Reis do gado

 

15/07/2010 - 06h00

Leite produtivo melhor que o desMatado

"Se o pecuarista optar por ampliar o rebanho leiteiro para obter uma produtividade de 15 litros diários por vaca (volume máximo), ele precisará gastar 46,7% a mais do que se investir em ganho de produção"


 

 

 

Clique no nome do colunista para ver outros artigos

Renata Camargo*

Boletim divulgado nesta semana pela Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) revela que investir em produtividade é mais vantajoso do que ampliar o rebanho bovino na produção de leite.  O relatório fala em ganhos ambientais ao mostrar que a expansão do rebanho – que tem como um dos efeitos o aumento das áreas de pastagem – é menos lucrativo do que elevar a produtividade com a mesma quantidade de vacas.

De acordo com o estudo, elaborado pela equipe técnica da CNA em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq), se o pecuarista optar por ampliar o rebanho leiteiro para obter uma produtividade de 15 litros diários por vaca (volume máximo), ele precisará gastar 46,7% a mais do que se investir em ganho de produção.

A análise foi feita a partir de pesquisas de custo de produção de leite em regiões de Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Segundo o relatório, se o produtor rural aumentar os gastos em 89,7%, investindo principalmente em alimentação, higienização e mão-de-obra, terá um ganho de produção de 87,6%. Se utilizar a estratégia de ampliar o rebanho, o pecuarista gastará 178,2% a mais que o custo atual para obter a mesma produção.

No relatório, a CNA ressalta que o pecuarista deve considerar que investir em produtividade “tende a trazer também melhoria da qualidade do leite e ainda aumentar a escala do produtor”. A entidade enfatiza ainda que “os ganhos ambientais seriam muito maiores no caso da intensificação, uma vez que o mesmo número de vacas produziria mais leite sem aumentar a emissão de gases do efeito estufa”.

Dados do Ministério do Meio Ambiente apontam que a pecuária continua sendo a grande vilã do desmatamento na Amazônia.  O troféu desmatamento aos “reis do gado” é dado devido às constantes derrubadas de florestas (que provoca emissão de CO2) realizadas para garantir a continuidade da cultura da pecuária extensiva – aquela feita em grandes extensões de terra, com gado solto, geralmente com baixo desenvolvimento tecnológico.

A atribuição de vilão do efeito estufa aos pecuaristas também se dá pelo fato de a flatulência dos ruminantes - o pum do boi (outros falam em arroto do animal) -  emitir uma quantidade significativa de metano (CH4) na atmosfera. O metano é 23 vezes mais potente que o gás carbônico em termos de efeito estufa, ainda que a reação de cada um desses gases com a atmosfera se dê de forma diferente.

Incentivar uma pecuária como ganhos de produtividade e menor extensão é garantia de menos desmatamentos, menos poluição, mais biodiversidade, mais conservação de recursos naturais. Em um cenário em que as políticas de comando e controle não têm causado efeitos positivos como se queria em termos de preservação em propriedades rurais, dotar de argumentos econômicos o debate ambiental é uma equação inteligente para ampliar a reserva verde no país.

 

 

*Formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), Renata Camargo é especialista em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pelo CDS/UnB. Já atuou como repórter nos jornais Correio Braziliense, CorreioWeb e Jornal do Brasil e como assessora de imprensa na Universidade de Brasília e Embaixada da Venezuela. Trabalha no Congresso em Foco desde 2008.

 

Congresso em foco

Notícias

Área de propriedade rural pode ser fracionada para evitar penhora

Pedaço de chão Área de propriedade rural pode ser fracionada para evitar penhora 21 de outubro de 2026, 07h52 Para o desembargador, a interpretação que melhor atende à garantia constitucional é a que permite a penhora apenas sobre a área excedente, com a preservação de um patrimônio produtivo...

Mais de 1 mil mineiros trocaram de nome por ano sem precisar ir à Justiça

NOVA IDENTIDADE Mais de 1 mil mineiros trocaram de nome por ano sem precisar ir à Justiça A legislação alterou um procedimento que, até então, dependia de autorização judicial e da apresentação de uma justificativa. Com a nova regra, pessoas maiores de 18 anos passaram a poder solicitar a mudança...

TJ/GO impede penhora de parte de fazenda maior que limite legal

Impenhorabilidade TJ/GO impede penhora de parte de fazenda maior que limite legal Colegiado reconheceu impenhorabilidade de 120 hectares explorados pela família e manteve possibilidade de penhora sobre a área excedente. Da Redação sábado, 17 de outubro de 2026 Atualizado em 16 de outubro de 2026...