Unifesp participa de levantamento sobre tendências e riscos de novas drogas

No Brasil, a Universidade Federal de São Paulo coordena o estudo que tem foco na entrada de novas drogas no mercado, bem como o impacto sobre o consumo mundial da maconha após mudanças de seu status legal  Arquivo/Agência Brasil

Unifesp participa de levantamento sobre tendências e riscos de novas drogas

09/12/2016 09h15  São Paulo
Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil


O maior levantamento online sobre drogas do mundo, o Global Drugs Survey (GDS) 2016/2017, começou a ser produzido em 20 países. No Brasil, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) coordena o estudo que tem foco na entrada de novas drogas no mercado, padrões de uso, preços e nível de acesso, bem como o impacto sobre o consumo mundial da maconha após mudanças de seu status legal. O GDS é uma ferramenta importante para compreensão do problema do consumo de drogas e do narcotráfico. Para se ter uma ideia, durante a primeira década do milênio, o narcotráfico faturou, em média, 900 bilhões de dólares ao ano, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc).

“Esse levantamento tem um poder muito grande de detectar fenômenos recentes, como acontece de ano em ano, mostra as tendências como nenhum outro, pois é exatamente a mesma metodologia em 20 países”, destaca a psicóloga da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD/Unifesp), Clarice Sandi Madruga, organizadora do levantamento no Brasil. O GDS é feito desde o ano 2000 sob a coordenação do psiquiatra Adam Winstock, consultor sobre vícios do Maudsley Hospital (Londres) e professor honorário do Kings College London, e por uma equipe de especialistas em 20 países.

De acordo com a pesquisadora, os dados revelam a aparição de novas drogas no mercado. “O levantamento já tinha apontado a cannabis sintética no mercado e assim ficou sendo a principal fonte do desenvolvimento das novas legislações que proibiram seu uso”. Clarice disse que os dados do GDS 2014/2015 mostraram que um em cada quatro usuários precisaram de emergência no uso da metafetamina. “[O estudo] Mostrou isso bem solidamente: o quão perigoso estava sendo aquela droga que era vendida legalmente como legal highs [barato legal] em muitos estados americanos e na Europa”.

O último GDS [2014/2015] mostrou que o Brasil é o segundo país no qual os usuários mais consomem álcool de forma abusiva – 27,5% dos participantes alegaram ter ficado extremamente embriagados pelo menos uma vez ao mês. O Brasil está atrás apenas da Irlanda, com 29%. “E no aspecto quantidade de busca por emergência em função do consumo exagerado de álcool, o Brasil também só perdeu para a Irlanda”, aponta Clarice. Um em cada 30 participantes procurou serviços de emergência após beber. “O levantamento também revelou que o preço da cocaína no Brasil é a mais barata do mundo e a mais forte, isto é um dado assustador”, avalia a pesquisadora.

Para o GDS 2015/2016 não houve número suficiente de coletas – é preciso o mínimo de 5 mil questionários respondidos. A pesquisadora enfatiza que, como é um levantamento feito pela internet, não é representativo da população. “É como se fosse uma lupa nos grupos de risco. As prevalências de uso são todas muito mais altas, e geralmente quem responde o levantamento pela internet são os jovens que já são por natureza um grupo de risco”.

Por isso, ela chama a população brasileira para participar da pesquisa. “Precisamos de 5 mil participantes para podermos comparar com outros países e ter uma participação importante nesse levantamento”, esclarece. “Qualquer pessoa com mais de 16 anos pode participar, não precisa ser usuário de drogas, pois o levantamento também aborda café, energético, todos podem responder, inclusive alguém que é abstêmio”, acrescentou a responsável pela pesquisa no Brasil.

Informações são obtidas online e de forma sigilosa

Todos os indivíduos com 16 anos ou mais podem responder ao inquérito, independente de serem usuários de qualquer droga. O questionário em português ficará disponível no link  até o dia 31 de janeiro de 2017.

Resultados

Clarice ressalta que os resultados auxiliam o planejamento de ações governamentais voltadas à saúde. Os dados da Global Drug Survey de 2015, por exemplo, propiciaram a formação de políticas públicas no Reino Unido e em outros países europeus. O estudo também detectou pela primeira vez o uso da maconha sintética no Brasil, identificando os riscos associados a essa substância, que coloca um a cada oito usuários em serviços de emergência por complicações relacionadas ao uso. A coleta anterior contou com a participação de 107.624 participantes de diferentes nacionalidades.

Edição: Valéria Aguiar
Agência Brasil

 

 

 

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