Empresas de comércio eletrônico pedem legislação sobre coleta de dados pessoais

Empresas de comércio eletrônico pedem legislação sobre coleta de dados pessoais

Publicado em: 26/08/2015

Representantes de empresas de comunicação, de internet e de marketing afirmaram nesta terça-feira (25), em audiência pública na Câmara dos Deputados, que o Brasil precisa urgentemente de uma legislação que regulamente a coleta e o processamento de dados pessoais.

A audiência pública foi realizada pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, que analisa proposta que trata do tema (PL 4060/12).

Para Veridiana Alimonti, do Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes), o projeto em análise não regulamenta o setor, mas garante o acesso das empresas aos dados.

"Esse projeto de lei, na verdade, tem o objetivo de dar um tratamento absolutamente permissivo aos dados coletados em diferentes momentos da nossa vida cotidiana para diferentes atividades econômicas, inclusive publicidade direcionada, que tem relação com o histórico de buscas na internet”, disse Veridiana. “É claro que as atividades econômicas devem ser permitidas, mas não podem se basear na violação de direitos fundamentais como a privacidade.”

No Brasil, 100 milhões de pessoas utilizam a internet. Desse total, 54 milhões fizeram compras na web no ano passado, afirmou o representante da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, Leandro Palhares. Para ele, a falta de uma regulamentação está impedindo a expansão do setor.

“A falta de uma regulamentação prejudica vários setores da economia que poderiam ser muito mais desenvolvidos. Há exemplo de empresas multinacionais que operam no Brasil e não rodam no Brasil suas folhas de pagamento, rodam na Argentina. Porque na Argentina existe uma legislação que, pelo menos, estabelece uma regra clara para se tratar tais dados”, disse Leandro Palhares.

Consulta pública

O Ministério da Justiça realizou consulta pública sobre o tema e está finalizando uma proposta sobre o tratamento e o sigilo de dados pessoais.

O relator da proposta na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, deputado Sergio Zveiter (PSD-RJ), explicou que pretende trabalhar em conjunto com o ministério, analisando as duas propostas em conjunto.

"Pretendo enviar um ofício para o Ministério da Justiça para que eu possa ter os elementos da consulta pública sobre a matéria que está sendo feita lá. Pretendo pedir uma audiência ao ministro da Justiça e trabalhar em conjunto com os deputados que se interessaram aqui na audiência pública", afirmou Zveiter.

O presidente da Associação Brasileira de Marketing Direto, Efraim Kapulski, informou que já existe um Código Brasileiro de Auto-Regulamentação para Tratamento de Dados Pessoais desde 2012. O código prevê uma autoridade regulamentadora que ainda não foi instituída.

Para Leonardo Palhares, a lei deve regular o uso dos dados e prever punições para os maus usuários. As alterações periódicas, segundo ele, devem ficar a cargo da autoridade regulamentadora para que a legislação não perca sua eficácia diante da evolução tecnológica.

A audiência desta terça-feira foi sugerida por Zveiter e pelos deputados Flavinho (PSB-SP), Eli Corrêa Filho (DEM-SP), Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), Margarida Salomão (PT-MG), Paulo Pimenta (PT-RS), Odorico Monteiro (PT-CE) e Tia Eron (PRB-BA).


ÍNTEGRA DA PROPOSTA:
PL-4060/2012

Fonte: Agência Câmara
Extraído de Recivil

Notícias

Bens situados no exterior são mantidos fora de divisão de herança no Brasil

Bens situados no exterior são mantidos fora de divisão de herança no Brasil 14/01/2026 Lei brasileira não rege sucessão de bens no exterior. A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 9ª Vara da Família e das Sucessões da Capital que negou pedido de homem...

STJ afasta execução contra cônjuge de empresário em comunhão universal

Recuperação judicial STJ afasta execução contra cônjuge de empresário em comunhão universal Para 3ª turma, a comunhão total do patrimônio impede tratar o cônjuge como garantia “externa” à recuperação judicial. Da Redação terça-feira, 13 de janeiro de 2026 Atualizado às 11:56 A 3ª turma do STJ...

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido?

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido? Por Júlia Cople — Rio de Janeiro 08/01/2026 03h30  Atualizado há 23 horas Embora muitas mulheres ainda adotem o sobrenome do marido (foram mais de 371 mil só em 2024), a maioria hoje escolhe não fazê-lo, seja pelo receio da...