Governo nega intenção de fechamento de escolas para cegos

 

11/04/2011 - 14h37

Técnico do governo nega intenção de fechamento de escolas para cegos 

O representante da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antônio José do Nascimento Ferreira, negou que o governo federal tenha interesse em fechar os institutos de educação para cegos. A expansão do número de salas com recursos multifuncionais - que já chegam a 24 mil no país - foi dada como prova do interesse do poder público em investir na capacitação dos deficientes visuais.

Ferreira admitiu, no entanto, uma fragilidade nessa rede. O ponto fraco seria a falta de contrapartida dos estados na designação de técnicos para operar as impressoras em braille fornecidas pela União. A queixa foi feita durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), nesta segunda-feira (11), realizada em comemoração ao Dia Nacional do Sistema Braille.

Apesar desses percalços, o técnico comentou o empenho do governo federal em inaugurar, até o final de 2012, o primeiro centro de formação e fornecimento de cães-guia, a ser instalado em Santa Catarina. Citou também parceria entre os Ministérios da Fazenda e da Ciência e Tecnologia para agregar tecnologia aos equipamentos utilizados na formação e capacitação de cegos.

Educação profissional

Ainda na área educacional, esse público vem contando com o apoio do Serviço Nacional da Indústria (Senai) que, este mês, oferece o primeiro curso de informática para deficientes visuais. Segundo a representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Loni Eliséte Manica, o Senai tem preparado seus professores para lidar com alunos com essas limitações e desenvolvido material de apoio aos cursos na linguagem braille.

Embora credite ao método as conquistas em termos profissionais e de acessibilidade, a coordenadora de revisão da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Regina Fátima Caldeira de Oliveira, lamentou um suposto enfraquecimento da parceria entre Brasil e Portugal em torno da unificação da simbologia braille. Conforme adiantou, nenhum dos dois países tem, hoje, representação nos Conselhos Mundial e Iberoamericano de Braille.

Após se queixar de que o Dia Mundial do Braille - celebrado no dia quatro de janeiro - seja sempre esquecido no Brasil, o especialista em educação de deficientes visuais Jonir Bechara Cerqueira comemorou a criação do Dia Nacional do Sistema Braille. A data escolhida foi o dia oito de abril, por coincidir com o nascimento do brasileiro José Álvares de Azevedo, que introduziu o método francês no país em 1850.

Por fim, o presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT-RS), conclamou todos os setores produtivos a não só ampliarem a participação dos deficientes visuais no mercado trabalho, mas também a investirem em sua capacitação profissional. O parlamentar fez críticas a empresas que costumam contratar portadores de deficiência para cumprir uma exigência legal e lhe privam do desenvolvimento profissional e da possibilidade de ascender no trabalho.

Simone Franco / Agência Senado
 

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