Pessimismo na conclusão de obras em aeroportos até a Copa

04/07/2012 - 18h59 Comissões - Aviação Civil - Atualizado em 04/07/2012 - 20h39

Técnico do Ipea vê com pessimismo conclusão de obras em aeroportos até a Copa

Paola Lima

A possibilidade de os terminais de passageiros dos principais aeroportos do país não ficarem prontos a tempo da Copa do Mundo de 2014 foi tratada nesta quarta-feira (4) pela Subcomissão Temporária Sobre a Aviação Civil. A preocupação foi levada ao Senado pelo coordenador de Infraestrutura Econômica da Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carlos Campos, um dos convidados da audiência pública que debateu a visão dos órgãos controladores e de pesquisa do governo federal quanto à aviação civil nacional.

- No atual estágio dos terminais de passageiros e considerando os prazos médios de obras de infraestrutura no Brasil, existe uma reduzida possibilidade de no início do Copa tudo estar pronto – alertou Carlos Campos, defendendo que é preciso trabalhar com um plano “B”, como a construção de terminais temporários, que não podem, no entanto, virar permanentes.

Segundo o técnico do Ipea, dos 20 maiores aeroportos do Brasil, 14 operam acima de 100% da capacidade. Dentre eles, cinco – Galeão (Rio de Janeiro), Confins (Belo Horizonte) e os de Recife, Curitiba e Fortaleza – atuam no limite de sua eficiência operacional.

A solução, na avaliação do coordenador do Ipea, é investir no setor. Dados do instituto apontam que, nos últimos anos, a Infraero investiu em infraestrutura aeroportuária menos de 50% dos recursos orçamentários disponíveis. Mas mesmo que todo o orçamento fosse investido, ainda assim teriam sido insuficientes para adequar o setor à sua crescente demanda.

Carlos Campos alertou também para a demora nos processos de transferência da infraestrutura dos aeroportos para a iniciativa privada. Dos 13 aeroportos das 12 cidades sedes dos jogos da Copa do Mundo, apenas dois têm situação confortável – o de Recife, onde será apenas construída uma torre de controle, e o de Natal, que já foi privatizado. Dos 11 restantes, apenas três tiveram o processo de concessão concluído (Brasília, Garulhos e Viracopos) e quatro ainda estão com concessão em fase de projeto.

Legislação atualizada

Outro ponto levantado na audiência pública desta quarta-feira foi a necessidade de atualização do Código Brasileiro de Aeronáutica. Desde que o Código foi editado, em 1986, várias outras leis importantes foram criadas, com influência direta no setor aeroportuário, deixando-o em desconformidade com a legislação atual brasileira. O problema foi levantado pelo assessor executivo do Ministério da Fazenda, Fernando Antônio Soares, um dos palestrantes da audiência pública da Cistac. Soares citou como exemplo a Lei de Licitações, de 1993, e o Código de Defesa do Consumidor, de 1990.

A atualização do marco legal precisa tratar também do aumento da participação do capital estrangeiro no setor aéreo. No entendimento do assessor do Ministério da Fazenda, investimentos internacionais ajudariam a aumentar a concorrência do mercado de aviação civil e a desenvolver a aviação regional, um dos pontos cruciais para melhorar a qualidade do serviço de aviação no país e contribuir com seu desenvolvimento regional.

Preocupação com recursos

Já o auditor de Controle Externo da Secretaria de Fiscalização de Desestatização do Tribunal de Contas da União, Carlos Cesar Modena, destacou a atuação do órgão junto à Agência Nacional de Aviação e à Infraero. Modena explicou que cabe ao tribunal fiscalizar apenas a agência reguladora e as formas de concessão, mas não as obras em andamento nos aeroportos.

Segundo ele, na intenção de um planejamento mais abrangente e consistente no processo de concessões, o TCU tem se dedicado a acompanhar com cuidado a elaboração do Plano Nacional de Outorgas da Aviação Civil, sob responsabilidade da Anac.

O TCU também está atento ao Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), criado em 2011 para reunir recursos para o sistema. A preocupação do tribunal, esclareceu o auditor, é com a aplicação dos recursos arrecadados pelo fundo, que devem ser revertidos em investimentos em todo o sistema e não apenas nos aeroportos que contribuirão com a maior parte da verba. Para 2012, estão previstos recursos no montante de R$ 1,2 bilhão. Em 2013, já com as outorgas em andamento, a expectativa é de que o FNAC reúna mais que o dobro, com cerca de R$ 2,6 bilhões.

Preço de combustíveis

Para o presidente da subcomissão, senador Vicentinho Alves (PR-TO), a audiência pública trouxe importantes contribuições para o relatório a ser elaborado pelos senadores no início de agosto. Criada no âmbito da Comissão de Serviços de Infra-Estrutura (CI), a Subcomissão Temporária Sobre a Aviação Civil tem o objetivo de elaborar um documento que será encaminhado à presidente da República, Dilma Rousseff, com propostas de políticas públicas e ações para o setor.

O relator da subcomissão é o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). O relatório final será concluído após a última audiência pública, prevista para o dia 27 de julho, no Rio Grande do Sul.

Na próxima quarta-feira (11), a subcomissão volta a se reunir para debater o impacto dos preços dos combustíveis sobre atividade aérea. Entre os convidados confirmados estão o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antonio Martins Almeida; o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), José Márcio Monsão Mollo, e do presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz.

 

Agência Senado

 

Notícias

Casal gay ganha guarda provisória de criança

Extraído de JusBrasil Casal gay ganha guarda de menino no RGS Extraído de: Associação do Ministério Público de Minas Gerais - 1 hora atrás Uma ação do Ministério Público de Pelotas, que propõe a adoção de um menino de quatro anos por um casal gay, foi acolhida ontem pela juíza substituta da Vara...

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato A primeira atualização da Lei do Inquilinato (8.245/91) acabou de completar um ano com grande saldo positivo, evidenciado principalmente pela notável queda nas ações judiciais por falta de pagamento do aluguel. (Outro efeito esperado era a redução...

Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente

24/02/2011 - 08h08 DECISÃO Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente É indevida a indenização decorrente do seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, o DPVAT, se o acidente ocorreu sem o envolvimento direto do veículo. A decisão é da...

Função delegada

  Vistoria veicular por entidade privada não é ilegal Por Paulo Euclides Marques   A vistoria de veículos terrestres é atividade regulada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em atendimento ao disposto nos artigos 22, inciso III, e artigos 130 e 131 do Código de Trânsito...

Compreensão do processo

  Relações de trabalho exigem cuidado com contrato Por Rafael Cenamo Juqueira     O mercado de trabalho passou por determinadas alterações conceituais nos últimos anos, as quais exigiram do trabalhador uma grande mudança de pensamento e comportamento, notadamente quanto ao modo de...

Portal da Transparência

CNJ lança Portal da Transparência do Judiciário na internet Quinta, 20 de Janeiro de 2011     Informações sobre receitas e despesas do Poder Judiciário federal estão disponíveis no Portal da Transparência da Justiça (https://www.portaltransparencia.jus.br/despesas/), criado pelo Conselho...