Relator volta a defender família como a união entre um homem e uma mulher

08/09/2015 - 17h15

Relator volta a defender família como a união entre um homem e uma mulher

Em bate-papo sobre o Estatuto da Família, o deputado Diego Garcia, que é católico praticante, minimizou a influência religiosa sobre o seu parecer: “Minha posição não é pessoal; está baseada na Constituição”

O relator do projeto de lei (PL 6583/13) que cria o Estatuto da Família, deputado Diego Garcia (PHS-PR), disse nesta terça-feira (8) que o principal objetivo do substitutivo proposto por ele é fortalecer o entendimento de que a base da sociedade é a entidade familiar formada apenas pela união de um homem e uma mulher.

“A Constituição Federal fala em família como a base da sociedade, no capítulo que trata da ordem social, conferindo a ela proteção especial do Estado”, ressaltou Garcia, durante sua participação em videochat promovido pela TV Câmara, em parceria com a Coordenação de Participação Popular (CPP) da Câmara dos Deputados.

Luis Macedo / Câmara dos Deputados
Videochat com o relator do projeto do Estatuto da Família (PL 6583/13), dep. Diego Garcia (PHS-PR)
Diego Garcia: estatuto pretende delimitar a base familiar e não retirar direitos dos demais arranjos ou agrupamentos humanos possíveis
 

relatório final de Garcia apresentado àcomissão especial responsável pelo tema mantém a previsão constitucional de que, para efeito da proteção do Estado, é reconhecida como família apenas “a união de um homem e de uma mulher, por meio de casamento ou de união estável, e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus filhos". Ainda não há data definida para a votação da proposta.

Em resposta a dúvidas e questionamentos de cidadãos, que participaram do debate via telefone e internet, o relator explicou, por exemplo, que o texto original do projeto falava em ‘definir’ família, mas ele preferiu substituir ‘definir’ por ‘reconhecer’. “Porque, no meu entendimento, não tem como definir família”, afirmou Garcia, reforçando a tese de que o estatuto pretende delimitar a base familiar e não retirar direitos dos demais arranjos ou agrupamentos humanos possíveis.

Influência religiosa
Durante o videochat, internautas indagaram Garcia se o conceito de família previsto no substitutivo decorre de alguma influência da Renovação Carismática Cristã (RCC) – braço da igreja Católica do qual o deputado faz parte. 
“Tenho recebido muitas dessas perguntas. Não sou evangélico, sou católico. Faço parte da RCC há 14 anos, mas a minha posição [em relação ao projeto] não é pessoal. Está baseada na Constituição”, respondeu.

O internauta Alfredo também quis saber do relator sobre o possível uso de argumentos bíblicos para embasar leis aplicáveis a uma população diversificada e plurirreligiosa. “É injusto, principalmente se levarmos em conta que há versículos na Bíblia contraditórios e passíveis de diferentes interpretações”, argumentou Alfredo.

Em reposta, o deputado declarou que, apesar de ser religioso, em nenhum momento fez discussão bíblica. “Meu parecer já está disponível. Se você encontrar alguma citação bíblica, pode mandar um e-mail que vou rever o parecer e meu voto”, comprometeu-se Garcia.

Uniões homoafetivas
Já a internauta Ana Maria Albuquerque perguntou a Garcia como é possível um projeto de lei desconsiderar a realidade atual das uniões homoafetivas, que são reconhecidas pela Justiça, aceitas pela psicologia e cada vez mais comuns no Brasil.

Na avaliação do relator, a ideia do projeto é assegurar em lei proteção especial para a entidade familiar seguindo o conceito de família previsto na Constituição. “A discussão está em torno de um projeto de lei e não de uma PEC [Proposta de Emenda à Constituição], por isso não temos como incluir outros agrupamentos familiares”, explicou o relator.

“Parceria vital”
Por sua vez, o internauta Carlos Tekza comentou a parte do relatório que prevê a criação da chamada "parceria vital", em outro projeto de lei, a fim de atender a outros tipos de união entre pessoas, sem conexão com a procriação ou a criação da família. “O senhor defende a criação da ‘parceria vital’ para definir outros tipos de união, como entre irmãos, primos ou amigos, que teriam direito a herança e outras coisas. Mas não há nada sobre isso no substitutivo apresentado. Qual a garantia que isso será previsto?”, indagou.

Conforme o relator, a ideia da parceria vital serviria para resolver casos de relacionamentos entre primos, amigos, ou outros tipos de união em que não há relação sexual envolvida, mas há dependência mútua e vínculo entre as pessoas. “A respeito dos vínculos de solidariedade, deveremos ter outros projetos de lei específicos sobre esse assunto”, comentou Garcia, ao justificar a ausência da parceria vital no texto do estatuto da família.

Afeto
Por fim, o internauta José Oliveira questionou a razão pela qual o relator desconsiderou a afetividade como critério para incluir na base familiar os casais homoafetivos. De acordo com Garcia, o afeto não pode ser considerado porque, em um momento ou outro, pode acabar. “Eu sou casado e tenho uma filha. Mas isso pode deixar de existir. Afeto não pode ser considerado para avaliar esses novos arranjos familiares”, finalizou o deputado, que considera "usurpação" o fato de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter, em 2011, reconhecido a união estável para casais do mesmo sexo
.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Marcelo Oliveira
Origem da Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara Notícias

 

Notícias

Ressarcimento de gastos médicos

Unimed não pode rescindir contrato unilateralmente (01.03.11) A 5ª Câmara de Direito Civil do TJ de Santa Catarina confirmou parcialmente sentença da comarca de Itajaí e condenou a Unimed Litoral ao ressarcimento de gastos médicos efetuados por uma conveniada que não fora informada sobre a rescisão...

Direito de ter acesso aos autos

Segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011 Indiciado em ação penal há quase 10 meses reclama direito de acesso aos autos Denunciado perante a 2ª Vara Federal de Governador Valadares (MG) por supostamente integrar uma quadrilha acusada de desvio de verbas destinadas a obras municipais – como construção...

Autorização excepcional

28/02/2011 - 14h14 DECISÃO Avô que vive com a filha e o neto consegue a guarda da criança A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu ao avô de uma criança, todos moradores de Rondônia, a guarda consensual do menor, por entender que se trata de uma autorização excepcional. O...

A prova da morte e a certidão de óbito

A PROVA DA MORTE E A CERTIDÃO DE ÓBITO José Hildor Leal Categoria: Notarial Postado em 18/02/2011 10:42:17 Lendo a crônica "Um mundo de papel", do inigualável Rubem Braga, na qual o autor critica com singular sarcasmo a burocracia nas repartições públicas, relatando acerca de um suplente de...

Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança

Extraído de AnoregBR Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança Seg, 28 de Fevereiro de 2011 08:54 O objetivo era extinguir uma reclamação trabalhista com o mandado de segurança, mas, depois dos resultados negativos nas instâncias anteriores, as empregadoras também tiveram seu...

O mercado ilegal de produtos

27/02/2011 - 10h00 ESPECIAL Decisões judiciais imprimem mais rigor contra a pirataria “Receita continua a fiscalizar comércio irregular em São Paulo.” “Polícia estoura estúdio de pirataria e apreende 40 mil CDs e DVDS.” “Quadrilha tenta pagar propina de R$ 30 mil e é desarticulada.” Todas essas...