A importância da redução do desmatamento

21/11/2012 - 18h20 Comissões - Mudanças Climáticas - Atualizado em 21/11/2012 - 19h13

Para especialistas, manter redução do desmatamento na Amazônia é desafio para os próximos anos

Soraya Mendanha

Especialistas da área ambiental destacaram, nesta quarta-feira (21), durante audiência pública para acompanhar as ações relativas à mudança do clima na Amazônia, a importância da redução do desmatamento no bioma, já que o Brasil continua sendo um dos grandes emissores de gás estufa no cenário mundial por derrubamento de florestas. A audiência foi realizada pela Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climática.s

Segundo relatório do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas (ONU), apresentado pelo diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Motinho, grande parte da emissão de gás estufa provem da queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão mineral e gás natural) e do desmatamento, onde o Brasil tem participação relevante em relação a outros países.

- Continuamos a queimar mais combustível, continuamos a derrubar mais florestas e, portanto, continuamos contribuindo para aumentar esse cobertor de gases que aquecem a atmosfera e a tornam mais reativa – destacou.

Paulo Motinho registrou que, após a revolução industrial, houve um aumento de 40% de gás efeito estufa na atmosfera, o que pode levar a um aquecimento de 4 graus. O pesquisador explicou que a ONU só considera seguro um aquecimento de até 2 graus.

- Em termos globais, por que precisamos reduzir o desmatamento se ele equivale apenas a 12% ou 13% da emissão global? É que essa pequena parte é extremamente importante para que consigamos manter a temperatura abaixo de dois graus em relação ao período pré-industrial – alertou.

Paulo Motinho afirmou que o desmatamento da Amazônia já atinge quase 70 milhões de hectares e que, deste total, 20% são áreas que estão abandonadas e, portanto, sem aproveitamento. Para ele, é necessário que essas áreas se tornem produtivas. Ele explicou que é preciso quebrar o mito de que crescimento econômico e preservação ambientalnão não podem conviver .

Para comprovar que é possível a convivência dessas duas realidades, o diretor do Ipam citou dados do Mato Grosso que mostram que o estado conseguiu aumentar a produção de gado e soja reduzindo o desmatamento.

- Estão errados aqueles que acham que temos que abrir mão da nossa natureza, da nossa floresta para produzir – disse.

Paulo Motinho destacou algumas ações governamentais que poderiam ajudar no combate ao desmatamento, entre elas, recompensar aqueles que reduzem o desmatamento, realizar investimentos em infraestrutura que considerem a questão ambiental, criar e manter áreas protegidas na Amazônia e incluir nos currículos escolares matérias que tratem do aquecimento global.

A representante do Ministério do Meio Ambiente, Juliana Simões, destacou a importância do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal na redução do desmatamento. Ela explicou que o plano, em execução desde 2004, funciona sob coordenação direta da Casa Civil da Presidência da República e tem três eixos de ação: ordenamento territorial e fundiário, monitoramento e controle e fomento a atividades produtivas.

- O principal resultado do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal é a redução de 77% do desmatamento relacionado ao ano de 2004, onde tivemos a segunda maior taxa da série histórica que o Inpe mede desde 1988. Esse é um grande resultado para o país – ressaltou.

Juliana Simões destacou a importância de uma ação diferenciada de fiscalização na Amazônia, já que os desmatamentos encontram-se cada vez mais pulverizados em áreas menores e da destinação por parte do governo das áreas públicas com florestas.

- O que temos que conseguir agora é permanecer nesse cenário de redução do desmatamento, que cada vez vai exigir um esforço maior do governo. Então, esse é o maior desafio para os próximos anos – afirmou.

 

Agência Senado

 

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