Ministra não abrirá mão de convicções pessoais

Nova ministra diz que não abre mão das convicções que tem sobre aborto

10/02/2012 - 17h05
CidadaniaPolíticaSaúde
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, disse hoje (10) que vai dar continuidade ao programa de governo da presidenta Dilma Rousseff, mas não abrirá mão de convicções pessoais, em especial, das que tem sobre o aborto. “Convicção é uma coisa pessoal e hoje assumo uma posição de titularidade de uma pasta importante. Terei muita serenidade em levar à frente as políticas do governo no que diz respeito a esse aspecto [aborto] e aos projetos que existem. O debate é da sociedade civil”, disse a nova ministra, ao ser perguntada sobre as críticas que recebeu de grupos evangélicos por defender o aborto como questão de saúde pública.

A socióloga respondeu que vai tratar o tema com serenidade e está disposta a dialogar com todos, mas argumentou que o aborto é a quarta causa de morte materna no país. “Uma mulher que chega ao 67 anos com a trajetória de vida que tive, se não tivesse convicções, não estaria aqui”, acrescentou, após cerimônia de transmissão de cargo, quando assumiu o comando da pasta no lugar de Iriny Lopes, que deixou o governo para concorrer à prefeitura de Vitória, nas eleições de outubro.

A socióloga relembrou o período em que ficou presa com a presidenta Dilma Rousseff, durante a ditadura militar. “Tenho orgulho de ser amiga da presidenta Dilma e de ter sido presa com ela”.

A nova ministra comemorou a decisão de ontem (9) do Supremo Tribunal Federal (STF), de permitir que denúncias de violência doméstica sejam levadas adiante na Justiça mesmo que a vítima retire a queixa contra o agressor. Na prática, a decisão confirma a constitucionalidade da Lei Maria da Penha. “Acaba, definitivamente, com o segredo de que, quem bate em mulher, não deve ser punido”, disse.

Menicucci deixou a pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para assumir o cargo de ministra. Doutora em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutora pela Universidade de Milão, Eleonora Menicucci dirigia o Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Saúde da Mulher e Relações de Gênero da Unifesp.

 

Edição: Vinicius Doria - Agência Brasil
 

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