Debatedores defendem abertura do mercado aéreo para redução de tarifas

23/04/2014 - 22h09

Debatedores defendem abertura do mercado aéreo para redução de tarifas

A abertura do mercado aéreo brasileiro para empresas estrangeiras ou para o capital externo foram alternativas apresentadas por deputados e debatedores, durante audiência pública da Comissão de Turismo que discutiu o alto preço das tarifas aéreas no Brasil. Hoje, o limite de participação do capital estrangeiro no setor é de 20%.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública para discutir os preços das passagens aéreas no Brasil. Coordenadora Institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor ( PROTESTE), Maria Inês Dolci
Maria Inês Dolci: o consumidor brasileiro paga muito e é mal atendido.
 

A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) e diversos parlamentares afirmaram que o preço das passagens no Brasil é mais alto do que no exterior. O deputado Renato Molling (PP-RS), que propôs o debate, lembrou que levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o preço das passagens aéreas no Brasil aumentou 131,5% acima da inflação desde 2005.

Concentração no mercado
Para a coordenadora institucional do Proteste, Maria Inês Dolci, o consumidor brasileiro paga muito e é mal atendido. Ela reclamou que apenas duas empresas dominam 75% do mercado, o que permite a manipulação de preços.

Para Dolci, há tarefas urgentes, como: "Abrir o mercado a companhias internacionais, melhorar a infraestrutura dos nossos aeroportos, reduzir a burocracia em voos internacionais, melhorar os serviços, oferecer malha aeroviária regional, reduzir as taxas aeroportuárias e coibir abusos nos programas de milhagens de todas essas companhias."

O gerente de Análise Estatística da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Cristian Vieira dos Reis, disse que qualquer empresa que tenha sede no País pode requerer a operação de linhas para qualquer região do País desde que haja disponibilidade de infraestrutura aeroportuária e de navegação aérea. Mas é preciso que a empresa tenha sede no País.

“O que não é possível é uma empresa situada no exterior atuar no nosso mercado interno porque não haveria reciprocidade com as brasileiras nos outros mercados.” Reis acrescentou que é importante aprovar o novo Código Aeronáutico, que modernizaria a legislação que rege o setor.

Na opinião do gerente da Anac, a liberação do capital e de novos investimentos é extremamente importante e estratégico para o setor. “A Anac defende isso, a Secretaria de Aviação defende isso e existe um projeto de lei tramitando nessa Casa."

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública para discutir os preços das passagens aéreas no Brasil. Dep. José Carlos Vieira (PSD-SC)
Vieira: preços em trajetos entre cidades de importância equivalente na Europa e nos EUA custam metade do que se paga no Brasil.

Reforma do Código da Aeronáutica
O deputado Carlos Eduardo Cadoca (PCdoB-PE) lembrou que o projeto que reforma o Código Brasileiro de Aeronáutica (PL 6716/09) tramita desde 2009 e está pronto para a pauta desde 2010, sem ser votado.

Autor da emenda ao projeto que permite a entrada de capital estrangeiro nas empresas aéreas brasileiras, Cadoca lamentou que a emenda ainda mas não tenha sido votada a pedido do governo. "Eu apresentei essa emenda, elevando de 20 para 49% [a participação do capital estrangeiro]. Na hora da votação, o governo orientou a retirada da minha emenda que eu introduzi no Código da Aeronáutica. Tá parado, mas foi aprovado nessa comissão. O governo é que tá travando isso."

Tarifas na Europa e no Brasil
Durante a audiência, o deputado José Carlos Vieira (PSC-SC) apresentou levantamento que mostra que os preços em trajetos semelhantes e entre cidades de importância equivalente na Europa e nos Estados Unidos custam metade do preço que se paga no País.

O parlamentar afirmou que não há razão para essa diferença e citou alguns exemplos. "A mão de obra nos Estados Unidos e na Europa é muito mais cara do que aqui e ainda assim as nossas passagens estão com o dobro do preço, no mínimo"

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência pública para discutir os preços das passagens aéreas no Brasil. Presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), Eduardo Sanovicz
Eduardo Sanovicz: qualquer empresa europeia que viesse hoje para o Brasil teria passagens mais caras.

Já o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Eduardo Sanovicz, argumentou que qualquer empresa europeia que viesse hoje para o Brasil teria passagens mais caras.

Sanovicz explicou que a legislação brasileira, dos anos 80, previa um regime de trabalho para aeronautas de 850 horas por ano, que não se aplica mais no mundo. Esse é um dos itens da legislação que as empresas querem mudar para que sejam competitivas com as estrangeiras. O dirigente lembrou ainda que o Brasil tem o querosene para aviação mais caro do que os outros países por causa do cálculo utilizado e da tributação estadual sobre o insumo.

Para o gerente da Anac, no entanto, a tarifa brasileira não é alta. Ele disse que o preço médio é de R$ 326. De acordo com Christian Reis, passagens de R$ 1.500 para cima representam apenas 0,5% das vendas no País.

 

Reportagem - Vania Alves
Edição - Regina Céli Assumpção

Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara Notícias

 

Notícias

Porte de armas

    Porte de armas Decreto 7.473/11 regulamenta registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição No mesmo dia em que o governo lança a Campanha Nacional de Desarmamento 2011, é publicado hoje, no DOU, o decreto 7.473/11, que dispõe sobre o decreto 5.123/04, que regulamenta a...

Banco não pode cobrar tarifa para compensar cheque

Extraído de JusBrasil Banco não pode cobrar tarifa para compensar cheque Extraído de: Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão - 2 horas atrás A 2ª Câmara Especial Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul concluiu que é abusiva a cobrança de tarifa de compensação de cheques, mesmo sendo...

Post mortem

  Estado não perde com cessão de herança Por Luciana Braga Simão   Com a partilha, cessa o estado de indivisão da herança e o herdeiro passa a ser titular das coisas a ele atribuídas, com efeito retroativo à morte do inventariado. Até então, a parcela da herança transferida ao herdeiro...

Afeto não pode ser parâmetro para união homoafetiva, diz CNBB

Quarta-feira, 04 de maio de 2011 Afeto não pode ser parâmetro para união homoafetiva, diz CNBB Advogados da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Associação Eduardo Banks realizaram sustentação oral perante a tribuna do Supremo Tribunal Federal (STF), na qualidade de amici curiae...

Novas regras para prisão processual respeitam mais os direitos do cidadão

Extraído de Portal do Holanda  03 de Maio de 2011   Novas regras para prisão processual respeitam mais os direitos do cidadão - Com a vigência do Projeto de Lei 4.208/2001 , que altera o Código de Processo Penal, a prisão processual estará praticamente inviablizada no Brasil. Essa é...

Prisão em flagrante

  Novo CPP dificulta prisão preventiva após flagrante Por Rodrigo Iennaco   Dando sequência à reforma do Código de Processo Penal, no âmbito da comissão constituída pela Portaria 61/2000, foi encaminhado à sanção presidencial o Projeto de Lei 4.208/2001, que altera dispositivos do CPP...