Pontos polêmicos

11/07/2013 - 13h44

Governo veta diagnóstico exclusivo em Ato Médico

Foram vetados os pontos mais polêmicos do texto, que motivaram protestos de diversas categorias da saúde, como fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos.

Arquivo/ Gustavo Lima
Edinho Bez
Edinho Bez afirma que todas as categorias da saúde participaram da discussão do projeto.

A lei que regulamenta o exercício da medicina, chamada de Ato Médico (12.842/13), foi sancionada nesta quinta-feira (11) com vetos pela presidente Dilma Rousseff. O ponto mais polêmico da proposta foi vetado e atribuía exclusivamente aos médicos o diagnóstico de doenças e a prescrição de tratamentos. Também foi vetada a parte da proposta que incluía os procedimentos invasivos entre os privativos de médicos.

O relator da proposta na Câmara, deputado Edinho Bez (PMDB-SC), que negociou o texto aprovado, admitiu que houve muita pressão para o veto, mas lembrou que todas as 14 profissões da área da saúde participaram da discussão da proposta em 2009 e concordaram com as mudanças feitas por ele para preservar os diagnósticos e tratamentos específicos de cada profissão.

No caso da acupuntura, principal razão dada pelo governo para vetar os procedimentos invasivos de pele, o relator lembrou que há um projeto só sobre o assunto (PL 1549/03), que regulamenta o exercício da profissão, e ficou o entendimento na Câmara de que o Ato Médico não tratava dessa questão. “Na época ficou combinado que levaríamos adiante as duas propostas, mas nunca mais fui procurado para isso”, revela.

Pressão
Muitas categorias profissionais pediram os vetos, principalmente fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos. A presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Maria do Socorro de Souza, que representa os usuários do SUS, chegou a pedir pessoalmente o veto à presidente da República, durante o lançamento do programa Mais Médicos na terça-feira (9), e foi seguida por um coro de “Veta, Dilma” durante a cerimônia.

Arquivo - Brizza Cavalcante
Gorete Pereira
Gorete Pereira: "Médicos querem criar uma hierarquização exagerada."

A deputada Gorete Pereira (PR-CE), que é fisioterapeuta e foi uma das principais opositoras da proposta, disse que havia um compromisso do governo de vetar as partes que outras profissões de saúde entendessem equivocadas. “O que os médicos querem é criar uma hierarquização exagerada que não existe, e as outras profissões precisam ser respeitadas”, disse.

Já o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), que é médico, disse que restou aos médicos a exclusividade sobre os atestados de óbito. “Se retira a prescrição, o diagnóstico anatomo-patológico, os exames endoscópicos, não é justo que na complicação do paciente, aí o médico seja chamado para assumir e assinar o atestado de óbito”, afirmou.

Chefias
Outro ponto vetado foi o que previa exclusividade dos médicos para a direção e a chefia de serviços médicos. Na visão do governo, ao não definir o que seriam esses serviços, a lei poderia gerar uma interpretação mais ampla, incluindo todos os serviços de saúde. Durante a discussão na Câmara, o termo “serviço médico” foi colocado exatamente para evitar essa dúvida.

O presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto d’Ávila, frisou que o ponto principal da proposta era o diagnóstico. Para a entidade, apenas os médicos estão aptos a diagnosticarem doenças, e isso não representa uma reserva de mercado. “O que está havendo é um problema de interpretação da lei”, disse.

Prescrição médica
Também foi vetada a parte que condicionava à prescrição médica alguns procedimentos, entre eles injeções e punções, e a indicação do uso de órteses e próteses, inclusive oftalmológicas, como lentes e óculos.

 

Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Daniella Cronemberger - Foto em destaque: Brizza Cavalcante

Agência Câmara Notícias
 
 

 

Notícias

É possível converter contrato de namoro em união estável?

É possível converter contrato de namoro em união estável? Rudyard Rios Contrato de namoro cresce, mas é raro no Brasil. sexta-feira, 30 de outubro de 2026 Atualizado em 29 de outubro de 2026 17:53 O crescimento do uso do chamado “contrato de namoro” no Brasil revela uma tentativa contemporânea de...

Imunidade de ITBI reduz custos e dá previsibilidade ao setor imobiliário

Menos imposto, mais negócio Imunidade de ITBI reduz custos e dá previsibilidade ao setor imobiliário Karla Gamba 28 de outubro de 2026, 14h05 Prefeituras exigiam o tributo quando a empresa destinatária dos imóveis tinha como atividade predominante a compra e venda, a locação ou o arrendamento de...

Compra e Venda pelo Espólio: leia o artigo completo

Compra e Venda pelo Espólio: leia o artigo completo Vanessa Silva, 4 horas ago  0  17 min read  85 Compra e venda outorgada pelo espólio: nomeação extrajudicial de inventariante como ponte para a escritura definitiva *Letícia Franco Maculan Assumpção **Paulo Hermano Soares Ribeiro "O...

Fraude à execução não afasta impenhorabilidade de imóvel familiar

Doação entre parentes Fraude à execução não afasta impenhorabilidade de imóvel familiar Danilo Vital 23 de outubro de 2026, 14h13 O juízo estadual concluiu que houve fraude à execução e determinou o retorno do bem ao patrimônio do devedor. Apesar disso, reconheceu a impenhorabilidade do bem de...

Doação inoficiosa e doações sucessivas: O patrimônio de referência

Doação inoficiosa e doações sucessivas: O patrimônio de referência Mário Luiz Delgado A aferição do excesso em liberalidades sucessivas envolve critérios que conciliem a autonomia do doador com a proteção dos herdeiros necessários. sexta-feira, 23 de outubro de 2026 Atualizado às 15:35 O CC (art....