Pescadores alertam para colapso do setor

28/10/2015 - 20h40

Pescadores alertam para colapso do setor com a extinção do Ministério da Pesca

Representantes de pescadores de São Paulo, Ceará, Alagoas, Piauí e Amazonas alertaram para o colapso do setor com a extinção do Ministério da Pesca. O tema foi debatido nesta quarta-feira (28) em audiência pública na comissão mista que analisa a Medida Provisória da Reforma Ministerial (MP 696/15).

Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados
Audiência pública para debater a Medida Provisória 696/15, que trata da reforma ministerial
Parlamentares da comissão mista assumiram compromisso de impedir retrocesso das políticas públicas do setor pesqueiro

A MP faz parte do pacote fiscal, com o qual o governo espera elevar a arrecadação federal em 2016, diminuir gastos públicos e fazer economia com maior superávit primário. Uma das reformas em pauta é a extinção do Ministério da Pesca, que será incorporado ao Ministério da Agricultura.

O presidente da Associação de Pescadores de São Paulo, Edvando Soares, reconhece as deficiências do ministério, mas acredita que a pasta, criada em 2009, é uma conquista da categoria: "Se comparado a outros ministérios, [o Ministério da Pesca] tem bem menos recursos e faltam profissionais capacitados para dialogar com os pescadores e conhecer suas demandas”, disse. “Não adianta ir para a mansão do vizinho, que não é minha. O que a gente quer é a nossa casa”, reivindicou.

O sindicalista também atribuiu os problemas do setor pesqueiro paulista à prevalência de afinidades políticas na gestão: “A pesca está em petição de miséria em São Paulo, porque cada superintendente quer ver seu lado, seu interesse político”. Soares defende que o especialista em pesca trabalhe na margem do rio, em contato com as famílias.

Seguro defeso
A decisão do governo federal em suspender por quatro meses o pagamento do seguro defeso é outro impasse enfrentado pela categoria. O benefício é repassado ao pescador profissional artesanal durante o período de paralisação da pesca para conservar as espécies.

Essa também é uma das preocupações da presidente da Federação de Pescadores do Piauí, Raimunda de Souza: "O prejuízo é enorme. Porque não vai ter defeso, o pescador vai estar liberado para pescar e os peixes vão estar ovados. O prejuízo para o meio ambiente é incalculável. Até o momento, o pescador não tem uma real noção do que está acontecendo."

O deputado Padre João (PT-MG) acredita que a demanda dos pescadores artesanais seria melhor atendida dentro do Ministério de Desenvolvimento Agrário, cujas políticas públicas alcançam os trabalhadores artesanais. "O fim do ministério já é um retrocesso, uma perda. E se a pescaria artesanal ficar no Ministério da Agricultura, o prejuízo será maior, porque seriam perdidas as demandas do setor”, disse. “O mais certo seria manter apenas a pescaria industrial no Ministério da Agricultura”, finalizou.

O relator, senador Donizeti Nogueira (PT-TO), por sua vez, comprometeu-se a evitar retrocessos no setor pesqueiro. Segundo ele, a criação do Centro da Embrapa de Aquicultura e Pesca, em Tocantins, fortalece a pesquisa no setor. “Estamos perdendo o caráter de ministério, mas não de importância pública”.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Luciana Cesar
Origem da Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara Notícias

 

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