Advogados empreendedores são profissionais para grandes escritórios

19 de outubro de 2011

Por Charles Nisz

Não basta ter conhecimentos técnicos sobre a jurisprudência. Hoje, o advogado precisa ter conhecimentos de administração, finanças, gestão de equipes e habilidades de comunicação. Esse foi o tomo do painel “O perfil do advogado empreendedor e seus novos papéis”, ocorrido na tarde desta terça-feira (18/10), durante a Fenalaw, maior evento do setor jurídico na América Latina. A 8ª Edição da feira acontece entre os dias 18 e 20 de outubro, no Centro de Exposições Frei Caneca, em São Paulo.

Para José Eduardo Haddad, diretor-presidente do Sinsa (Sindicato das Sociedades de Advogados de SP e do RJ), “antes, o advogado era procurado pelo cliente no escritório e hoje ele é um empreendedor”. Prova disso é o aumento das sociedades de advogados: “São oito mil sociedades abertas em SP e outras quatro mil no RJ”, enumerou Haddad.

Uma tendência para os advogados recém-formados é a busca por especialização. “Não é mais possível um advogado sobreviver como ‘clínico-geral’, por isso ele busca se especializar e oferecer serviços específicos ao cliente”, afirmou o presidente do Sinsa.

Os grandes escritórios passam a ser geridos como empresas, com os sócios ocupando papéis definidos na estrutura organizacional do escritório. “Um dos sócios cuida do marketing, outro vai cuidar da gestão financeira, outro fica responsável pelos recursos humanos e assim por diante”, explica Haddad. Segundo o sócio do escritório Haddad, Malheiros, Casoni e Ruzende Advogados Associados, “essa divisão ajuda o escritório a antecipar problemas e agir de modo mais eficiente”.

Essa profissionalização “faz uso do marketing e da comunicação para conquistar e manter clientes”, diz Haddad. Na opinião do advogado, “desenvolver essas habilidades e estabelecer parcerias com profissionais do Direito e mesmo de outras áreas é vital para a sobrevivência do empreendimento”. Nesse cenário, a Internet não é somente uma fonte de informação, mas também uma plataforma para divulgação dos serviços oferecidos pelo escritório.

Investir em treinamento será cada vez mais importante, aponta Haddad. “Muito do contato com o cliente nem sempre é feito pelos sócios. Treinar os outros advogados do escritório para desenvolver o relacionamento com o cliente ajuda no entendimento das necessidades de quem está do outro lado da mesa”. Para o diretor-presidente do Sinsa, “os advogados são os embaixadores do escritório em cada cliente”.

Com a competição cada vez mais acirrada, as empresas vão demandar cada vez mais dos escritórios com preços mais baixos. “Os clientes querem serviços de qualidade e custos cada vez mais baixos. As demandas aumentam porque a sociedade brasileira é naturalmente litigiosa e os conflitos descambam no Judiciário”.

No entanto, Haddad faz um alerta: “Há limites éticos na conquista de novos clientes. Ao baixar o preço dos honorários cobrados, um escritório acaba por afetar todo o mercado”.


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Extraído de Última Instância

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