Inovação muda realidade de pequenos negócios

Inovação muda realidade de pequenos negócios

Fundadora da marca paraibana de calçados e acessórios femininos Eva Bag &Shoes, Evanilza Gonçalves Ribeiro está há 20 anos no mercado, mas enfrentou um 2015 difícil. Com a redução do consumo e a consequente queda das vendas e do faturamento, teve que demitir o designer de suas coleções da marca. Mas agora, graças a um projeto do Sebrae junto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e parceiros tecnológicos italianos, ela está desenvolvendo a coleção Inverno 2016 com a ajuda de uma designer gaúcha, conseguiu matérias primas mais baratas e espera, assim, adequá-los à nova realidade do mercado.

A Eva Bag &Shoes é uma das 54 pequenas fábricas de calçados atendidas pelo projeto Rede de Serviços Tecnológicos (RST) no Polo de Campina Grande (PB). Em todo o Brasil, o RST atende 874 empresas fabricantes de móveis e de calçados e vem mudando a realidade desses pequenos negócios em cinco polos industriais brasileiros: além do Polo de Campina Grande (PB), o do Vale do Sinos e Paranhana (RS) e o do Vale do Rio Tijucas (SC), ambos de Couro e Calçados, e o Polo Moveleiro de Arapongas, o principal do Paraná e um dos principais do país, e o Polo Moveleiro da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que abrange 34 municípios.

Nesse projeto, o Sebrae identifica, de um lado, as necessidades de inovação dos pequenos negócios e, de outro, possíveis fornecedores desses serviços tecnológicos, que são oferecidos por meio do Sebraetec, programa que oferece consultoria tecnológica em sete temas da inovação, subsidiando até 80% dos custos para empreendimentos de micro e pequeno porte. Os Agentes Locais de Inovação (ALI) têm a missão de identificar as reais necessidades da empresa por inovação, facilitando-lhe a relação com as instituições ofertantes de serviços tecnológicos.

Para Evanilza, além de baratear a consultoria para o desenvolvimento da nova coleção, o RST de Campina Grande permitiu que ela tivesse acesso a um designer do Rio Grande do Sul. Ele está ajudando Evanilza a modificar seus produtos de forma que a empresa fique mais competitiva no mercado. “Ele nos deu acesso a novos fornecedores de matéria prima. Com os novos insumos e algumas inovações no design dos nossos calçados, estamos conseguindo baixar os preços, sem perder a qualidade é claro”, afirma a empresária que lançará a coleção em fevereiro de 2016 e espera ter sucesso junto aos consumidores. “Temos que adotar novas estratégias para mantermos as portas abertas”, diz.

Em Santa Catarina, as 75 empresas atendidas pelo RST receberam mais de 5 mil horas de consultorias em qualidade, design de produtos, website, controle de produção, acesso a mercado, inovação, iconografia regional e sustentabilidade com foco em resíduos sólidos. Dessas, 16% aumentaram a produção em 35%, em média, 10% ampliaram seu espaço físico e 8% delas venderam para Bolívia, Colômbia, Equador e Noruega.

A diretora técnica do Sebrae, Heloisa Menezes, aponta uma série de resultados com a formação das RST, entre eles, a criação de um ambiente favorável à transferência de inovação baseando-se na identificação dos serviços necessários e a organização das prioridades por empresa. Somam-se a elaboração de um plano estratégico da cadeia produtiva local com forte interação entre empresas e as Instiuições de Ciência e Tecnologia (ICT) e a organização em forma estruturada dos canais de transferência de conhecimento e pesquisa aplicada das Universidades e ICT para os pequenos negócios.

“Mapeamos os serviços de 52 entidades tecnológicas e organizamos a oferta desses serviços de acordo com a demanda diagnosticada nas empresas e estimulamos as instituições locais ofertantes a construir portfólio específico setorial de serviços. Agora, esperamos replicar a metodologia em outros territórios e internalizar as boas práticas”, ressalta Heloisa Menezes.

Atendimento em rede

O modelo de atendimento em rede entre instituições ofertantes de serviços tecnológicos e micro e pequenas empresas já se consolidou com sucesso após experiência piloto realizada entre 2008 e 2013 nos estados do Pará e do Amazonas, visando ao aumento da competitividade do setor de madeira e móveis.

Os pilotos desenvolvidos também demonstraram a eficiência de parcerias entre o Sebrae e entidades difusoras de inovação como o Centro Especializado para o Setor de Madeira e Móveis (Cosmob), instalado em Pesaro, região de Marche, Itália, além de organismos multilaterais de crédito como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que participam da sustentação financeira desses projetos.

A partir de 2013, a metodologia RST passou a abranger não só novos territórios com forte presença do setor de madeiras e móveis, como também o setor de couro e calçados. Nessa etapa, o RST tem foco em ações de melhoria de processos e produtos, visando adicionar mais inovação e tecnologia aos pequenos negócios atendidos, aumentando assim a competitividade e ampliando mercados.

Texto confeccionado por: Gizella Rodrigues
Extraído de Jurisite

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