Sem consenso, criação de tribunal em BH volta à pauta no fim de agosto

10/08/2012 - 18h26 Plenário - Votações - Atualizado em 13/08/2012 - 10h33

Sem consenso, criação de tribunal em BH volta à pauta no fim de agosto

Gorette Brandão

A polêmica sobre a criação de um Tribunal Regional Federal em Belo Horizonte, para atender apenas causas originárias de Minas Gerais, será reaberta no segundo esforço concentrado desse mês. A proposta de emenda à Constituição com essa finalidade deve voltar à ordem do dia do Plenário em 28 de agosto, para continuidade da discussão, ainda sem sinais de consenso para a votação.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) afirma que a PEC 29/2011 pode até ir a voto e conseguir aprovação, mas estará sujeita a ser declarada inconstitucional em exame no Supremo Tribunal Federal (STF). Como entende, a competência para propor alterações na organização judiciária brasileira pertence ao próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou ao STF.

- Qualquer iniciativa parlamentar, mesmo que seja uma PEC, padece de vício de iniciativa – afirma Randolfe.

Nova geografia

A PEC, que tem como primeiro propositor o senador Clésio Andrade (PMDB-MG), recebeu parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) em abril. Então, Randolfe já se manifestara contra a proposta. Ele argumenta que, além do vício de iniciativa, a PEC não traz solução para atuais distorções na organização espacial da Justiça Federal no território nacional.

- Um Tribunal Regional Federal somente para um estado da federação me parece inadequado. Nós temos que ter um debate sobre a nova geografia dos Tribunais Regionais Federais no Brasil – defende Randolfe.

Na CCJ, o relator da PEC, senador Aécio Neves, acolheu emenda que, a seu ver, soluciona as divergências quanto à constitucionalidade da criação do TRF da 6ª Região. Pela emenda do Renan Calheiros (PMDB-AL), o STJ terá de enviar ao Congresso, em até 90 dias após a promulgação da PEC, projeto de lei tratando da organização, estrutura e funcionamento do novo tribunal. O projeto deve ainda reestruturar o TRF da 1ª Região, com a separação de Minas.

A PEC deveria ter cumprido a quinta e última sessão de discussão em primeiro turno na última quinta-feira (9). Então, já poderia ter sido submetida a voto, mas acabou sendo adiada por falta de quórum. No segundo turno, serão três sessões de discussão antes da votação. Para ser aprovada, a matéria vai precisar de pelo menos 3/5 dos votos em cada turno.

Arquivamento

O senador José Pimentel (PT-CE) também entende que a matéria apresenta vício de iniciativa. Durante sessão de discussão, ele alertou que a criação de novos TRFs já foi tentada por meio da PEC 29/2011, mas a proposta acabou sendo arquivada depois de questionamentos acerca de sua constitucionalidade.

- Estamos criando despesa para outros sem determinar a fonte que vai custear isso. Não tenho nada contra a criação do TRF da 6ª Região. A minha posição é de respeito à Constituição e à competência do Superior Tribunal de Justiça – afirmou Pimentel.

Em defesa da criação do tribunal em Belo Horizonte, Aécio afirma que essa é a solução para desafogar o TRF da 1ª Região, que teria 42% de seus processos oriundos de Minas Gerais. Na prática, portanto, afirma que os outros 12 estados agregados à 1ª Região seriam igualmente beneficiados.

Randolfe concorda que deve haver uma separação na área de jurisdição da 1ª Região, que hoje se estende de Boa Vista (RR) a Belo Horizonte. Porém, ele defende a permanência de Minas na mesma região de Goiás, do Distrito Federal e de Tocantins. Ele quer a criação de outro tribunal para atender apenas os estados da Amazônia.

- É uma repartição mais justa e adequada para o país – afirma o senador.

Ainda que defenda esse modelo, Randolfe admite que a melhor solução ainda é conversar com o STF, para que o tribunal ouça as demandas e preocupações de cada região. A partir daí, o próprio tribunal encaminharia um projeto ao Congresso.

Randolfe disse que esteve recentemente com o presidente do STJ, Ari Pargendler, e que dele recebeu boas notícias. Conforme o senador, o ministro informou que há uma decisão do Conselho da Justiça Federal, no âmbito do STJ, de apresentar dentro de mais algum tempo uma proposta de reorganização judiciária.

 

Agência Senado

 

Notícias

Igualdade das partes

Extraído de DPU Artigo: MP ao lado do juiz viola equidistância das partes  Por Eduardo Tergolina Teixeira, Gabriel Faria Oliveira e Vinícius Diniz Monteiro de Barros    A Constituição do Brasil, em seu artigo 5º, caput e incisos LIV e LV, estabelece a igualdade das partes no curso do...

Fiança questionada

  STJ mantém fiança de pessoa diversa do contratante A fiança feita por pessoa jurídica diferente daquela que celebrou o contrato principal, e que é juridicamente válida, deve ser mantida para não tornar o principal sem efeito. Esse foi o entendimento da 2ª Turma do Superior Tribunal de...

Diplomação deve incidir sobre suplente da coligação

Quinta-feira, 17 de março de 2011 Diplomação deve incidir sobre suplente da coligação, decide Lewandowski O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, indeferiu pedido de liminar apresentado por Wagner da Silva Guimarães, que pretendia assumir a cadeira do deputado federal Thiago...

Você teria sido aprovado no concurso para juiz de SC?

Fonte: www.espacovital.com.br Você teria sido aprovado no concurso para juiz de SC? (15.03.11)    Os leitores foram convidados a testar seus conhecimentos. Hoje, este saite repete, nesta páginas, quatro das mais complicadas (ou curiosas) perguntas, e já destaca em azul quais as...

Dano moral à doméstica deve ser analisado pela Justiça comum

15/03/2011 - 09h15 DECISÃO Dano moral à doméstica cometido por patroa médica deve ser analisado pela Justiça comum Cabe à justiça comum estadual processar e julgar ação de indenização por danos morais ajuizada por ex-empregada doméstica, por suposto erro médico praticado por sua ex-empregadora,...

STF deve julgar se ISS deve ser pago seguindo lei municipal ou lei federal

15/03/2011 - 13h03 DECISÃO STF deve julgar se ISS deve ser pago seguindo lei municipal ou lei federal Compete ao Supremo Tribunal Federal (STF) julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida julgar válida lei local contestada...