Especialista em mediação defende prática para capacitar conciliadores

Foto: Luiz Silveira/Agência CNJ

Especialista em mediação defende prática para capacitar conciliadores

24/10/2012 - 07h15

Exercícios práticos devem ser a base dos programas de capacitação de mediadores, defendeu Diego Falek, palestrante do II Seminário sobre Conciliação, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na última segunda-feira (22/10), no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG). Professor da Fundação Getúlio Vargas, Falek é especialista em negociação e qualificação de mediadores. Na avaliação dele, o bom mediador precisa ter habilidades que em muitos casos somente o treinamento contínuo pode ajudar a desenvolver.

Uma delas, segundo o professor, é a capacidade de analisar as pessoas. “O mediador precisa ter a capacidade de absolver informação e utilizá-la para avançar em relação ao acordo”, explicou Falek, destacando outras qualidades também necessárias à boa mediação. Nesse sentido, ele citou a sensibilidade, ou seja, a capacidade de o mediador “ler as pessoas” e ver o que nem sempre está em evidência.

De acordo com Falek, também é importante que o mediador tenha “senso de humor”, para fazer as partes relaxarem quando necessário e, ao mesmo tempo, ter “senso de drama”, para saber o que e quando falar. Segundo ele, habilidade comercial é imprescindível, mesmo para os casos de direito de família.

“Quando pensamos em treinar pessoas, temos de nos perguntar como queremos que sejam as mediações. O primeiro propósito da mediação é a eficiência: o mediador deve ter em mente o menor custo e menor tempo. Depois vem a efetividade: quais são os efeitos desses acordos? Eles vão ser cumpridos? Vão ter durabilidade? Outro ponto está relacionado à satisfação das partes: o resultado foi construído com base em critérios de justiça? As partes tiveram a oportunidade de se expressar? Elas conseguiram colocar suas emoções para fora? Por fim, devemos pensar na questão do relacionamento: a disputa permitiu bom relacionamento entre as partes?”, questionou.

De acordo com Falek, as habilidades necessárias para atingir tais objetivos podem ser adquiridas com treinamento, que deve ser contínuo e mais voltado para a prática. Nesse sentido, ele defendeu a realização de exercícios de simulação e a atuação em casos reais, com a devida supervisão. O monitoramento é importante, pois ajuda apontar ao futuro mediador as deficiências que ele precisa sanar para obter êxito nas conciliações.

“O ser humano não consegue abraçar todos os temas. Se você se aprofundar muito em psicologia, não terá tempo para se aprofundar muito em outras áreas também necessárias à mediação. Um ponto muito importante do treinamento do mediador é a supervisão individualizada, pela qual é possível trabalhar diversos elementos de uma pessoa que ela não consegue perceber sozinha”, afirmou.

Falek palestrou no painel Treinamento por Abordagem Clínica na Formação de Mediadores e Conciliadores, mediado pelo ex-juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça, Ricardo Chimenti. O II Seminário sobre a Conciliação e Mediação fez parte dos preparativos para a VII Semana Nacional da Conciliação, que o CNJ vai realizar em todo o Brasil, de 7 a 14 de novembro próximo.


Giselle Souza
Agência CNJ de Notícias
 

Notícias

Área de propriedade rural pode ser fracionada para evitar penhora

Pedaço de chão Área de propriedade rural pode ser fracionada para evitar penhora 21 de outubro de 2026, 07h52 Para o desembargador, a interpretação que melhor atende à garantia constitucional é a que permite a penhora apenas sobre a área excedente, com a preservação de um patrimônio produtivo...

Mais de 1 mil mineiros trocaram de nome por ano sem precisar ir à Justiça

NOVA IDENTIDADE Mais de 1 mil mineiros trocaram de nome por ano sem precisar ir à Justiça A legislação alterou um procedimento que, até então, dependia de autorização judicial e da apresentação de uma justificativa. Com a nova regra, pessoas maiores de 18 anos passaram a poder solicitar a mudança...

TJ/GO impede penhora de parte de fazenda maior que limite legal

Impenhorabilidade TJ/GO impede penhora de parte de fazenda maior que limite legal Colegiado reconheceu impenhorabilidade de 120 hectares explorados pela família e manteve possibilidade de penhora sobre a área excedente. Da Redação sábado, 17 de outubro de 2026 Atualizado em 16 de outubro de 2026...