"Perdi a cliente, mas ganhei um casal de amigos"

Cliente desiste de se divorciar após responder "questionário amoroso" de advogado

Publicado por Jornal da Ordem - Rio Grande do Sul - 10 horas atrás

"Perdi a cliente, mas ganhei um casal de amigos", afirmou o profissional

Quatro perguntas no rodapé de uma folha e uma reflexão custaram a um advogado de São Sebastião do Paraíso (MG) uma cliente. Mas por uma boa "causa". Prestes a se divorciar, ela respondeu ao pequeno "questionário amoroso" do causídico e desistiu da ação.

Depoimento

No bilhete, o advogado listou a documentação necessária para dar seguimento ao processo e, separadas por um traço, uma série de perguntas com a instrução: "Responda antes de voltar ao escritório com os documentos."

1) Eu fiz tudo o que pude para salvar meu casamento?

2) O divórcio é a melhor opção hoje?

3) Quem são minhas maiores influências?

4) Quantos momentos vocês superaram juntos e como se conheceram?

Em uma publicação no Facebook, o advogado explicou a atitude. Ele conta que a cliente o procurou e confidenciou os motivos que levavam ao divórcio e que "era perceptível a ligação do casal e o amor que ainda existia entre as partes". "Tratava-se de um momento de conflito único e aquela decisão, ao meu ver, era precipitada."

"Aprendi ainda na faculdade que devo resolver conflitos, orientar as partes antes da decisão de partir pro campo jurídico. Assim fiz! (...) Por incrível que pareça, o casal voltou hoje, devolveu minha anotação, dispensou os meus serviços e agradeceu os conselhos. Resumindo: Perdi a cliente, mas ganhei um casal de amigos. São coisas simples da vida que valem a pena."

Confira abaixo a íntegra do depoimento do advogado:

Como de praxe nas minhas consultas, anoto os documentos necessários à propositura da ação em meu bloco de anotações e solicito que o cliente traga a documentação. Mas esse caso era diferente... Ouvi pacientemente a cliente sobre os motivos que a levavam ao divórcio, e como na maioria das ações desse tipo, era perceptível a ligação do casal e o amor que ainda existia entre as partes.

Tratava-se de um momento de conflito único e aquela decisão, ao meu ver, era precipitada! Mas quem sou eu pra interferir na vida alheia? Quem sou eu pra meter a colher na relação do casal? Quem sou eu pra julgar a decisão de ambos? SOU O ADVOGADO! E aprendi ainda na faculdade que devo resolver conflitos, orientar as partes antes da decisão de partir pro campo jurídico. Assim fiz!

Fiz um pequeno questionário após solicitar os documentos e pedi que a moça respondesse as 4 perguntas a si mesma. Se após responder e analisar a situação com calma, longe do turbilhão de informações que estava lhe passando pela cabeça naquele instante, ainda assim resolvesse se divorciar, que bastava me trazer a documentação e eu botaria um fim naquela história!

As perguntas eram simples.

O que você fez pra tentar salvar seu casamento?! A maioria não faz absolutamente nada... e isso vai em desencontro com os motivos que te fizeram seguir até aqui. O divórcio deve ser a última opção, em todos os casos. Pense nos filhos, no convívio, nos primeiros meses do relacionamento. Se já passaram por tantos perrengues, por que se deixar abalar por essa situação? (Cada caso é um caso).

O divórcio é a melhor opção hoje? Pode até ser! Mas seria a melhor opção daqui 2 semanas, quando a cabeça estiver fria, os problemas amenizarem e os motivos ficarem mais claros? Não faça nada de cabeça quente. Decisões precipitadas destroem histórias.

Quais são suas maiores influências hoje? Amigos? Parentes? Amantes? Tomar decisões influenciados por pessoas que não participam da sua rotina é um erro. Se a pessoa não tiver presunção de participar da sua vida pelo resto dela, não deve palpitar sobre isso. Filhos são uma boa influência nesse quesito. Ouça eles.

Quantos momentos superaram juntos e como se conheceram?! Pode até ser que nunca tenham passado por um momento assim, mas não custa relembrar as crises, brigas, separações do tempo de namoro e noivado. Se naquela época vocês conheseguiram superar, por que não agora?! Se conheceram por algum motivo e tenham certeza de que nada na vida acontece por acaso.

Finalizei perguntando se ela tinha expectativa de encontrar alguém que lhe desse tudo que o marido não está dando no momento. Ela afirmou com a cabeça. Encerrei dizendo que, quando a grama do vizinho estiver mais verde, não necessitamos de ir visitá-la, experimentá-la. Basta regar a nossa grama. Na vida é a mesma coisa. Antes de trocar, tente consertar.

Por incrível que pareça, o casal voltou hoje, devolveu minha anotação, dispensou os meus serviços e agradeceu os conselhos.

Resumindo: Perdi a cliente, mas ganhei um casal de amigos. São coisas simples da vida que valem a pena. E que essa história dure o tempo de Deus.

Fonte: Migalhas
Extraído de JusBrasil

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