Conciliação via internet é tendência no mundo jurídico

Conciliação via internet é tendência no mundo jurídico

Mirian Queiroz

A cultura brasileira de resolução de conflitos pelo método adversarial está se tornando cada vez mais ultrapassada, mormente se for considerado o contexto atual do país, em que o Poder Judiciário está sobrecarregado e ainda se estruturando para atender com excelência e rapidez à enorme demanda processual. Pelos meios tradicionais, o julgamento de um processo simples pode levar anos para acontecer, sem a garantia de que a decisão final atenderá às expectativas de ambas as partes.

Com o objetivo de desafogar o Judiciário, assegurar a duração razoável do processo e oferecer uma solução agradável às partes, há mais de duas décadas, ganharam papel importante os métodos extrajudiciais de resolução de conflitos, como a conciliação e a mediação.

A Conciliação é utilizada preferencialmente para resolver causas menos complexas, tais como as relativas a divergências de interesses, relações de consumo conflituosas e ruídos de comunicação. A mediação é utilizada preferencialmente para resolver conflitos mais complexos, onde se busca a estabilização emocional e o restabelecimento do vínculo entre as partes. E a tendência no mundo jurídico é que as reuniões conciliatórias ou de mediação passem a ser realizadas cada vez mais pela internet, por meio de chats on-line.

Acompanhando a evolução legal e tecnológica, o Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) passou a prever, em seu artigo 334, parágrafo 7º, a possibilidade de realização da audiência de conciliação ou de mediação por meio eletrônico.

Além dos benefícios inerentes aos métodos extrajudiciais de resolução de conflitos - tais como maior autonomia das partes para se indicar uma solução ao litígio, celeridade e economia -, a conciliação e a mediação on-line oferecem outra vantagem: por meio delas, uma controvérsia pode ser resolvida de qualquer lugar, bastando que as partes envolvidas estejam conectadas à internet por um computador, tablet ou smartphone.

A redução comprovada do desgaste emocional das partes também é outra importante vantagem da reunião de conciliação ou de mediação on-line, favorecendo o empoderamento das partes para o alcance de um acordo proveitoso, bem como contribuindo para a solução célere do caso. Em apenas uma tarde, um conciliador é capaz de conduzir uma dezena de reuniões de conciliação em que ambas as partes cheguem a um consenso, sem prejuízo do respeito aos princípios e deveres inerentes a sua função.

A mediação e a conciliação caminham ao lado do Judiciário. Hoje, tramitam na Justiça brasileira em torno de 110 milhões de processos, sendo que, destes, 44% são demandas simples, que poderiam ser resolvidas com a conciliação ou com a mediação. Mais do que sensato priorizar, então, a resolução de controvérsias pelos métodos extrajudiciais, inclusive via internet, que já estão contribuindo consideravelmente para a redução da litigância na Justiça.

De 21 a 25 de novembro, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promoveu a Semana Nacional da Conciliação, um mutirão realizado pelos tribunais em todo o país com o objetivo de realizar o maior número de acordos extrajudiciais em curtíssimo período de tempo, descongestionando, assim, o Poder Judiciário. O evento, realizado pela 11ª vez, comprova que a utilização dos métodos alternativos de resolução de conflitos no Brasil veio realmente para ficar, especialmente em uma época em que se tem a internet como grande aliada. Vamos conciliar?

*Mirian Queiroz é advogada e coordenadora da Câmara Privada de Conciliação On-line Vamos Conciliar.

Fonte: Estadão
Extraído de Serjus

Notícias

Clipping - Paternidade em xeque - Jornal Estado de Minas

Fonte: Jornal Estado de Minas Publicado em 25/04/2011   Clipping - Paternidade em xeque - Jornal Estado de Minas   Mesmo provando não ser o pai biológico, depois de três exames de DNA, homem é obrigado a pagar pensão de R$ 9.810 sob a tese de laço afetivo. Ele se recusou e chegou a ser...

Banco terá que devolver a cliente dinheiro reaplicado sem autorização

26/04/2011 - 08h02 DECISÃO Banco terá que devolver a cliente dinheiro reaplicado sem autorização O Banco da Amazônia (Basa) terá que restituir a um cliente de Minas Gerais os valores que ele havia aplicado em fundo de investimento e que foram redirecionados sem sua autorização para outro fundo,...

Médico credenciado pelo SUS equipara-se a servidor público

Extraído de Portal do Holanda 26 de Abril de 2011 Médico credenciado pelo SUS é equiparado a servidor público - Médico particular credenciado pelo Sistema Único de Saúde equipara-se a servidor público para efeitos penais, mesmo que a infração pela qual foi condenado tenha acontecido antes da...

Antigo proprietário de veículo pode ser responsabilizado por IPVA

  Antigo proprietário de veículo pode ser responsabilizado por IPVA A ausência de comunicação ao DETRAN de venda de veículo gera responsabilidade solidária do antigo proprietário. Com esse entendimento o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) deu provimento a recurso de apelação nº...

Advogados resistem a enviar petições por meio eletrônico

Extraído de DNT 20.04.2011 Advogados resistem a enviar petições por meio eletrônico Seccional paulista da OAB vai realizar um mutirão para digitalizar milhares de processos em papel No fórum da pequena cidade de Dois Irmãos do Buriti, no Mato Grosso do Sul, não há mais processos em papel. Tudo foi...

Todos contra o novo Código de Processo Civil

Brasil Econômico - Todos contra o novo Código de Processo Civil (20.04.11)   Maeli Prado Desde outubro de 2009, quando o presidente do Senado, José Sarney, convocou uma comissão de juristas para redesenhar o Código de Processo Civil (CPC), o novo texto daquele que é classificado como a espinha...