Empregado doméstico compromete duas vezes mais o orçamento com comida do que empresário

Empregado doméstico compromete duas vezes mais o orçamento com comida do que empresário

14/09/2012 - 10h06
Economia
Vitor Abdala
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Os brasileiros gastam, em média, 16,2% do seu orçamento com alimentação. O comprometimento do orçamento familiar com comida, no entanto, varia entre os diferentes tipos de trabalhadores. Os empregados domésticos, por exemplo, concentram 23,3% de suas despesas com alimentação.

Isso é mais do que o dobro do percentual do orçamento gasto pelos empresários com comida (11,5%). Há diferença, inclusive entre empregados privados, que gastam 17,1% com comida, e os empregados públicos, que comprometem 12,5% do orçamento.

Os dados estão na Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 – Perfil das Despesas do Brasil, divulgada hoje (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o tipo de emprego, também muda o espaço para aumentar o patrimônio. Enquanto trabalhadores domésticos conseguem usar apenas 2,2% do seu orçamento com o aumento de patrimônio, a porcentagem entre os empresários é quase cinco vezes maior: 9,9%. A média geral é 5,9%.

Há diferenças também entre as regiões. Enquanto as famílias da Região Centro-Oeste comprometem apenas 14,1% do orçamento com alimentação, no Norte, esse percentual sobe para 21,6%. No Nordeste, apenas 4,8% do orçamento são usados no aumento do patrimônio familiar; na Região Sul, esse índice sobe para 9,3%.

A composição familiar também influencia os gastos do brasileiro. Casais sem filhos gastam 14% do orçamento com alimentação e 7,3% com aumento do patrimônio. Já os casais com filhos e outros parentes representam gastam 18,2% com alimentos e apenas 4,2% com crescimento patrimonial.

Entre as religiões, os evangélicos de missão (igrejas históricas) comprometem 2,3% do seu orçamento com doações, duas vezes mais do que a média nacional, 1,1%. Mas eles também são aqueles que mais conseguem usar seu orçamento para aumentar o patrimônio (6,5%).

 

Edição: Juliana Andrade

Agência Brasil

 

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Com orçamento de R$ 1,2 mil, doméstica diz que gasta maior parte do salário com comida e saúde

14/09/2012 - 13h42
EconomiaNacional
Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro –  Com um orçamento familiar de pouco mais de R$ 1,2 mil, a empregada doméstica Maria Aparecida Vicente Coutinho Newman afirma gasta praticamente todo o seu salário com despesas com comida e remédios. Ela vive de aluguel com o marido e o filho de 1 ano em uma quitinete no município de Queimados, na Baixada Fluminense, e toma quatro conduções para chegar na residência onde trabalha, na zona sul do Rio. Maria Aparecida é um retrato da realidade brasileira apontada pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgada hoje (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo mostra que empregados domésticos comprometem 23,3% de seu orçamento com alimentação - mais do que o dobro do percentual do orçamento gasto pelos empresários com comida (11,5%).

“Depois de comida vem remédio e aluguel. Agora, com o neném, o custo aumentou mais ainda. E olha que só compro o básico, tudo certinho, mais o grosso e o básico”, comentou ela sobre suas idas ao supermercado.

O mesmo movimento ocorre em relação aos gastos com saúde e aluguel: os empregados domésticos têm aproximadamente 18% de seu salário comprometidos com aluguel e 4% com assistência à saúde. Já os empresários e empregados públicos gastam 9,8% de suas rendas com aluguel e 5,4% com saúde. Os trabalhadores privados 12,1% e 4,6%, respectivamente. 

Para reverter esse quadro de desigualdade na distribuição de renda, a economista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Maria Beatriz de Albuquerque David argumenta que é fundamental mudar a estrutura tributária do país que hoje, segundo ela, impacta os desiguais de forma igual.

“O Brasil não tem nenhuma política de taxação de ganhos excepcionais em distribuição de riqueza, apenas de distribuição de renda entre assalariados. A política tributária brasileira é muito regressiva, os tributos são praticamente indiretos, ou seja, independem do nível de renda, com exceção do Imposto de Renda, que taxa pouco o lucro de capital, porque você pode jogar muito de suas despesas nas empresas e ter seu patrimônio em nome na empresa.”

Os dados sobre o espaço para aumentar o patrimônio também revelam as desigualdades sociais no país. Enquanto trabalhadores domésticos têm 2,2% do orçamento com o aumento de patrimônio essa proporção para empresários é quase cinco vezes maior (9,9%). O percentual dos trabalhadores públicos e privados são 5,7% e 5,1%, respectivamente.


“Quanto menor o seu salário, mas comprometido ele está com as necessidades básicas: alimentação, moradia, saúde e educação. A última possibilidade é o patrimônio. Além disso, o acesso ao crédito é diretamente proporcional às garantias que você pode proporcionar”, explicou a professora.

De acordo com o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Fernando Holanda Barbosa Filho, o aumento do nível de escolaridade média do país e a diminuição da pobreza devem contribuir para reduzir o número de empregados que trabalham em residências.

“Nos países desenvolvidos só quem tem empregada doméstica é rico. As pessoas estão frequentando escolas e isso dá a elas melhores possibilidades de trabalho. Esse processo já vem ocorrendo, o salário do empregado doméstico está aumentando e acredito que a tendência seja que, aos poucos, o Brasil tenha cada vez menos empregados domésticos,” comentou.


Edição: Lílian Beraldo

Agência Brasil 

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