casa Branca, o Twitter acabara de sair do ninho e o Facebook ainda engatinhava como uma rede social de colegiais. Daqui há cinco, dez anos, estaremos usando ferramentas digitais que ainda nem foram inventadas.

Mas há um aspecto que tem se firmado cada vez mais a partir da Web 2.0 e passou a ser comum a todas elas, tanto as de agora quanto aquelas que virão no futuro: é o foco nas pessoas. Por trás do perfil da rede social, do blog, do torpedo disparado do celular, tem de existir gente de verdade. É da sensação de interagir com outra pessoa que nasce a confiança, base de qualquer relacionamento político sadio.

Este conceito não mudou nos últimos cem anos e creio que não mudarará nos próximos cem. Não há nada mais humano do que a política e as ferramentas digitais vieram para facilitar as relações humanas, ajudando a encontrar a melhor forma de ouvir e falar com as pessoas estejam elas onde estiverem.

* Diretor da A+B Comunicação

Congresso em foco

Notícias

A uniformização da jurisprudência e a segurança jurídica

REFLEXÕES TRABALHISTAS A uniformização da jurisprudência e a segurança jurídica 8 de fevereiro de 2019, 8h00 Por Pedro Paulo Teixeira Manus A função institucional do Poder Judiciário é dizer o direito, proporcionando a segurança jurídica aos jurisdicionados. Prossiga em Consultor Jurídico
Leia mais

Telemedicina: CFM abre prazo de 60 dias para contribuições

Telemedicina: CFM abre prazo de 60 dias para contribuições Publicado em 07/02/2019 - 10:49 Por Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil  Brasília O Conselho Federal de Medicina (CFM) abriu prazo de 60 dias para receber contribuições relativas à Resolução nº 2.227/2018, que atualiza...
Leia mais

Plural TJMG - Direito à morte digna

Plural TJMG - Direito à morte digna Publicado em: 07/02/2019 Nos processos de doenças terminais, o que fazer até o dia de morrer? Qual é a diferença entre distanásia e cuidados paliativos? No Brasil, são proibidas as práticas da eutanásia e do suicídio assistido. Mas as pessoas podem se recusar a...
Leia mais

Câmara vai analisar criação de usinas eólicas e solares no mar

05/02/2019 - 17h21 Câmara vai analisar criação de usinas eólicas e solares no mar O Projeto de Lei 11247/18, do Senado, autoriza a implantação de usinas no mar para a geração de energia elétrica a partir de fontes eólica e solar. As plataformas poderão ser instaladas no mar territorial...
Leia mais

APELAÇÃO CÍVEL - EMBARGOS DE TERCEIRO - FILHOS - LEGITIMIDADE ATIVA - SUBSCRIÇÃO DE IMÓVEL SEM A ANUÊNCIA DO CÔNJUGE E DOS DEMAIS PROPRIETÁRIOS - NULIDADE...

Publicado em: 05/02/2019 APELAÇÃO CÍVEL - EMBARGOS DE TERCEIRO - FILHOS - LEGITIMIDADE ATIVA - SUBSCRIÇÃO DE IMÓVEL SEM A ANUÊNCIA DO CÔNJUGE E DOS DEMAIS PROPRIETÁRIOS - NULIDADE - DISTINÇÃO ENTRE SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO - AÇÃO DE RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS DE EMPRESA LIMITADA - PROTEÇÃO...
Leia mais

APELAÇÃO CÍVEL - INVENTÁRIO - INSTITUIÇÃO DE BEM DE FAMÍLIA - IMPOSSIBILIDADE - QUESTÕES QUE EXTRAPOLAM O JUÍZO DO INVENTÁRIO - AÇÃO AUTÔNOMA JÁ AJUIZADA - IMPOSSIBILIDADE DE CASSAR A SENTENÇA

Publicado em: 05/02/2019 APELAÇÃO CÍVEL - INVENTÁRIO - INSTITUIÇÃO DE BEM DE FAMÍLIA - IMPOSSIBILIDADE - QUESTÕES QUE EXTRAPOLAM O JUÍZO DO INVENTÁRIO - AÇÃO AUTÔNOMA JÁ AJUIZADA - IMPOSSIBILIDADE DE CASSAR A SENTENÇA - A imputação de um bem como sendo bem de família depende de adequação à Lei nº...
Leia mais

5ª Câmara Cível determina que pai pague faculdade da filha

5ª Câmara Cível determina que pai pague faculdade da filha 04/02/2019 - 05:22 Os desembargadores da 5ª Câmara Cível, por unanimidade, deram provimento ao recurso de agravo de instrumento impetrado por uma menor que requereu o pagamento de débitos provenientes do custeio de mensalidades do curso...
Leia mais

Quem compartilha foto vazada por WhatsApp comete crime, afirma advogado

CASO SONZA Quem compartilha foto vazada por WhatsApp comete crime, afirma advogado 3 de fevereiro de 2019, 16h32 O advogado Luiz Augusto Filizzola D'Urso, especialista em Cibercrimes e Coordenador do Curso de Direito Digital da FMU, afirma que quem compartilha as fotos por meio do WhatsApp também...
Leia mais

Jurisprudência mineira - Agravo de instrumento - Direito sucessório - Adoção - Falecimento - Ascendente biológico - Rompimento de vínculo - Recurso não provido

Jurisprudência mineira - Agravo de instrumento - Direito sucessório - Adoção - Falecimento - Ascendente biológico - Rompimento de vínculo - Recurso não provido Publicado em: 29/01/2019 AGRAVO DE INSTRUMENTO - DIREITO SUCESSÓRIO - ADOÇÃO - FALECIMENTO - ASCENDENTE BIOLÓGICO - ROMPIMENTO DE VÍNCULO...
Leia mais

Sobre a mutabilidade do regime de bens

Sobre a mutabilidade do regime de bens Não podemos ignorar a importância da escolha do regime de bens, quer seja no casamento, quer seja na união estável. E esta importância se faz presente na constância da vida em comum, na dissolução se houver e na sucessão. Ditando as regras e relações...
Leia mais
Dúvidas, consulte as fontes indicadas. Todos os direitos reservados