Artigo “Divórcio e separação extrajudicial” por Pedro M. Callado

Artigo “Divórcio e separação extrajudicial” por Pedro M. Callado

quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2018 12:05

O divórcio é causa de extinção do vínculo conjugal. Na separação, antigo desquite, ocorre apenas a extinção da sociedade conjugal (regime de bens, por exemplo), permanecendo o vínculo conjugal, de modo que a diferença entre ambos é que a pessoa divorciada pode se casar novamente e a separada não. A separada que constitui nova família sem divorciar-se estará constituindo uma união estável, se não houver impedimentos legais para tanto.

O divórcio é mais amplo e, num primeiro enfoque, é o que mais atende às necessidades das pessoas, em especial quanto aos deveres contraídos pelo casamento ou com a comunhão de bens. Mas, para quem optou pela separação e, agora, pretende o rompimento do vínculo conjugal, a lei autoriza a conversão da separação em divórcio. Em qualquer caso (divórcio direto ou pela referida conversão) é possível que a medida seja concedida sem que haja prévia partilha dos bens (ver Súmula 197 do STJ), hipótese em que os bens passam a pertencer em condomínio ao casal.

Em sendo os cônjuges maiores e capazes e em não havendo filhos menores e, ainda, se for consensual, a lei autoriza que o divórcio ou a separação se realize extrajudicialmente por meio de uma escritura pública, ou seja, diretamente num Cartório de Notas (aquele que lavra escrituras, procurações, testamentos, reconhece firma e autentica cópias de documentos). Essa escritura pública, por força de lei, substitui a sentença judicial e fica a critérios dos interessados optarem ou não por ela.

Em se tratando de divórcio ou separação extrajudicial, o notário analisará se estão presentes os requisitos legais para a realização do ato.  Em qualquer caso a lei exige a presença de Advogado comum ou que cada parte nomeie o seu, e, para os comprovadamente pobres, há isenção de pagamento dos emolumentos pela lavratura da escritura pública. No caso de Jales, há, na esfera do Poder Judiciário, o CEJUSC, que processa pedidos de divórcio e separação consensual sem qualquer despesa para os interessados.

Da mesma forma que no divórcio ou separação judicial, o extrajudicial não exige a prévia partilha de bens, permanecendo sob condomínio o patrimônio que antes fazia parte da comunhão, o qual pode ser extinto a qualquer tempo por vontade de um dos condôminos.

Por fim, ao contrário do que a doutrina e a jurisprudência afirmavam, não houve a extinção da separação, em especial porque o novo Código de Processo Civil, editado em 2015, trouxe diversas regras de natureza processual sobre o tema, indicando que continua em vigor a possibilidade de o casal optar pela separação.

Fonte: Anoreg/MT

A Anoreg/BR divulga produções acadêmicas e científicas. Entretanto, os artigos são inteiramente de responsabilidade do autor.

Extraído de Anoreg/BR

 

Notícias

Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo

Extraído de Veredictum Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo by Max De acordo com a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, o pedido de concessão do benefício da justiça gratuita pode ser feito pela parte a qualquer momento ou grau de jurisdição. Quando for solicitado...

Trabalhador retirou-se da audiência porque calçava chinelos de dedos

  Indenização para trabalhador que, calçando chinelos, foi barrado em audiência (04.03.11) Um dia depois da matéria de ontem (3) do Espaço Vital sobre exigências formais (gravata, paletó e calçados) para participar de atos judiciais, surge a notícia de que a União foi condenada a reparar o...

Não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas

23/02/2011 - 14h21 STJ decide que é impossível reconhecer uniões estáveis paralelas A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça admitiu que não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas entre um funcionário público aposentado do Rio Grande do Sul e duas mulheres, com as quais manteve...

Imunidade profissional não é absoluta

03/03/2011 - 14h08 DECISÃO Advogado é condenado por calúnia e difamação contra colega Em mais um julgamento sobre excessos verbais cometidos por advogado no curso do processo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou seu entendimento de que a imunidade profissional prevista na Constituição...

Cirurgia essencial à sobrevida de segurado

03/03/2011 - 12h29 DECISÃO Unimed deve pagar despesas com cirurgia bariátrica de segurada com obesidade mórbida A gastroplastia (cirurgia bariátrica), indicada como tratamento para obesidade mórbida, longe de ser um procedimento estético ou mero tratamento emagrecedor, revela-se cirurgia...