Fatores genéticos e socioambientais definem desenvolvimento humano, diz neurocientista

Suzana Herculano fala em audiência pública observada pelo senador Cyro Miranda   Geraldo Magela/Agência Senado

Fatores genéticos e socioambientais definem desenvolvimento humano, diz neurocientista

Gorette Brandão | 26/11/2014, 20h21 - ATUALIZADO EM 26/11/2014, 22h07

Ficou no passado a disputa no campo científico que colocava de um lado a supremacia dos aspectos biológicos e do outro a predominância das questões socioambientais como fatores que definem a aprendizagem e o desenvolvimento humanos. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (26) pela neurocientista Suzana Herculano Houzel, que também participou de debate no Senado dentro da Semana de Valorização da Primeira Infância e Cultura da Paz.

A audiência pública conjunta de três comissões (CE, CAS e CDH) contou ainda com a participação das especialistas francesas em neurociência e psiquiatria Bernadette Rogé, que abordou o tema Autismo e Neurociências, e Françoise Molenat, tratando do estresse na gravidez. Outro expositor foi o neurofísico brasileiro Alfred Sholl-Franco, também professor da UFRJ.

Conhecida por seu trabalho de divulgação científica, em programas de televisão e colunas em jornais, Suzana Herculano afirmou que hoje é consensual a ideia de que o desenvolvimento e a capacidade de aprendizagem se definem tanto pela herança genética quanto pelos estímulos e influências recebidas desde a infância nos diferentes círculos de socialização.

Como exemplo da força do ambiente na incorporação de modelos de comportamento, a neurocientista disse que crianças que sofrem maus tratos têm mais chance de se transformarem em adultos violentos.

— Eu me envergonho de um país que se insurge contra a iniciativa de regulação para o fim da palmada, onde se valoriza a ideia de que se ensina pela violência — criticou, referindo-se à reação de pessoas contrárias à Lei Menino Bernardo (Lei 13.010/2014), em vigor desde junho.

Suzana Herculano citou estudo, realizado na Austrália, que relaciona uma deficiência genética ao controle inadequado dos níveis de serotonina no cérebro, o que predispõe a comportamentos agressivos. Mesmo nesse caso, os dados mostraram que os desarranjos hormonais eram muito mais elevados nas pessoas que, além do problema genético, enfrentaram abusos e violência na infância.

— É importante dizer, portanto, que gentileza gera gentileza, o que poderá se refletir inclusive em mudanças nos circuitos neuronais — disse.

A neurociência estuda a anatomia e a fisiologia do cérebro e suas funções, o que inclui o comportamento e o pensamento, bem como os mecanismos de regulação orgânica e interação psicossocial. Entre as abordagens, estão os estudos sobre patologias e lesões anatômicas e suas consequências funcionais, como as deficiências mentais. Outro campo busca compreender a inteligência e o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem.

Estresse

Françoise Molenat, com formação em psiquiatria, abordou a importância da prevenção do estresse durante a gravidez e também na primeira fase da maternidade, quando são frequentes as mães enfrentarem depressão. Segundo ela, essa é uma questão decisiva para o bom desenvolvimento do ser, desde a vida uterina até sua futura adaptação social.

— O estresse é um fator positivo de adaptação social, mas se for em dose que ultrapasse a capacidade de regulação, irá produzir efeito neurológico negativo — salientou.

Na França, revelou a palestrante, foi adotado m 2005 programa de saúde que ampliou a assistência à mulher, desde a gravidez até a primeira infância da criança, com o objetivo de prevenir o estresse. A intenção é garantir uma condição de segurança emocional, a partir da identificação de situações que estejam causando inquietações e angústias, com suporte para a solução dos problemas. Atuam equipes com formação multidisciplinar.

O último palestrante, Alfred Sholl-Franco, destacou o avanço de novos paradigmas em educação, com o suporte de conhecimentos da neurociência. Conforme assinalou, trata-se da neuroeducação, no campo de interseção entre educação, mente e cérebro. Para que os avanços sejam incorporados ao ensino, ele apontou a formação dos professores como requisito indispensável.

 

Agência Senado

 

Notícias

Correio da Manhã – Transferência de atos gera economia e reduz ações

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026 Correio da Manhã – Transferência de atos gera economia e reduz ações Cartório em Números mostra o alívio da sobrecarga judicial A transferência de atos do Judiciário para os cartórios resultou em uma economia superior a R$ 600 milhões aos cofres públicos em...

Mulher pagará aluguel a ex-marido por uso exclusivo de imóvel

Mulher pagará aluguel a ex-marido por uso exclusivo de imóvel 02/02/2026 Bem adquirido durante união. A 9ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve parcialmente decisão da 8ª Vara Cível de São José dos Campos que determinou que mulher pague aluguel pelo uso exclusivo de...

Bens digitais no inventário, desafios jurídicos da sucessão patrimonial

Bens digitais no inventário, desafios jurídicos da sucessão patrimonial André Santa Cruz O artigo analisa os desafios da sucessão de bens digitais no Brasil, a insuficiência das regras tradicionais, a falta de regulamentação e a importância do planejamento sucessório. segunda-feira, 2 de fevereiro...

Autocuratela 2026: Como idosos podem planejar sua representação no cartório

Autocuratela 2026: Como idosos podem planejar sua representação no cartório   A autocuratela será uma das alternativas mais importantes para os idosos a partir de 2026. Saiba como planejar sua representação no cartório e garantir autonomia. Com a chegada da autocuratela prevista para 2025, os...