Ex-detenta chefia trabalho de internas em MG

Ex-detenta chefia trabalho de internas em MG

08/05/2012 - 06h00

Uma semana após deixar o Presídio Feminino José Abranches, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), Ana Carolina Moreira, de 31 anos, teve de retornar ao local onde ficou dois anos presa. Longe de protagonizar mais um caso de reincidência criminal, ela voltou como contratada de uma empresa que fabrica, dentro do presídio, sacolas retornáveis. Chefe de uma equipe de 20 detentas, Ana comemora a nova fase de sua vida. “Hoje estou realizada. Agora, quero comprar uma casa e tirar minha família do aluguel”, pensa grande a mulher, que mora com a mãe e três filhos.

Ana deixou o presídio no dia 4 de abril, ao receber alvará judicial de prisão domiciliar. Imediatamente, foi contratada pela empresa LT Confecção Ltda, que apóia a Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais (SEDS) em ações de reinserção social de detentos e egressos do sistema carcerário. A SEDS é uma das parceiras do Programa Começar de Novo, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que utiliza a inclusão produtiva como estratégia de prevenção da reincidência criminal.

“Quando voltei para trabalhar no presídio, no começo fiquei constrangida. Senti que as internas me olhavam de forma diferente, com desconfiança. Depois elas entenderam por que eu estava ali, e hoje me tratam com educação e respeito”, conta Ana, feliz também por contribuir para a reinserção social das ex-companheiras de cárcere.

Nos dois anos em que cumpriu pena no presídio, Ana adquiriu a formação profissional que hoje a capacita para coordenar a equipe de produção. Fez cursos de corte e costura, produção industrial e de recursos humanos. Essa capacitação foi oferecida por meio de parceria entre a SEDS, Secretaria de Administração Prisional (SUAPI) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (EMATER/MG). Antes de ser presa, ela já havia concluído o ensino médio.

Thaís Rosa de Oliveira Lara, a empresária que contratou Ana, conta ter criado a LT Confecção Ltda, em 2010, com o objetivo de contribuir para a reinserção social das internas do Presídio Feminino José Abranches. “Deus falou comigo. Vá, crie a empresa porque tem gente precisando. Não foi nada ligado a empreendedorismo. Criei a empresa com o objetivo de ressocializar o ser humano. Os que estão presos precisam de uma segunda chance. Eles precisam recuperar a dignidade que perderam com a prisão. E essa dignidade vem com o trabalho”, conta a empresária, acrescentando que a produção das internas já forneceu bolsas para a Vale, o SEBRAE, diversos supermercados da região metropolitana de Belo Horizonte e empresas de outros estados, como São Paulo.

A diretora-geral do Presídio Feminino José Abranches, Raquel Alves de Paula, comentou a repercussão do retorno de Ana ao convívio com as internas. “Elas estão se sentindo valorizadas. Estão vendo que o nosso trabalho de reintegração social é verdadeiro, não é da boca pra fora”, afirma. O presídio abriga 126 internas, cuja maioria cumpre pena por tráfico de drogas. Segundo a diretora, 80% estudam e trabalham dentro da unidade. “A pessoa, se não tiver alguém para lhe dar uma chance, dificilmente se tornará um ser humano melhor”.

 

Jorge Vasconcellos
Foto/Fonte: Agência CNJ de Notícias


 

Notícias

Caminho mais curto

  PEC sobre fim de ação em segundo grau é polêmica Por Marina Ito   Na segunda-feira (21/3), o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, vai apresentar, em um evento na FGV Direito Rio, uma Proposta de Emenda Constitucional para que os processos sejam finalizados e...

Igualdade das partes

Extraído de DPU Artigo: MP ao lado do juiz viola equidistância das partes  Por Eduardo Tergolina Teixeira, Gabriel Faria Oliveira e Vinícius Diniz Monteiro de Barros    A Constituição do Brasil, em seu artigo 5º, caput e incisos LIV e LV, estabelece a igualdade das partes no curso do...

Fiança questionada

  STJ mantém fiança de pessoa diversa do contratante A fiança feita por pessoa jurídica diferente daquela que celebrou o contrato principal, e que é juridicamente válida, deve ser mantida para não tornar o principal sem efeito. Esse foi o entendimento da 2ª Turma do Superior Tribunal de...

Diplomação deve incidir sobre suplente da coligação

Quinta-feira, 17 de março de 2011 Diplomação deve incidir sobre suplente da coligação, decide Lewandowski O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, indeferiu pedido de liminar apresentado por Wagner da Silva Guimarães, que pretendia assumir a cadeira do deputado federal Thiago...

Você teria sido aprovado no concurso para juiz de SC?

Fonte: www.espacovital.com.br Você teria sido aprovado no concurso para juiz de SC? (15.03.11)    Os leitores foram convidados a testar seus conhecimentos. Hoje, este saite repete, nesta páginas, quatro das mais complicadas (ou curiosas) perguntas, e já destaca em azul quais as...

Dano moral à doméstica deve ser analisado pela Justiça comum

15/03/2011 - 09h15 DECISÃO Dano moral à doméstica cometido por patroa médica deve ser analisado pela Justiça comum Cabe à justiça comum estadual processar e julgar ação de indenização por danos morais ajuizada por ex-empregada doméstica, por suposto erro médico praticado por sua ex-empregadora,...