Homeschooling vai ser debatido em profundidade na CE

Ciclo de debates contará com seis audiências públicas para discutir o tema. Iniciativa foi do senador Flávio Arns
Edilson Rodrigues/Agência Senado

Homeschooling vai ser debatido em profundidade na CE

Da Agência Senado | 09/06/2022, 17h46

A Comissão de Educação (CE) decidiu nesta quinta-feira (9) realizar um ciclo de debates sobre o PL 1.338/2022, já aprovado na Câmara dos Deputados, que regulamenta o chamado homeschooling, ou seja, a oferta domiciliar da educação básica no Brasil.

O ciclo de debates é uma iniciativa de Flávio Arns (Podemos-PR), que está relatando o projeto na CE. Ele informa que já vem se reunindo com entidades da área da educação, além de famílias que praticam o homeschooling. Ele garante que o ciclo de debates será o mais amplo possível, ouvindo diversos setores, buscando uma regulamentação que traga segurança jurídica pras famílias que já adotam a prática.

— Já participei de cinco reuniões, duas delas muito proveitosas, com famílias e crianças de vários estados brasileiros. Inclusive, tive a oportunidade de visitar também uma família educadora e falar com os filhos. Meu objetivo é trazer pessoas que possam colaborar no debate, que serão as escolas municipais, estaduais, particulares, onde as crianças e adolescentes do homeschooling, inclusive, terão que estar matriculadas. Trazer também os Conselhos nacional, municipais e estaduais de educação, os ministérios... O objetivo é se aprofundar e fazer o que as famílias estão aguardando, que é segurança jurídica e o desejo de trilhar pela possibilidade da educação domiciliar — disse Arns.

Confúcio Moura (MDB-RO) elogiou o fato da CE realizar o ciclo, que permitirá que o projeto não seja aprovado às pressas.

— Estamos há poucos meses de uma eleição presidencial, e decisões polêmicas tomadas de afogadilho em campanhas eleitorais às vezes são perigosas. O Insper [Instituto de Ensino e Pesquisa] inclusive lançou na semana passada um livro sobre políticas públicas que empobreceram o Brasil. Na área da educação não se fala em homeschooling, fala-se em melhorar a qualidade da educação. A gente trabalha com um modelo de cópia das referências nacionais de municípios e estados que estão dando certo, pra gente copiar e implantar para todos. Uma educação para todos, não para um número limitado de pessoas. Quem for rico e não concordar com a escola pública brasileira nem com as escolas particulares, pode mandar para o exterior, para os EUA, França, Canadá — disse o senador.

Já Eliziane Gama (Cidadania-MA) entende que o Senado deve se debruçar sobre os desafios ligados à socialização na área da educação, que também proporciona um grande aprendizado aos alunos.

— No Brasil há vários programas, como o Bolsa Família e outros de transferência de renda, que vinculam o recebimento à criança estar na sala de aula. Há crianças que vão para a escola porque às vezes no ambiente familiar não têm sequer alimentação. Na escola você tem também a socialização, a possibilidade de conviver com o contraditório, pela diversidade que caracteriza a sociedade brasileira. E esse contato a criança tem na sala de aula com famílias diferentes, com espaços diferentes. Então a formação da tolerância acontece exatamente dentro deste ambiente — destacou Eliziane.

Ciclo de debates

O ciclo de debates contará com seis audiências públicas, cujas datas serão definidas pelo presidente da CE, Marcelo Castro (MDB-PI).

A primeira audiência debaterá o homeschooling e a relação com o direito à educação. Serão chamados representantes do Ministério da Educação, da Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned) e do Conselho Nacional de Educação (CNE). Também serão chamados a procuradora Catia Vergara, responsável por nota técnica do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) favorável à educação domiciliar; e Daniel Cara, da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo).

A segunda audiência terá como foco o impacto da regulamentação do homeschooling no ensino público. Para esta reunião, serão chamados representantes da ONG Todos pela Educação; da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime); do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed); e da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes). Também será convidado Rafael Vidal, fundador da Associação de Famílias Educadoras do Distrito Federal (Fameduc-DF).

Já na terceira audiência o foco será o impacto da regulamentação do homeschooling no ensino privado. Serão chamados representantes do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais de Educação (Foncede); da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee); e da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen). Também será convidada Vanessa Mota, presidente da Associação das Famílias Educadoras de São Paulo (Faedusp).

Já o quarto debate tratará das relações do homeschooling com o Plano Nacional de Educação (PNE) e a regulamentação da prática fora do Brasil. Para esta reunião, serão chamados representantes da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Findeduca) e da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped). Também será convidada a advogada Isadora Palanca, autora do livro Regulamentações do Ensino Domiciliar pelo Mundo.

A quinta reunião debaterá as relações do homeschooling com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a formação docente. Para o debate, serão chamados representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), da Associação Nacional de Política e Administração da Educação (Anpae) e do Centro de Estudos Educação e Sociedade (Cedes). Também serão chamados Vânia Carvalho e Silva, autora do livro O Homeschooling pede Passagem"; Jonatas Lima, fundador da Associação de Famílias Educadoras do Distrito Federal (Fameduc-DF) e da Associação Paranaense de Homeschooling (Aspahs); e Fausto Zamboni, autor do livro A Opção pelo Homeschooling.

Já o último debate tratará do impacto do homeschooling em políticas de combate à desigualdade social e à violência contra crianças. Serão chamados um representante do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e Silvia Cópio, representante do movimento em defesa do homeschooling em Portugal.

A pedido do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), Flávio Arns acrescentou dois outros convidados ao ciclo de debates, que serão encaixados nas audiências já previstas: Carlos Brito, diretor do GHEx (Global Home Educational Exchange) e Elisa Flemer, estudante graduada através do homeschooling e aprovada na USP em quinto lugar no curso de Engenharia Civil.

Fonte: Agência Senado

Notícias

Justiça concede usucapião de vagas de garagem em edifício de Goiânia

Justiça concede usucapião de vagas de garagem em edifício de Goiânia  Qua, 18 de Maio de 2011 09:30 A 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás manteve sentença do juiz Gilmar Luiz Coelho, da comarca de Goiânia, que concedeu a Mirian Muniz Campista o domínio e a propriedade de...

Montadora assume risco se não pagar perícia pedida em ação indenizatória

18/05/2011 - 11h01 DECISÃO Montadora assume risco se não pagar perícia pedida em ação indenizatória A Quarta Turma confirmou decisão da ministra Maria Isabel Gallotti contra a pretensão da Fiat Automóveis no sentido de trazer para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) o debate sobre inversão do...

Apresentar RG falso não é ato de autodefesa

Extraído de JusBrasil Apresentar RG falso não é ato de autodefesa Extraído de: Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo - 12 horas atrás O ato de falsificar a carteira de identidade não pode ser interpretado como uma forma de autodefesa. Foi o que entendeu a 1ª Câmara...

Pacotes de viagens

  Nas compras pela Web, vale direito de arrependimento O Artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor (CDC), garante Ferri Júnior, assegura ao consumidor o direito de reflexão nos casos de compra de um produto fora do estabelecimento comercial por meio dos correios, internet, telefone ou...

JT determina validade de assinatura digital em petição protocolada pela União

JT determina validade de assinatura digital em petição protocolada pela União Extraído de: Portal Nacional do Direito do Trabalho - 1 hora atrás A Turma Recursal de Juiz de Fora considerou válida a assinatura digital utilizada por advogado da União para assinar petição inicial em processo de...