Morte presumida de marido garante pensão a esposa

Morte presumida de marido garante pensão a esposa

Publicado em: 14/07/2016

Após 6 anos do desparecimento do marido, Célia dos Santos Pereira Nascimento, de 47 anos, conseguiu, no dia 6 de julho, em Acreúna, durante o Programa Acelerar – Núcleo Previdenciário, a pensão por morte do marido. A juíza Gabriela Maria de Oliveira Franco reconheceu a ausência dele, desaparecido desde janeiro de 2010.

A magistrada destacou que a pensão por morte só foi concedida porque foram preenchidos os seguintes requisitos: a morte foi presumida em inquérito, a qualidade de segurado e a condição de dependente de quem pretende a pensão. Ela verificou ainda que não há dúvida da ausência de Arlinze Ferreira Nascimento, uma vez que, pelos documentos juntados nos autos e o inquérito policial, ficou comprovado que realmente ocorreu o desaparecimento do marido de Célia.

Gabriela Franco citou o artigo 78 da Lei8.213/91 que fala que, caso haja morte presumida do segurado, declarada pela autoridade judicial competente, depois de seis meses de ausência, será concedida pensão provisória. Assim, esse período foi comprovado pelo boletim de ocorrência e inquérito policial juntado nos autos, além das provas ouvidas na fase policial e em juízo.

“No caso dos autos, verifica-se que ainda não houve declaração de morte presumida, de modo que conforme entendimento jurisprudencial, é perfeitamente possível a cumulação de pedido de declaração de morte presumida, com o de pensão por morte, justamente a hipótese dos autos”, destacou.

Com relação a prova da qualidade de segurado, a juíza citou a Lei n°8.231/91 e lembrou que o dispositivo trata-se da pensão por morte e aposentadoria rural por idade, cabendo a requerente comprovar que é dependente economicamente do falecido e provar o efetivo vínculo de atividade rural. “Já quanto à qualidade de segurado, entendo que a parte autora conseguiu comprovar fato constitutivo do seu direito, isso porque conseguiu demonstrar que o ausente tralhava nas lides rurais. Existem nos autos documentos que provam sua profissão como lavrador, conforme Certidão de Nascimento dos filhos e certidão de casamento, aliado aos depoimentos das testemunhas ouvidas em juízo, que confirmam que o Arlize vivia na zona rural”, frisou.

Desesperança

Ao ser questionada sobre a esperança de reencontrar o marido, Célia é enfática. “Ele não volta mais. Ele não faria isso. Se ele fosse para qualquer lugar, ele me avisava para não ficar preocupada”, disse. A mulher teve três filhos com o marido. Hoje ela mora com o filho de 17 anos, único que ainda não casou.

Ela ainda convive com a dor de não ter achado o corpo. “Se eu tivesse enterrado, meu coração estaria mais aliviado. Ninguém sabe o que aconteceu. Judiaram dele”, garantiu. Célia contou que ele saiu de casa de bicicleta para entregar algumas carnes e não voltou mais. “Depois de mais de cinco meses encontraram a carteira dele em um canavial”, salientou.

Hoje a mulher trabalha como cozinheira de um abrigo. “Sem ele eu não tinha o que fazer, porque ele dava as coisas pra nós”, afirmou. Segundo ela, o dinheiro da pensão por morte do marido vai ajudar muito. “Eu não sabia como agir porque não foi encontrado corpo nem nada”, revelou
.

Fonte: TJGO
Extraído de Recivil

Notícias

Estatuto da família

  Deveres do casamento são convertidos em recomendações Por Regina Beatriz Tavares da Silva   Foi aprovado em 15 de dezembro de 2010, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, um projeto de lei intitulado Estatuto das Famílias (PL 674/2007 e...

Casal gay ganha guarda provisória de criança

Extraído de JusBrasil Casal gay ganha guarda de menino no RGS Extraído de: Associação do Ministério Público de Minas Gerais - 1 hora atrás Uma ação do Ministério Público de Pelotas, que propõe a adoção de um menino de quatro anos por um casal gay, foi acolhida ontem pela juíza substituta da Vara...

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato

Mais uma revisão polêmica na Lei do Inquilibato A primeira atualização da Lei do Inquilinato (8.245/91) acabou de completar um ano com grande saldo positivo, evidenciado principalmente pela notável queda nas ações judiciais por falta de pagamento do aluguel. (Outro efeito esperado era a redução...

Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente

24/02/2011 - 08h08 DECISÃO Recebimento do DPVAT exige efetivo envolvimento do veículo em acidente É indevida a indenização decorrente do seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre, o DPVAT, se o acidente ocorreu sem o envolvimento direto do veículo. A decisão é da...

Função delegada

  Vistoria veicular por entidade privada não é ilegal Por Paulo Euclides Marques   A vistoria de veículos terrestres é atividade regulada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), em atendimento ao disposto nos artigos 22, inciso III, e artigos 130 e 131 do Código de Trânsito...

Compreensão do processo

  Relações de trabalho exigem cuidado com contrato Por Rafael Cenamo Juqueira     O mercado de trabalho passou por determinadas alterações conceituais nos últimos anos, as quais exigiram do trabalhador uma grande mudança de pensamento e comportamento, notadamente quanto ao modo de...