Projeto cria o revendedor varejista de eletricidade para abastecimento de veículos elétricos

26/09/2013 - 14h22

Debatedores defendem política de incentivo para mercado de carros elétricos

Fabricantes de carros também querem revenda de eletricidade para abastecimento de veículos, mas Ministério de Minas e Energia é contra.

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o PL 3895/12, que cria a figura do revendedor varejista de energia elétrica para fins automotivos. Vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Cândido Pratavieira Calcagnotto
Antonio Calcagnotto, da Anfavea, ressaltou que o Brasil já está atrasado no setor.

Palestrantes defenderam uma política pública do governo de incentivo ao mercado de carros elétricos no Brasil, em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, nesta quinta-feira. O objetivo da audiência foi discutir o Projeto de Lei 3895/12, que cria a figura do revendedor varejista de eletricidade para abastecimento de veículos automotores elétricos ou elétricos híbridos. Com exceção de representante do Ministério de Minas e Energia, os debatedores apoiaram a proposta, mas defenderam que não é suficiente para promover o mercado de carros elétricos no Brasil, sendo necessária uma política integrada.

O carro movido a energia elétrica é mais silencioso e menos poluente do que os carros à combustão, porque não emite gases nocivos para o meio ambiente. Já os carros híbridos, com motor a combustão associado ao elétrico, são abastecidos com combustível, mas reduzem o consumo em pelo menos 70%.

Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) Antonio Calcagnotto, a sociedade não deve depender de apenas uma fonte de energia e o Brasil não pode se isentar de discutir a introdução dos carros elétricos e híbridos no mercado. “Já estamos atrasados e isso é preocupante”, disse. Hoje, no Brasil, só são vendidos carros a combustão, mas, segundo ele, já foram vendidos mais de 3 milhões de veículos elétricos no mundo. Na América Latina, apenas no México já são ofertados carros elétricos.

Incentivos
A Anfavea apresentou proposta ao governo, com plano de isenção de Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para o desenvolvimento de carros elétricos e híbridos no País, para empresas habilitadas no programa Inovar-Auto. Calcagnotto destacou que são necessários entre US$ 1 e 3 bilhões para desenvolver um automóvel novo. “Portanto, economicamente só é possível desenvolver um novo tipo de veículo se houver possibilidade de venda em escala”, afirmou.

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o PL 3895/12, que cria a figura do revendedor varejista de energia elétrica para fins automotivos. Analista de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Leonardo Burle Gripp Cotta
Para Leonardo Gripp, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a indústria de carros só pode existir com incentivos fiscais.

O analista de Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Leonardo Gripp concordou que atualmente, no Brasil, a produção desse tipo de veículo não é economicamente viável. “A indústria de carros elétricos só poderia existir hoje com subsídios do governo, como incentivos fiscais”, salientou. “A questão deve ser pensada como uma política integrada de governo”, completou.

Segundo ele, Dinamarca, Grécia e República Tcheca, por exemplo, concedem isenção de taxas e impostos a esses carros. Já Estados Unidos, Canadá e Japão, além de países da Europa, concedem incentivos à compra de carros elétricos ou híbridos.

O gerente de Inovação da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), Vinícius Teixeira, ressaltou que o Brasil é o quarto maior mercado de veículos e pode ter um papel importante no desenvolvimento da mobilidade elétrica. Segundo ele, o preço do carro elétrico, maior do que o de um veículo a combustão, ainda é uma barreira para sua adoção. “Uma política de incentivo do governo poderia aproximar o custo dos veículos elétricos de um veículo tradicional”, completou. Ele também defendeu uma política nacional de mobilidade elétrica.

O chefe da Assessoria de Mobilidade Elétrica Sustentável da Itaipu Binacional, Celso Novais, destacou que, apesar do preço mais alto, a economia em longo prazo vale a pena. “Para rodar 100 km com carro elétrico, você gasta apenas US$ 4 dólares”, informou.

Carregamento
O autor do PL 3895/12, deputado Ronaldo Benedet (PMDB-SC), ressalta que hoje a legislação brasileira do setor elétrico não prevê a figura do revendedor de energia para fins de abastecimento de veículos.

