‘Desafio faraônico’

01/06/2012 - 19h39 Comissões - Agricultura e Reforma Agrária - Atualizado em 01/06/2012 - 19h39

Debatedores consideram regularização fundiária da Amazônia ‘desafio faraônico’

Soraya Mendanha

O secretário extraordinário de Regularização Fundiária na Amazônia, Sérgio Roberto Lopes, afirmou, nesta sexta-feira (1º), que o desafio da regularização fundiária na Amazônia tem uma “dimensão faraônica”. A afirmação foi feita durante audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), com o objetivo de discutir o Programa de Regularização Fundiária na Amazônia Legal (Terra Legal) com foco na regularização rural.

O representante do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) apontou, entre os entraves do processo, o alto custo de fazer o georreferenciamento, a falta de competência técnica no mercado e a dificuldade de acesso a algumas regiões.

- A Amazônia tem o seu próprio calendário, hoje você não vai a algumas regiões do estado porque têm água. Daqui uns dias você não vai porque o Igarapé secou. Então o período de trabalho mais livre são de seis meses por ano quando tudo corre bem – explicou.

Sérgio Roberto Lopes ressaltou que além do desafio da titulação é necessário fazer um levantamento das pessoas que já têm documento das terras, mas cujos títulos não possuem validade atualmente. Ele disse que é um grande desafio esclarecer os produtores no que diz respeito a essa questão.

- Ele se orgulha daquele título. Só que ninguém disse para ele que ali não era o ponto final; ali era apenas uma estação do desafio de chegar a ser dono de uma propriedade – explicou.

Diante de tantas dificuldades, Sérgio Roberto Lopes disse que ainda não é possível estabelecer metas de tempo e resultados para que a regularização fundiária seja feita em todo o território. Entretanto, ele afirmou que o Programa Terra Legal já está avançando e que o processo de titulação está sendo simplificado a fim de obter uma maior rapidez. Ele ressaltou também que esse trabalho só é possível com a integração dos estados e municípios e disse que um dos desafios é fazer com que boa parte dos problemas se resolva no próprio estado de origem sem que os processos tenham que ir até Brasília.

- Sem regularização fundiária não existe desenvolvimento econômico e nem paz no campo – disse.

Estado patrocinou ocupação

O representante do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Richard Torsiano Martins, disse que não é possível apresentar soluções sem entender a origem dos problemas. Ele explicou que o fluxo de ocupação da Amazônia ocorreu patrocinado pelo Estado e também por conta própria das pessoas, que foram para a nova região em busca de melhores condições de vida. Richard Torsiano Martins disse que a consequência desse processo de ocupação desregrada é “uma verdadeira desordem fundiária em algumas regiões da Amazônia”.

- Não houve um processo de acompanhamento ou controle da ocupação do território da Amazônia e muito menos de regularização fundiária de quem efetivamente estava ocupando – explicou.

Richard Torsiano Martins destacou que o primeiro passo necessário para que um estado tenha controle sobre a sua estrutura fundiária é conhecê-la efetivamente. Ele frisou que as intervenções do estado devem ser adequadas à realidade do povo e do território.

- O maior símbolo da complexidade do Programa Terra Legal é a dificuldade dos próprios governos estaduais operarem a regularização das suas terras porque eles são, em tese, compostos por pessoas daquela mesma região e tem uma estrutura já consolidada ali - disse.

Márcio Mota, diretor do Departamento Jurídico do Instituto de Terras do Pará (Iterpa), destacou a importância do programa no quesito de titulação e disse que o Pará é o estado “campeão nas titulações”. Ele explicou que houve uma desburocratização de alguns serviços por parte do Iterpa, o que permitiu um melhor desempenho da região.

Márcio Mota questionou o rompimento do convênio entre o Incra e o Iterpa, que previa um repasse de recursos para a autarquia, utilizados para fazer o pagamento das diárias dos servidores do Iterpa quando se deslocavam para fazer trabalho de campo para o Terra Legal. Atualemente, disse, o Iterpa está conduzindo esse trabalho com recursos próprios.

O presidente da CRA, senador Acir Gugacz (PDT-RO), chamou a atenção para a importância do tema em debate, afirmando que de nada adiantará ao país um código florestal moderno e que atenda as necessidades da agricultura se as terras não estivem regularizadas. Ele assinalou que, além dos conflitos que essa situação de insegurança jurídica tem gerado, ela foi um dos motivos para o desmatamento ilegal que ocorreu no passado na Amazônia e que corre o risco de se manter se não houver a regularização das terras.

 

Agência Senado

 

Notícias

Condição de franqueada não impede relação de emprego com franqueador

Condição de franqueada não impede relação de emprego com franqueador  2/6/2011 16:37 A 5a Turma do TRT-MG julgou desfavoravelmente o recurso de uma escola de línguas que não se conformou com o reconhecimento da relação de emprego com uma franqueada. É que os julgadores constataram que, embora...

Substabelecimento sem data não caracteriza irregularidade

Extraído de Direito Vivo Substabelecimento sem data não caracteriza irregularidade 3/6/2011 16:53 A Parmalat Brasil S.A. - Indústria de Alimentos conseguiu obter na sessão de ontem (2/6) da Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho o reconhecimento...

ALTERAÇÃO PROCESSUAL

  Juiz das garantias do novo CPP é arbitrário Por Carlos Frederico Coelho Nogueira   A figura do “juiz das garantias” foi introduzida na redação final do Projeto de Lei 156/2009, aprovada pelo Senado, (Capítulo II do Título II do Livro I, artigos 14 a 17), e encaminhada no início deste...

Empregado público pode acumular salário e subsídio de vereador

Extraído de: Tribunal Superior do Trabalho - 1 minuto atrás Empregado público pode acumular salário e subsídio de vereador Ao rejeitar recurso de revista da Caixa Econômica Federal, a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu a possibilidade de uma bancária continuar recebendo,...

Por uma Justiça eficiente

  PEC dos Recursos aumenta a segurança jurídica Por Cezar Peluso   Minha proposta de emenda constitucional conhecida como PEC dos Recursos ataca frontalmente dois dos mais graves, se não os dois mais graves problemas do sistema judicial brasileiro: a lentidão dos processos e a...

CNI contesta obrigatoriedade imposta à indústria automobilística

Segunda-feira, 06 de junho de 2011 CNI contesta obrigatoriedade imposta à indústria automobilística   A obrigatoriedade de inserção de uma mensagem de caráter educativo na publicidade de produtos da indústria automobilística, introduzida no Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/97)...