Bancos mantêm reservas para cobrir empréstimos duvidosos

Bancos mantêm reservas para cobrir empréstimos duvidosos, apesar de queda na inadimplência

24/03/2013 - 15h29
Economia
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A queda na inadimplência observada desde o segundo semestre do ano passado não convenceu os bancos a reduzirem as reservas para cobrir créditos duvidosos (com risco de não serem pagos). Segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a inadimplência no fim do ano passado recuou para níveis parecidos com os observados no primeiro trimestre de 2008, antes do início da crise financeira. As provisões dos bancos, no entanto, não acompanharam essa redução.

De acordo com a Febraban, o volume de provisões está estável há seis semestres entre 6,1% e 6,3% do total emprestado pelas instituições financeiras, enquanto a inadimplência encerrou 2012 em 3,4%. No primeiro trimestre de 2008, quando a inadimplência atingia 3,5%, as provisões equivaliam a apenas 5% da carteira de crédito.

Para o economista e especialista em crédito Fábio Gallo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a demora de os bancos reagirem à queda da inadimplência é natural e se deve ao temor de que o nível de pagamentos em atraso volte a aumentar em 2013. “A inadimplência parece ter voltado à normalidade, mas ainda não há certeza de que essa queda seja consistente. Nem todos os números indicam isso”, diz.

Um dos sinais, destaca o economista, de que os riscos ainda não estão erradicados deve-se à expansão do crédito em 2009 e 2010. Nesses anos, o governo concedeu empréstimos com juros baixos e prazos longos para estimular a economia. “Existe uma questão temporal. Quem comprou carro em 60 meses naquela época ainda está no meio do percurso e, em algum momento, pode não dar mais conta de arcar com o financiamento”, explica.

A manutenção do volume de provisões em níveis mais altos tem tido impacto sobre o lucro dos bancos. Segundo o próprio levantamento da Febraban, as despesas com as provisões, quando as instituições, de fato, usam as reservas para cobrir prejuízos com a inadimplência, saltaram de R$ 60 bilhões no fim de 2011 para R$ 75 bilhões no fim do ano passado. Isso, de acordo com a pesquisa, fez os lucros acumulados em 12 meses pararem de crescer e permanecerem em torno de R$ 51 bilhões nos últimos dois anos.

Como o patrimônio líquido das instituições financeiras pesquisadas não parou de aumentar, os bancos tornaram-se menos rentáveis. De acordo com a Febraban, a rentabilidade acumulada do segmento em 12 meses encerrou o ano passado em 17,6%, o menor nível na história recente. “Os balanços recentes dos bancos vieram piores justamente porque os bancos tiveram que reforçar as provisões”, avalia Gallo.

Se a inadimplência aumenta as provisões e reduz os lucros das instituições financeiras, o cidadão que pega empréstimos também sente o impacto da inadimplência por meio das taxas de juros. Segundo o Banco Central, a taxa média de juros do sistema financeiro encerrou janeiro em 18,5% ao ano, 0,5 ponto percentual a mais que em dezembro. “A inadimplência compensa e, em alguns casos, até anula o efeito positivo da queda dos juros básicos [taxa Selic] nas linhas de crédito”, diz o especialista da FGV.

 

Edição: Graça Adjuto

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