O diretor de Gestão do Setor Elétrico da Secretaria de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Marcos Franco Moreira, afirmou que o parecer do órgão é contrário à proposta, mas poderá ser revisto. Para ele, a discussão precisa ser aprofundada, inclusive com o Ministério da Fazenda. “A questão fundamental aqui é o custo”, opinou.

Lucio Bernardo Jr. / Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o PL 3895/12, que cria a figura do revendedor varejista de energia elétrica para fins automotivos. Dep. Izalci (PSDB-DF)
Izalci acha que o projeto sobre revenda de eletricidade para carros pode ser complementado. 

 

Segundo Moreira, o carro elétrico puro demanda uma carga normal, não sendo necessário inicialmente um revendedor varejista. “Veículos com plug adaptado ao padrão brasileiro já podem ser carregados em qualquer tomada, sem autorização da distribuidora de energia elétrica”, disse. Na visão dele, a disseminação do carro elétrico poderia sobrecarregar o setor elétrico brasileiro.

Entretanto, o representante da Anfavea argumentou que o impacto na rede elétrica não é tão alto assim. “Se 10% da frota nacional fosse de carros elétricos, haveria aumento de 0,3% no consumo de energia”, disse. Já o gerente da CPFL observou que em Oslo, na Noruega, há diversos pontos de carregamento público, gratuitos, para os carros elétricos, porque isso é uma política do governo. Já em Amsterdã, houve licitação para a concessão de pontos de carregamento nas cidades, com a cobrança de tarifas.

O deputado Izalci (PSDB-DF), que solicitou o debate, acredita que o projeto de lei, em análise na Comissão de Ciência e Tecnologia, pode ser complementado. “Queremos ver a indústria automobilística fazer pesquisa no Brasil, e não lá fora”, disse.

 

Reportagem – Lara Haje
Edição – Marcos Rossi

Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara Notícias
 
 

 

Notícias

Médico credenciado pelo SUS equipara-se a servidor público

Extraído de Portal do Holanda 26 de Abril de 2011 Médico credenciado pelo SUS é equiparado a servidor público - Médico particular credenciado pelo Sistema Único de Saúde equipara-se a servidor público para efeitos penais, mesmo que a infração pela qual foi condenado tenha acontecido antes da...

Antigo proprietário de veículo pode ser responsabilizado por IPVA

  Antigo proprietário de veículo pode ser responsabilizado por IPVA A ausência de comunicação ao DETRAN de venda de veículo gera responsabilidade solidária do antigo proprietário. Com esse entendimento o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) deu provimento a recurso de apelação nº...

Advogados resistem a enviar petições por meio eletrônico

Extraído de DNT 20.04.2011 Advogados resistem a enviar petições por meio eletrônico Seccional paulista da OAB vai realizar um mutirão para digitalizar milhares de processos em papel No fórum da pequena cidade de Dois Irmãos do Buriti, no Mato Grosso do Sul, não há mais processos em papel. Tudo foi...

Todos contra o novo Código de Processo Civil

Brasil Econômico - Todos contra o novo Código de Processo Civil (20.04.11)   Maeli Prado Desde outubro de 2009, quando o presidente do Senado, José Sarney, convocou uma comissão de juristas para redesenhar o Código de Processo Civil (CPC), o novo texto daquele que é classificado como a espinha...

Jurisprudência: Testamento. Cláusulas Vitalícias. Abrandamento

Extraído de Recivil Jurisprudência: Testamento. Cláusulas Vitalícias. Abrandamento. A Turma asseverou ser possível, em situações excepcionais de necessidade financeira, flexibilizar a vedação do art. 1.676 do CC/1916 e abrandar as cláusulas vitalícias de inalienabilidade, impenhorabilidade e...

Violência doméstica

  Lei Maria da Penha vale para relação homoafetiva Embora a Lei Maria da Penha seja direcionada para os casos de violência contra a mulher, a proteção pode ser estendida para os homens vítimas de violência doméstica e familiar. O entendimento é do juiz Alcides da Fonseca Neto, da 11ª Vara...