Seguir acordo ortográfico à risca não é prioridade, diz secretário da CPLP

“Não podemos ficar agarrados à nostalgia da língua”, disse Murade Murargy  Divulgação/CPLP

Seguir acordo ortográfico à risca não é prioridade, diz secretário da CPLP

18/10/2016 12h55  Brasília
Marieta Cazarré – Correspondente da Agência Brasil

O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, afirmou, em Lisboa, que a organização deve traçar, para a próxima década, políticas de cooperação entre os países nas áreas de educação, agricultura, energia e turismo. Na opinião do moçambicano, seguir à risca a aplicação do acordo ortográfico não é uma prioridade.

“A língua é muito importante, não há dúvida nenhuma, e é nossa obrigação difundi-la, promovê-la, internacionalizá-la. Mas não podemos ficar apenas agarrados à nostalgia da língua. A língua é um meio de transmissão de conhecimento, de negócios, do comércio, do investimento. Eu, por exemplo, não me preocupo se estou a aplicar [o acordo ortográfico] ou não. Se as pessoas me entendem, vamos em frente”, disse ontem (17) Murargy, em entrevista à Agência Brasil.

Para o secretário, que estará em Brasília no fim de outubro por ocasião da XI Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP está cada vez mais visível no contexto internacional. Uma série de países, como a Índia e a Austrália, se candidataram, inclusive, para serem observadores da Comunidade.

“Nós, os países-membros, não nos olhamos ao espelho para ver quão interessante somos. Os outros é que olham para nós e veem a importância que nós temos no cenário internacional. O potencial econômico, os recursos naturais que nós temos... Eles [os países observadores] querem ter acesso a nossas negociações sobre comércio e investimento. Todo mundo quer aprender português, sobretudo por causa dos países africanos. Hoje a Turquia está na África. A China e a Índia estão na África. Estão todos a correr para a África para desenvolver negócios”.

Segundo Murargy, que serviu como embaixador de Moçambique no Brasil por seis anos e meio, é preciso que os países-membros da CPLP redefinam os objetivos da organização, tendo em conta seu potencial econômico e seus recursos naturais.

“Todos os países da CPLP têm uma capacidade energética muito forte. É preciso traçar políticas para exploração desse recursos em benefício dos nossos próprios povos. Na agricultura é a mesma coisa. A larga experiência do Brasil, através dos conhecimentos que a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] possui, pode ser transmitida a outros países que também têm capacidade para produzir alimentos. A próxima guerra vai ser por alimentos. E nós temos a capacidade de minimizar os grandes deficits de alimentos no mundo”.

No entanto, para Murargy, o maior dos desafios que a Comunidade enfrenta é na área da educação e do desenvolvimento humano. “Os países, sobretudo da África, ainda têm um grande deficit na área de educação, inclusive na educação de base, e é preciso eliminar o analfabetismo para que não haja um cidadão que não saiba ler, escrever, fazer contas”.

A respeito do Brasil, Murargy disse que o país está buscando o equilíbrio entre as prioridades internas e o compromisso que tem com as comunidades, como a CPLP e as Nações Unidas.

“É preciso ter em conta que o Brasil é um vasto continente e, apesar de ter muitos recursos, é um país em desenvolvimento. Um país que luta para resolver seus problemas de base, como pobreza, educação, saúde, habitação. Então o Brasil interessa-se [pela CPLP] na medida do que é possível. Assim como outros países, como Angola e Moçambique, dá prioridade obviamente a resolução dos problemas internos. Os problemas da Comunidade ficam sempre em segundo ou terceiro plano”.

Acordo Ortográfico

“Quanto ao acordo ortográfico, muita gente não está de acordo, há muitos intelectuais, jornalistas, que não aplicam pois acham que não traz vantagens. Não há uma unanimidade sobre se valeu a pena ou não o tanto de dinheiro que se gastou. As implicações financeiras da aplicação do acordo são grandes. A alteração dos manuais escolares, por exemplo, sobretudo nos países africanos, que não têm capacidade financeira para mandar alterar tudo. Acredito que devemos concentrar-nos no que é fundamental para permitir que os outros [países-membros] possam se desenvolver”.

Futuro da CPLP

“Eu gostaria que a CPLP resolvesse um grande problema, que é a questão da mobilidade do cidadão no espaço da Comunidade. Sobretudo em grupos identificados, que são os empresários, jornalistas, artistas, desportistas, estudantes, investigadores, pesquisadores. A este grupo podíamos começar a dar uma porta de saída para circular no espaço, enquanto os países se organizam, para que a abertura seja total para os outros cidadãos. Isso seria um grande avanço nos próximos dez anos. E isso tem implicações na questão da educação, dos intercâmbios de conhecimento entre estudantes de Portugal, Brasil, Moçambique... Porque esses são os cidadãos que vão transmitir a imagem do que é a CPLP, deste sentimento de pertença à CPLP”.

“Eu vejo que, se houver vontade política, e espero que em Brasília os chefes de estado reafirmem a sua decisão de que a CPLP é uma organização para todos os nossos povos, é possível dar um impulso para que continue a crescer cada vez mais. Eu acredito que é um grande instrumento que temos para nos posicionarmos a nível internacional. Hoje já somos incontornáveis, mas podemos ser mais se mostrarmos um empenho em que essa organização cresça”, afirmou o secretário executivo.

Edição: Maria Claudia
Agência Brasil

Notícias

Acordo piloto de cooperação na área de patentes

Obama vai assinar com o Brasil acordo na área de análise de patentes 14/03/2011 17:26 Enviado por vinicius.doria, seg, 14/03/2011 - 17:26 InpePesquisa e InovaçãoUSPTOestados unidosobamapatente Alana Gandra Repórter da Agência Brasil Rio de Janeiro - Um acordo piloto de cooperação com o Brasil na...

TST manda sequestrar precatório em favor de idoso com câncer

Extraído de JusBrasil TST manda sequestrar precatório em favor de idoso com câncer Extraído de: Associação dos Advogados de São Paulo - 17 horas atrás Um ex-empregado do estado do Rio Grande do Sul, com 82 anos de idade, portador de câncer de próstata, sem condições financeiras para custear seu...

STJ terá sete novos ministros até o meio do ano

Extraído de JusClip STJ terá sete novos ministros até o meio do ano 14/03/2011 A presidente Dilma Rousseff deve indicar esta semana três novos ministros para o Superior Tribunal de Justiça. Dilma recebeu há um mês, do STJ, três listas tríplices com nomes de advogados que ocuparão o cargo de...

Descoberta de traição após núpcias não enseja anulação do casamento

Extraído de Arpen SP TJ-SC - Descoberta de traição após núpcias não enseja anulação do casamento A 3ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça manteve sentença da comarca de Itajaí, que julgou improcedente o pedido de anulação de casamento ajuizado por uma mulher que descobriu ter sido traída...

Repercussão geral

  STF julgará indulto e suspensão de direitos políticos Os ministros do Supremo Tribunal Federal entenderam que existe repercussão geral na discussão sobre a constitucionalidade ou não da extensão do indulto a medida de segurança decretada em relação a acusado considerado perigoso e submetido...

Distribuidora não pode vender a posto de concorrente

Extraído de domtotal 10/03/2011 | domtotal.com Distribuidora não pode vender a posto de concorrente Postos que firmam contrato de exclusividade com uma distribuidora de combustíveis estão obrigados a adquirir e revender os produtos apenas da empresa contratante. A decisão é da 15º Vara Federal do...