OAB defende exclusividade policial na investigação de crimes

09/05/2012 19:12

OAB defende exclusividade policial na investigação de crimes

Para representante do Ministério Público, porém, a proposta que tira do MP a prerrogativa de investigação fere a Constituição e o estado democrático de direito, além de enfraquecer os inquéritos e aumentar a impunidade.

Gustavo Lima
Edson Alfredo Smaniotto (representante da OAB)
Smaniotto, da OAB, diz que investigação feita pelo MP oferece riscos à cidadania.

Em audiência na Câmara nesta quarta-feira para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 37/11), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defendeu a exclusividade policial na investigação criminal e criticou apurações conduzidas pelo Ministério Público.

De acordo com a PEC, só as polícias federal e civil têm competência para a investigação de crimes. Em caso de aprovação da proposta, o Ministério Público atuaria apenas como titular das ações penais e seria proibido de conduzir investigações.

Representante da OAB na audiência promovida pela comissão especial que analisa da proposta, Edson Smaniotto disse que hoje o Ministério Público investiga sem controle superior e com riscos à cidadania. “Essa atividade do Ministério Público não tem forma, não tem controle de nenhuma autoridade superior e, afinal de contas, não tem prazo nenhum para terminar”, ressaltou.

Segundo Smaniotto, o Ministério Público, sendo também autor da investigação criminal, acaba selecionando determinados casos, por repercussão na mídia ou por interesses que ele elege por si só. “Ele exercita um critério seletivo e investiga o quer, sem que o investigado tome conhecimento dessa investigação e sem que o advogado tenha acesso a essas provas, o que pode exercer um constrangimento ilegal por um prazo indefinido”, apontou.

Atualmente, prosseguiu Smaniotto, os advogados podem tentar paralisar uma investigação policial abusiva por meio de habeas corpus, por exemplo. Esse e outros instrumentos jurídicos não podem ser usados no caso de uma investigação criminal do Ministério Público. A OAB, explicou, defende um papel auxiliar do MP nos inquéritos comandados pela polícia, “sem disputas nem fogueira de vaidades” entre as instituições.

Gustavo Lima
Antônio José Campos Moreira (representante do Conselho Nacional dos Procuradores Gerais-CNPG)
Antonio Moreira, ressaltou que a investigação feita pelo MP não é sigilosa.

Maior impunidade
Já o Ministério Público avalia que a PEC fere a Constituição e o estado democrático de direito, além de enfraquecer os inquéritos e aumentar a impunidade. O integrante do Conselho Nacional dos Procuradores Gerais, Antônio Moreira, se disse surpreso com a posição da OAB. “O procedimento investigatório instaurado no âmbito do Ministério Público, sempre em caráter supletivo, ou seja, só naqueles casos em que a polícia não realiza a contento a sua tarefa de elucidar os crimes, tem controle feito não só internamente pelos órgãos superiores do Ministério, mas pelo próprio Poder Judiciário, mediante provocação dos investigados. Esse procedimento não é sigiloso”, argumentou.

Moreira ressaltou que as investigações são disciplinadas por uma resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (Resolução 13 do CNMP) e uma súmula vinculante (14) do Supremo Tribunal Federal, que garantem pleno acesso e publicidade das provas aos acusados e aos advogados.

Adiamento
O relator da PEC, deputado Fábio Trad (PMDB-MS), adiou de 16 de maio para meados de junho a apresentação de seu parecer, diante da necessidade de realização de novas audiências públicas e da análise de legislações estrangeiras sobre o tema.

"Vamos prorrogar o prazo para, sem açodamento, oferecer um relatório constitucional e que atenda às expectativas daqueles que querem combater a impunidade”, afirmou. Segundo Trad, há argumentos consistentes dos dois lados. Em sua avaliação, a proposta é constitucional e, inclusive, já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça.

A comissão especial aprovou hoje mais três requerimentos de realização de debates na Câmara, nas quais serão ouvidos representantes da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), da Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF), além do delegado Alexandre Marques, que comandou a Operação Vegas da Polícia Federal, e o advogado constitucionalista Wladimir Sérgio Reale.

Os deputados Vieira da Cunha (PDT-RS) e Alessandro Molon (PT-RJ) sugeriram ainda que a comissão busque experiências internacionais sobre investigação criminal, a fim de servir de base para os parlamentares na análise da proposta.

 

Reportagem – José Carlos Oliveira/Rádio Câmara
Edição – Maria Clarice Dias - Foto: Gustavo Lima

Agência Câmara de Notícias

 

Notícias

Imunidade profissional não é absoluta

03/03/2011 - 14h08 DECISÃO Advogado é condenado por calúnia e difamação contra colega Em mais um julgamento sobre excessos verbais cometidos por advogado no curso do processo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou seu entendimento de que a imunidade profissional prevista na Constituição...

Cirurgia essencial à sobrevida de segurado

03/03/2011 - 12h29 DECISÃO Unimed deve pagar despesas com cirurgia bariátrica de segurada com obesidade mórbida A gastroplastia (cirurgia bariátrica), indicada como tratamento para obesidade mórbida, longe de ser um procedimento estético ou mero tratamento emagrecedor, revela-se cirurgia...

Aparelho de TV e máquina de lavar são impenhoráveis

03/03/2011 - 08h09 DECISÃO Aparelho de TV e máquina de lavar são impenhoráveis Aparelho de televisão e máquina de lavar, bens usualmente encontrados em uma residência, não podem ser penhorados para saldar dívidas. A decisão é da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento...

Disposição normativa inconstitucional

Terça-feira, 01 de março de 2011 Fixação de valor do salário mínimo por decreto é questionada no STF A possibilidade de o Poder Executivo reajustar e aumentar o salário mínimo por meio de decreto, prevista no artigo 3º da Lei nº 12.382/2011*, foi questionada por meio da Ação Direta da...

NFe do Brasil: solução gratuita para emitir NFe

Extraído de Revista INCorporativa NFe do Brasil: solução gratuita para emitir NFe A ferramenta é direcionada a companhias nacionais que já utilizam o sistema grátis da Secretaria da Fazenda 01/03/2011 - Camila Freitas A NFe do Brasil, empresa especializada em inteligência fiscal eletrônica,...

Ressarcimento de gastos médicos

Unimed não pode rescindir contrato unilateralmente (01.03.11) A 5ª Câmara de Direito Civil do TJ de Santa Catarina confirmou parcialmente sentença da comarca de Itajaí e condenou a Unimed Litoral ao ressarcimento de gastos médicos efetuados por uma conveniada que não fora informada sobre a rescisão...