Setor automobilístico em alerta quanto à importação de veículos

07/01/11 - 00:00 > AUTOMÓVEIS


Importados acendem sinal de alerta das montadoras no País

Maurício GodoiGleyma Lima


SÃO PAULO - A indústria automobilística brasileira nunca teve uma performance tão positiva quanto em 2010. Foram produzidos 3,64 milhões de veículos automotores, um crescimento de 14,3% ante 2009, e a perspectiva de expansão de vendas para este ano foi revisada para cima, passando de 3,63 milhões de unidades para 3,69 milhões. Apesar dos números vigorosos, o setor está em alerta quanto à importação de veículos, que deverá crescer mais que a produção local. A estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é de que 22% o mercado brasileiro sejam tomados pelos carros vindos do exterior. Em 2010 esse índice era de 18,8% das vendas.

Em combinação ao aumento das importações, o setor registrou queda das exportações de veículos. Com isso, o saldo da balança comercial das montadoras brasileiro apresentou um déficit de cerca de US$ 2 bilhões em 2010, de um total de US$ 5,7 bilhões quando contabilizado o setor de autopeças. Nos 12 meses do ano passado foram vendidas ao mercado externo 765 mil unidades: 502,4 mil veículos montados, e o restante desmontado. Em comparação a 2009 a alta foi de 61%.

Apesar desse crescimento, o volume de unidades vendidas fechou o ano passado com déficit de 158 mil unidades.

Este número representa um aumento do saldo negativo em 37 mil unidades ante 2009, ano em que entraram no Brasil 121 mil unidades a mais do que foram exportadas. Para efeitos de comparação, esse balanço em 2008 apontava um superávit de 193 mil veículos.

De acordo com o presidente da entidade, Cledorvino Belini, essa expansão dos veículos estrangeiros no Brasil já afeta as margens e, consequentemente a rentabilidade das operações das montadoras instaladas no País. "Os preços dos produtos já estão mais baixos que no ano anterior", afirma o executivo, que também é o presidente da subsidiária brasileira da italiana Fiat.

Para 2011 a previsão da Anfavea é de que apesar do crescimento estimado de 5% nas vendas, a produção apresente expansão de apenas 1,1%. Esse fato deverá aumentar ainda mais o déficit, pois a entidade vê nuvens negras no horizonte de exportações em 2011, com queda de 3,4% nas vendas de veículos montados, para 485 mil unidades e retração de 4,7% na de desmontados, para 730 mil.

Origem

A maior parte das importações vem de mercados em que o Brasil tem acordos comerciais, que permitem isenção nas alíquotas de entrada no País. Da Argentina vieram 53,2% dos veículos importados de janeiro a novembro. O México respondeu por 10,5% do total importado. A maior expansão proporcional, porém, foi a da China, que aumentou as vendas ao País em 469% na comparação com o mesmo período de 2009. A entrada de carros dos Estados Unidos foi elevada em 71,5%, e da Coreia do Sul, em 67,2%.Segundo Belini, o ponto principal para a reversão dos números das exportações deve-se primordialmente ao dólar depreciado em relação ao real. Em sua opinião, o aumento do compulsório - anunciado no mês passado pelo Banco Central (BC) - e a medida do Ministério da Fazenda para conter o câmbio são positiva, mas que ainda não há reflexo quanto a influência desta primeira nos números das montadoras."Esperamos que com isso o dólar, pelo menos pare de cair", disse Belini. "Ainda é pouco [as medidas] para impulsionar as vendas e frear as importações, precisamos de mais ações para que a nossa competitividade seja elevada", disparou ele, que não apontou nenhuma sugestão que tomaria se estivesse no governo.

O setor articula-se junto ao governo para apresentar soluções pontuais para a indústria automotiva, que reúne as montadoras e as fabricantes de autopeças. Para isso a Anfavea espera ter finalizado, até abril, um estudo de competitividade. Ele não revelou o conteúdo obtido até o momento mas já descartou um aumento da alíquota de importação, pois o Brasil já tem a incidência máxima definida em acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC) que é de 35%.

Apesar de não dar nenhuma dica, Belini disse que o problema de infraestrutura no Brasil é um dos fatores que atrapalham a competitividade da indústria local, que responde por cerca de 20% do PIB nacional. Ao lado, está o alto custo de capital e de logística. Além disso, o executivo afirma estar preocupado com a China, justamente o maior exportador para o Brasil. Naquele país estão instaladas as maiores montadoras - que também estão por aqui - e que o Brasil pode, em um horizonte de longo prazo, ser o destino, não a origem, do comércio internacional de veículos.


Fonte: DCI

 

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