Comissão de Educação reconhece boas experiências pedagógicas

03/12/2013 - 13h06

Comissão de Educação reconhece boas experiências pedagógicas

A presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação elogiou os projetos apresentados, mas afirmou que poderia haver ainda mais destaques se o Senado aprovasse o Plano Nacional de Educação, que garante 10% do PIB para educação.

Representantes de escolas e organizações sociais de 11 cidades em oitos estados, além de Brasília, estiveram hoje na Câmara para apresentar experiências pedagógicas bem-sucedidas. Apesar dos projetos, os profissionais de educação pediram mais recursos para a educação pública no País e a votação do Plano Nacional de Educação (PNE - PL 8035/10), que destina 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para projetos na área, de acordo com o substitutivo aprovado pela Câmara. O texto está em fase de análise pelo Senado

A iniciativa faz parte do projeto Observatório da Educação, da Comissão de Educação da Câmara, que busca reunir projetos com bons resultados, que possam servir de base para a formulação de políticas públicas nacionais. Neste ano, o colegiado realizou 13 seminários regionais para discutir e coletar dados sobre as experiências escolares. Os projetos que mais se destacaram foram apresentados na Câmara nesta terça-feira.

Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
Seminário Nacional do Observatório da Educação. Experiência do II Seminário Regional do Observatório da Educação no RJ, representante do Grupo Afro Reggae - Rio de Janeiro RJ, Danilo Gonçalves Costa
Danilo Costa apresentou o projeto do AfroReaggae.

Um projeto do Grupo AfroReaggae, do Rio de Janeiro, foi um dos destaques. A organização vem aplicando um questionário de risco social em famílias de cinco comunidades, incluindo Vigário Geral e Complexo do Alemão. São levados em consideração fatores relacionados a saúde, educação, direitos sociais, renda e habitação.

Após a aplicação do questionário, o grupo acompanha o desenvolvimento de cada família, garantindo que as crianças e os jovens frequentem a escola e tenham acesso a novas oportunidades. Danilo Gonçalves, que representou o grupo na Câmara, explicou que, no ano passado, houve melhora nos índices sociais de 54,4% das famílias acompanhadas. “Sabemos muito bem do esforço do AfroReggae em trazer a educação para as comunidades, muitas vezes mesmo contra o interesse de grupos criminosos que atuam nas favelas”, lembrou o deputado Celso Jacob (PMDB-RJ), que participou do encontro.

De São Luís, foi destaque um projeto que utiliza a neurociência para estimular o desenvolvimento cognitivo de crianças com 2 a 12 anos de idade. Com materiais didáticos específicos e atividades estruturadas aplicadas duas vezes por semana, o grupo vem melhorando a capacidade de aprendizagem dos jovens. O projeto também conseguiu reduzir os índices de criminalidade das escolas com a medida.

“Reconhecer essas iniciativas é dar o devido valor ao esforço de profissionais de educação que se dedicam a aprimorar a qualidade do ensino no Brasil. Até porque as escolas, em geral, só são notícia quando algo ruim acontece”, lembrou o coordenador da Frente Parlamentar da Educação, deputado Alex Canziani (PTB-PR).

Gabriela Korossy / Câmara dos Deputados
Seminário Nacional do Observatório da Educação . Presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Rodrigues Repulho
Cleuza pediu a aprovação do PNE no Senado.

Plano Nacional de Educação
A presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, elogiou os projetos apresentados, mas afirmou que poderia haver ainda mais destaques se o governo federal aumentasse os recursos aplicados no setor. Repulho defendeu a aprovação da proposta de Plano Nacional de Educação, que estabelece as diretrizes para o setor nos próximos dez anos, além de fixar um padrão mínimo de verbas para a área.

O texto inicial da proposta, encaminhado pelo Executivo, garantia 7% do PIB para a educação. Após diversas manifestações públicas, a comissão especial do PNE na Câmara aprovou a aplicação de 10% do PIB em ações do setor. O texto, que foi aprovado pelos deputados em outubro do ano passado, está em fase de análise pelos senadores. “Uma das grandes dificuldades hoje são os recursos para melhorar cada vez mais e trazer mais crianças para a escola. Com o PNE aprovado, essa diferença necessária vai acontecer”, argumentou Repulho.

O último PNE perdeu sua validade em 2010. Desde o início de 2011, o País não conta com nenhum plano de diretrizes para o setor. O deputado Canziani acredita que o texto deva ser aprovado pelo Congresso no início do próximo ano. “Toda vez que trazemos para a Câmera um assunto voltado para a educação, isso acaba repercutindo em todos os projetos que tramitam no Congresso”, disse.

 

Reportagem - Carolina Pompeu
Edição - Natalia Doederlein

Agência Câmara Notícias

 

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