Cármen Lúcia critica 'milhões de processos' e defende conciliação

Cármen Lúcia critica 'milhões de processos' e defende conciliação

Publicado em: 11/08/2017

Em evento de assinatura de acordos de cooperação entre a Advocacia-Geral da União e as procuradorias-gerais dos Estados, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, fez uma ampla defesa da mediação e da conciliação como necessidades primordiais para a advocacia pública, em vez da litigância, isto é, a criação de processos para resolver conflitos.

"A melhor forma hoje de resolver, de prestar jurisdição, não é repetindo o que eu tive na minha geração de escolas de direito que ensinavam a litigar. Isso levou o poder judiciário brasileiro a já ter atingido mais de 100 milhões de processo em andamento. Hoje estimam-se 80 milhões. Se calculamos que cada processo tem duas partes no mínimo, há de se convir que não é possível conceder jurisdição em tempo razoável", disse Cármen Lúcia, ao lado do presidente Michel Temer, da advogada-geral da União, Grace Mendonça, e do presidente do Colégio Nacional de Procuradores-Gerais Estaduais e do Distrito Federal (CNPGE), Francisco Walkie.

"Um dedo de prosa pode se levar a fazer surgir uma solução que não é binária, alguém vence alguém perde", disse ela, afirmando que "tanto Estado como União querem evitar o litígio". "Onera a todos", emendou.

"Nós precisamos transformar e chegar ao século XXI também na advocacia. Precisamos de um direito que leve a uma federação que se fortaleça pelo consenso", defendeu Cármen Lúcia.

A presidente do STF também criticou a possibilidade de algumas ações serem propostas "para dar imagem" de trabalho sendo realizado. "Entrar com mandato de segurança no STF para dar imagem de que a procuradora trabalha é litigância de má fé", alertou. "Temos de agir de boa fé", disse.

"Existe litigância de má fé e existe litigante de má fé. O poder público não pode ser litigante de má fé, temos de agir de boa fé, e para isso a mediação e a conciliação é sempre o melhor caminho", avaliou a presidente do STF. Ela defendeu uma "federação mais forte e mais unida e que prevaleça o consenso".

Acordos

O evento marcou a assinatura de dois acordos de cooperação que, segundo a Advocacia-Geral da União, pretendem fortalecer a defesa do Brasil nas cortes interamericanas de direitos humanos e diminuir os conflitos judiciais entre entes da Federação.

Um dos acordos prevê a cooperação técnica entre os entes jurídicos federal e estaduais na representação jurídica do Brasil perante a Comissão e a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Os acordos foram assinados pela AGU e pelas 27 procuradorias estaduais e do Distrito Federal
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Fonte: IstoÉ
Extraído de Recivil

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