"MPs não receberão novo parecer em Plenário"

19/06/2012 21:56

MPs não receberão novo parecer em Plenário, diz Marco Maia

A partir da próxima terça-feira (26), na votação da MP 562/12, será analisado o parecer aprovado previamente por uma comissão mista. Mudança de regra gerou dúvidas entre governo e oposição.

J.Batista
Presidente Marco Maia, concede entrevista
Marco Maia: qualquer alteração nas MPs deverá ser feita na comissão especial.

O presidente da Câmara, Marco Maia, anunciou nesta terça-feira (19) a interpretação da Mesa Diretora sobre o novo rito das medidas provisórias. Ele informou que, a partir de agora, as MPs não poderão mais receber parecer em Plenário. Valerá o parecer aprovado pela comissão mista, havendo apenas duas possibilidades de alteração desse parecer pelo Plenário: destaques dos partidos ou emendas aglutinativas (que fundem as emendas apresentadas pelos deputados à MP).

“Temos um ritmo de debate diferente nas MPs, porque elas já chegarão ao Plenário com o relatório votado na comissão. Qualquer alteração ou inclusão nas MPs deverá ser feita na comissão especial”, explicou o presidente.

Em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou obrigatória a análise das MPs pelas comissões mistas, como prevê a Constituição. A mudança passa a valer a partir da MP 562/12, que já foi aprovada em comissão mista e será votada pelo Plenário na próxima semana. Até então, as MPs eram votadas diretamente no Plenário.

Incerteza
As mudanças anunciadas geraram incerteza em líderes do governo e da oposição. O líder da minoria, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), avaliou que, na prática, essa decisão acaba com os “contrabandos” ou “jabutis”, como são chamadas as alterações incluídas de última hora em Plenário e que, geralmente, não têm relação com o texto original da MP.

Com a nova regra, um assunto só poderá ser incluído no relatório da MP em Plenário se tiver sido apresentado antes como emenda à medida provisória.

Beto Oliveira
Homenagem aos 90 anos do Rádio no Brasil e aos 50 anos da Associação Brasileira de  Emissoras de rádio e televisão ABERT - Dep. Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP)
Mendes Thame: nova regra evitará "contrabando" nas MPs.

“É muito mais difícil incluir um elemento estranho à MP em uma comissão montada especialmente para analisar o tema do que no Plenário, onde o relator faz o que quer”, disse Mendes Thame.

Já o líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que é contra a mudança, pois avalia que a comissão mista vai ficar mais poderosa do que o Plenário. “Os Plenários da Câmara e do Senado, instâncias máximas do poder, não terão a mesma liberdade que o plenário de uma comissão para apresentar emendas”, criticou.

Chinaglia propôs a criação de um grupo de trabalho para elaborar uma emenda constitucional que revise o rito das medidas provisórias.

Para o líder do PSDB, deputado Bruno Araújo (PE), ainda não está claro se a nova regra vai prejudicar ou não a oposição. Ele disse que a área técnica do partido vai analisar a determinação da Mesa antes de tomar uma decisão.

O temor é que o novo rito limite ainda mais o poder de atuação dos partidos de oposição, já que o governo terá sempre maioria na comissão mista. Nessa comissão, as manobras de obstrução terão menos efeito. Assim, prevaleceria sempre o entendimento do governo.

Atualmente, ao realizar obstrução em Plenário, oposicionistas conseguem negociar com o governo, que não quer lidar com o desgaste de uma votação prolongada.

Trancamento de pauta
Outra mudança no rito das MPs já tinha sido anunciada por Marco Maia na última quinta-feira (14). As MPs que estiverem sendo analisadas por comissões mistas não trancarão a pauta da Câmara ou do Senado, mesmo que o prazo constitucional de 45 dias já esteja vencido.

Renato Araújo
Dep. Arlindo Chinaglia (Líder do Governo)
Chinaglia: comissão mista vai ficar mais poderosa do que o Plenário.

“A Constituição é bem clara: as MPs só podem trancar a pauta da Casa em que estiverem tramitando. Como, durante a comissão mista, não tramitam ainda na Câmara ou no Senado, não poderão trancar a pauta de votações”, explicou Maia.

A decisão foi considerada histórica pelos parlamentares e pode abrir a pauta da Câmara para projetos de lei de origem dos parlamentares. “É uma segunda libertação do Parlamento”, disse o deputado Eduardo Cunha (RJ), vice-líder do PMDB.

O líder do governo, no entanto, hesitou quanto ao resultado prático da alteração. Ele disse que, na hipótese mais radical, algumas MPs podem perder a vigência na comissão. “Não há prazo para deliberação. Assim, se levarmos ao limite máximo, e a comissão decidir não votar a MP, ela perde a validade depois de 120 dias sem que o Plenário tenha se posicionado”, disse Chinaglia.

 

Reportagem – Carol Siqueira
Edição – Pierre Triboli - Foto em destaque: J.Batista

Agência Câmara de Notícias
 
 


 

Notícias

Venda de imóvel em duplicidade obriga a indenizar pelo valor atual do bem

A conta chega Venda de imóvel em duplicidade obriga a indenizar pelo valor atual do bem 7 de julho de 2026, 13h50 Com relação aos danos morais, a juíza entendeu que situação vivenciada pelo trabalhador rural ultrapassa o mero aborrecimento contratual e fixou a indenização em R$ 15 mil. Prossiga em...

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária Periódico divulga teses firmadas pela Corte selecionadas pela novidade no âmbito do Tribunal e pela repercussão no meio jurídico. O Informativo de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça n. 894 (STJ) divulgou os...

Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva

Vínculos afetivos Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva Magistrada destacou que a filiação não se limita ao vínculo biológico, ao homologar acordo que reconheceu relação construída por afeto e convivência ao longo de 24 anos. Da Redação quarta-feira, 1 de julho de...