Impostos embutidos

22/07/2010

No Brasil, pobre paga mais imposto do que rico, afirma Serra


Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil


Brasília - A carga tributária no Brasil prejudica os mais pobres, que acabam pagando mais por causa de impostos embutidos nas mercadorias. A afirmação foi feita pelo candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, em entrevista que vai ao ar na noite de hoje (22) no Programa 3 a 1, da TV Brasil. Segundo Serra, isso coloca o Brasil entre os piores no ranking mundial em termos de impostos.

“Pobre no país paga o dobro em impostos em relação ao rico. Isso proporcionalmente. Por exemplo, a manteiga e uma série de produtos da alimentação têm impostos embutidos”, disse Serra, na entrevista, que tem duração de cerca de uma hora. Participaram do programa os jornalistas Tereza Cruvinel, diretora-presidente da EBC; João Bosco Rabello, diretor da Sucursal de O Estado de S. Paulo em Brasília, e Luiz Carlos Azedo, colunista do Correio Braziliense.

Serra afirmou que é possível solucionar a desigualdade no pagamento de impostos embutidos por meio de uma legislação que não dependa de emendas à Constituição. Uma das alternativas que o candidato examina é a criação da “nota fiscal brasileira”, por meio da qual o consumidor terá de volta 30% do equivalente aos impostos pagos em uma determinada compra.

“[A carga tributária] poderia ser reduzida. Isso não precisa de Constituição. Não precisa onerar os investimentos”, disse Serra. “Vou criar a nota fiscal brasileira. O consumidor vai comprar no varejo e terá de volta 30% do imposto que o varejista pagou”, explicou o candidato, informando que o retorno pode ser por intermédio de crédito tributário ou em dinheiro. “Eu fiz isso em São Paulo [adoção da nota fiscal paulista], e diminuiu a sonegação.”

Desde ontem (21) a TV Brasil promove uma rodada de entrevistas com os três candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas eleitorais. A série foi aberta pela candidata do PT, cuja entrevista foi apresentada ontem. A de José Serra vai ao ar hoje e a de Marina Silva, do Partido Verde (PV), amanhã (23), conforme a ordem definida em sorteio.

Para Serra, a questão tributária no Brasil é urgente, mas o futuro governo deve “se antecipar” aos problemas e tentar solucionar os já existentes. Quanto à atual política econômica, o candidato tucano critica a falta de incentivos às exportações. De acordo com ele, o sistema vigente favorece as importações e acaba por prejudicar o que é produzido no país.

“Acho que a gente tem o dever de antecipar os problemas. Para continuar crescendo no futuro, é preciso ter mais investimentos. No Brasil está se importando demais e exportando de menos. Tem gente dentro do governo, em nível de ministério, que pensa como nós. Não é uma coisa isolada”, afirmou Serra.

Em seguida, o candidato acrescentou que: “É preciso fazer uma equipe homogênea. Hoje há diferenças [nas posições assumidas pelos responsáveis] entre o Banco Central e [os ministérios do] Planejamento e Fazenda. É preciso ter um time harmônico.”

  

Edição: Nádia Franco - Agência Brasil

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