Acordo ortográfico será discutido em audiências públicas

19/08/2014 - 11h25 Comissões - Educação - Atualizado em 19/08/2014 - 12h08

Acordo ortográfico será discutido em audiências públicas

Da Redação


Obras do Programa Nacional do Livro Didático têm sido publicadas em conformidade com o Acordo

O professor Ernani Pimentel, idealizador do projeto Simplificando a Ortografia, é um dos coordenadores do grupo de trabalho criado na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) para discutir o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Ele pretende ampliar a discussão sobre a Língua Portuguesa e levar além do estágio atual as transformações no idioma. Segundo sua avaliação, o acordo ortográfico precisa ser repensado.

- O acordo foi concebido em 1970, assinado em 1990 e promulgado em 2008. Já nasceu defasado - analisa ele.

O objetivo final do ciclo de debates, explica o professor, é levar propostas a respeito do acordo para exposição no Seminário Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, que será realizado em Brasília no mês de setembro. No evento, as melhores ideias serão selecionadas pelos participantes, que são especialistas e profissionais da Língua Portuguesa. Depois disso, audiências públicas amplificariam o assunto.

Na visão de Pimentel, o que está em jogo é o próprio ensino da língua.

- O acordo mantém regras que estão dissociadas da didática moderna. É tão cheio de incoerências que nenhum professor em sã consciência pode dizer que o entende completamente - critica.

Sua intenção, expressa no nome de seu projeto, é simplificar normas ortográficas. Ele acredita que muitas são mantidas por motivos que não fariam mais sentido.

- A grafia de certas palavras só tem explicação pela etimologia. Mas ninguém se preocupa mais em saber a origem das palavras. Então temos regras inaplicáveis, que não são práticas. Podemos eliminar algumas delas e facilitar o aprendizado.

Por outro lado, o linguista Carlos Alberto Faraco, da Associação Brasileira de Linguística (Abralin), acredita que o país já está bem organizado em torno da proposta original do acordo e não vê razão para que se reabra a discussão da ortografia.

- No momento, é absolutamente prioritário o fechamento do círculo do acordo, que veio não para reformar a ortografia, mas apenas para dissolver a dualidade de ortografias oficiais que estavam criando constrangimentos à internacionalização da nossa língua - opina ele.

Faraco acredita que o Brasil já está pronto para adotar definitivamente as normas do acordo ortográfico de forma exclusiva, o que só está previsto para acontecer em 2016. Atualmente, vive-se uma fase de transição, em que tanto as regras antigas quanto as novas devem ser aceitas como corretas.

- A partir de 2010, todos os milhões de livros do Programa Nacional do Livro Didático estão sendo publicados em conformidade com o acordo ortográfico. O sistema escolar o incorporou sem qualquer trauma. Os documentos oficiais estão ajustados. Toda a imprensa brasileira e todas as editoras o adotaram. Em suma, o acordo já está inteiramente implantado no Brasil de fato - acredita o linguista.

 

Agência Senado

 

Notícias

STJ não conhece recurso sobre caução em penhora por falta de impugnação

STJ não conhece recurso sobre caução em penhora por falta de impugnação 4ª turma manteve decisão sem analisar mérito por óbices processuais. Da Redação quarta-feira, 15 de abril de 2026 Atualizado às 11:09 A 4ª turma do STJ, por unanimidade, não conheceu de recurso especial em caso que discutia a...

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano

Intenção de compra de imóveis atinge maior nível em um ano Letícia Furlan Repórter de Mercados Publicado em 11 de abril de 2026 às 14h00. Entre os recortes analisados, o destaque está nas gerações mais jovens. A geração Z, formada por pessoas entre 21 e 28 anos, lidera a intenção de compra, com 59%...

Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil

Questão de identidade Gênero não binário integra personalidade e pode estar no registro civil 9 de abril de 2026, 10h38 “O Colendo Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 4275, que analisou a possibilidade de alteração do prenome e do sexo no registro civil de pessoa transgênero, assentou...

Testamento estrangeiro com bens no Brasil: Por que o STJ negou a homologação?

Testamento estrangeiro com bens no Brasil: Por que o STJ negou a homologação? Adriana Ventura Maia Supremo decide que bens no Brasil exigem inventário nacional, mesmo com testamento estrangeiro, reforçando a soberania e a segurança jurídica sucessória. quinta-feira, 9 de abril de 2026 Atualizado em...