Realização da Copa reacende debate sobre regulamentação da prostituição

30/01/2013 - 14h58

Realização da Copa reacende debate sobre regulamentação da prostituição

 
Dep. Jean Wyllys (PSOL-RJ)
Jean Wyllys: Brasil deveria fazer como a Alemanha, que regulamentou a prostituição, no Mundial de 2006.

A realização da Copa das Confederações (2013) e do Mundo (2014) no Brasil reacende o debate sobre o papel dos profissionais do sexo. A demanda pelo serviço tende a aumentar e, na avaliação de deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), o Brasil deveria seguir o exemplo de países como a Alemanha, que, no Mundial de 2006, já contava com uma legislação regulamentando a atividade.

Jean Wyllys é autor de uma proposta nesse sentido (PL 4211/12), atualmente sob análise da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

Pelo projeto, o profissional do sexo é toda pessoa maior de 18 anos que voluntariamente presta serviços sexuais mediante remuneração, de maneira autônoma ou em cooperativas. Segundo a proposta, prostitutas e outros profissionais do ramo terão direito à aposentadoria especial aos 25 anos de contribuição.

Exploração sexual
O texto distingue, ainda, prostituição de exploração sexual, esta última identificada como a apropriação total ou maior que 50% do rendimento advindo da prostituição de um terceiro; o não pagamento pelo serviço sexual contratado; ou a imposição da prática da prostituição a alguém a partir de ameaça ou violência.

A manutenção de casas de prostituição deixa de ser crime, desde que nela não se exerça qualquer tipo de exploração sexual. A exploração sexual, aliás, continua sendo crime, punível com detenção de dois a cinco anos, além de multa.

Garantia de direitos
A prostituição está entre as ocupações previstas pelo Ministério do Trabalho na Classificação Brasileira de Ocupação. Mas a medida, na avaliação do deputado Jean Wyllys, é insuficiente para garantir os direitos desses profissionais.

Ele considera que, com a aprovação da proposta, esses profissionais poderiam ter direitos como "garantia jurídica, chance de poder reclamar quando lesada, aposentadoria especial após 25 anos ininterruptos de contribuição, a possibilidade de se organizar em cooperativa, ou seja, diminuir o estigma e a marginalização”.

Arquivo/ Beto Oliveira
Anthony Garotinho
Garotinho: projeto é uma falta de respeito com a sociedade. "As pessoas vão sair com carterinha de prostituta?"

O parlamentar também diz que a regulamentação poderia possibilitar que os profissionais do sexo se livrem “de redes de tráfico de pessoas e de proxenetas, que hoje exploram prostituição justamente porque as casas de prostituição operam na ilegalidade e graças à corrupção de agentes de segurança pública que recebem propina para isso."

De acordo com Jean Wyllys, a regulamentação da prostituição é uma demanda dos próprios movimentos sociais que representam o segmento.

Deputado é contrário
Outras propostas nesse sentido já chegaram a tramitar na Câmara, mas não foram para frente. A polêmica é grande. O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), por exemplo, é contra a regulamentação. "Prostitutas devem ser respeitadas. Agora, não precisa de lei. A partir do momento que existe lei, elas vão se associar, as pessoas vão sair com carteirinha de prostituta?”

Arquivo/Leonardo Prado

João Campos

Projeto de João Campos torna crime a prática de prostituição.

Na avaliação do deputado carioca, a proposta “é uma tolice; esse projeto é uma falta de respeito com a própria sociedade”. Ele diz que “o Brasil já tem a fama de usar imagem de um país sensual para que o turismo sexual venha para o País. Uma atitude como essa só vai reforçar isso."

Prática criminosa
Na Câmara, há desde o projeto do deputado Jean Wyllys, que regulamenta a atividade dos profissionais do sexo, como projeto que torna crime a prática, a exemplo de uma proposta do deputado João Campos (PSDB-GO) (PL 377/11).

 

Reportagem – Regina Cunha/Rádio Câmara
Edição – Newton Araújo                    

Foto/Fonte: Agência Câmara Notícias

 

Notícias

Ressarcimento de gastos médicos

Unimed não pode rescindir contrato unilateralmente (01.03.11) A 5ª Câmara de Direito Civil do TJ de Santa Catarina confirmou parcialmente sentença da comarca de Itajaí e condenou a Unimed Litoral ao ressarcimento de gastos médicos efetuados por uma conveniada que não fora informada sobre a rescisão...

Direito de ter acesso aos autos

Segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 Indiciado em ação penal há quase 10 meses reclama direito de acesso aos autos Denunciado perante a 2ª Vara Federal de Governador Valadares (MG) por supostamente integrar uma quadrilha acusada de desvio de verbas destinadas a obras municipais – como construção...

Autorização excepcional

28/02/2011 - 14h14 DECISÃO Avô que vive com a filha e o neto consegue a guarda da criança A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu ao avô de uma criança, todos moradores de Rondônia, a guarda consensual do menor, por entender que se trata de uma autorização excepcional. O...

A prova da morte e a certidão de óbito

A PROVA DA MORTE E A CERTIDÃO DE ÓBITO José Hildor Leal Categoria: Notarial Postado em 18/02/2011 10:42:17 Lendo a crônica "Um mundo de papel", do inigualável Rubem Braga, na qual o autor critica com singular sarcasmo a burocracia nas repartições públicas, relatando acerca de um suplente de...

Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança

Extraído de AnoregBR Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança Seg, 28 de Fevereiro de 2011 08:54 O objetivo era extinguir uma reclamação trabalhista com o mandado de segurança, mas, depois dos resultados negativos nas instâncias anteriores, as empregadoras também tiveram seu...

O mercado ilegal de produtos

27/02/2011 - 10h00 ESPECIAL Decisões judiciais imprimem mais rigor contra a pirataria “Receita continua a fiscalizar comércio irregular em São Paulo.” “Polícia estoura estúdio de pirataria e apreende 40 mil CDs e DVDS.” “Quadrilha tenta pagar propina de R$ 30 mil e é desarticulada.” Todas essas...