Ministro Tóffoli: Justiça Eleitoral pode gerir Registro Civil Nacional com baixo custo

Gilmar Felix - Câmara dos Deputados

22/10/2015 - 18h14

Ministro Tóffoli: Justiça Eleitoral pode gerir Registro Civil Nacional com baixo custo

Parlamentares propõem juntar o número do CPF com a biometria da Justiça Eleitoral

Gilmar Felix - Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o Projeto de Lei nº 1.775/2015, que dispõe sobre o Registro Civil Nacional (RCN). Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ministro José Antônio Dias Toffoli
Dias Tóffoli: em 2020 todos os cidadãos brasileiros estarão cadastrados no sistema de biometria da justiça eleitoral ao custo de R$ 0,18 por cidadão.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro José Antônio Dias Tóffoli, garantiu nesta quinta-feira (22) que a Justiça Eleitoral é capaz de administrar e gerir com segurança e baixo custo a base de dados do Registro Civil Nacional (RCN).

Dias Tóffoli afirmou, durante audiência pública da comissão especial que debate a criação do RCN (PL 1775/15), que o sistema eleitoral brasileiro é mais seguro que o CPF e que a administração dos dados dos cidadãos brasileiros também será protegida. “Nosso parque está à prova até de bomba atômica”, disse.

Baixo custo
Dias Tóffoli informou que em 2020 todos os cidadãos brasileiros estarão cadastrados no sistema de biometria da justiça eleitoral e que o custo dessa identificação será de R$ 0,18 por cidadão. “Duvido e desafio qualquer outro órgão público que tenha a capacidade de fazer um cadastro com tamanha segurança ao custo de 18 centavos por pessoa”, desafiou.

Segundo o presidente do TSE, a criação de um único registro civil sob gestão do Judiciário vai economizar bilhões de reais da corrupção de fraudes de fundos de garantia, bolsa-família, previdência e seguro defeso.

Segundo Tóffoli, desde 1986 a Justiça Eleitoral tem se dedicado à melhoria do processo eleitoral brasileiro, principalmente na sua informatização e melhoria da qualidade técnica. “A justiça contém um parque tecnológico desenvolvido. Se já há a criação de um banco de dados no sistema biométrico para as eleições, por que utilizar essa identificação uma vez a cada dois anos e não como uma identidade de cada cidadão brasileiro?”, questionou o ministro.

Pela proposta, as informações acumuladas pela Justiça Eleitoral por meio da identificação biométrica de eleitores servirão de ponto de partida para a criação do Registro Civil Nacional e do documento de RCN, que poderá futuramente substituir o título de eleitor e reunir diversos dados oriundos de outros órgãos do Poder Público.

CPF
O relator na comissão, deputado Júlio Lopes (PP-RJ), defendeu o projeto, mas acredita que o ideal seria manter o CPF do cidadão, administrado pela Receita Federal, órgão do Executivo, como número único de identificação. Segundo ele, para implementar a proposta do RCN, o País gastaria cerca de R$ 2 bilhões . “A melhor forma de controlar qualquer coisa no Brasil é pelo CPF. Há um acórdão do TCU que afirma que melhor maneira de se controlar contas e desvios é pelo CPF”, justificou o parlamentar.

Gilmar Felix - Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre o Projeto de Lei nº 1.775/2015, que dispõe sobre o Registro Civil Nacional (RCN). Dep. Júlio Lopes (PP-RJ)
Júlio Lopes: o ideal seria manter o CPF do cidadão, administrado pela Receita Federal, órgão do Executivo, como número único de identificação.

Júlio Lopes lembrou que o governo federal simplificou o sistema de registro das empresas brasileiras no CNPJ e que essa medida facilitou a vida dos empresários. “Ninguém quer um número novo”, afirmou o relator.

Já Toffóli afirmou que o CPF não é seguro, porque há pessoas com mais de um número, e que só um novo número de registro poderia garantir a preservação do banco de dados do cidadão e evitar fraudes. “No sistema biométrico do Tribunal Superior Eleitoral identificamos pessoas que tentaram se identificar como eleitor usando identidade falsa e CPF's falso.

Convênios
O deputado Sóstenes Cavalcanti (PSD-RJ) criticou o dispositivo no projeto que prevê acordo e convênio, com entidades governamentais ou privadas a partir do banco de dados da Justiça Eleitoral. “Isso me causa arrepios.”

O ministro respondeu que a integração com vários órgãos de identificação não produzirá a insegurança no brasileiro. “Mas o Congresso Nacional é soberano para decidir o contrário (se decidir contrariamente aos convênios)”, afirmou.

Questionamento
Dias Tóffoli se irritou ao final da reunião ao ter que responder uma pergunta feita pelo subsecretário de Arrecadação e Atendimento da Receita Federal Carlos Roberto Occaso. Occaso participava como ouvinte da comissão e pediu a palavra para explicar que a Receita tem condições de administrar esse de banco de dados.

Toffóli interrompeu o participante: “Você é contra um projeto proposto pela chefe do Poder Executivo? Eu vim para uma audiência pública debater somente com os parlamentares”, disse, contrariado.

Júlio Lopes informou que, ao ceder a palavra para o funcionário da Receita, não tinha a intenção de constranger o ministro, mas apenas esclarecer que o CPF poderia, sim, ser utilizado como o número de identificação único de todo cidadão. “Por que não juntar tudo no CPF, com as biometrias e fotografias realizadas pela Justiça Eleitoral? A Receita cederia esse número, cartórios fariam o registro de identidade civil, institutos responsáveis continuariam com a função de procedimentos de identificação e não seriam gastos R$2 bilhões”, questionou o relator.

Segundo Lopes, o Tribunal Superior Eleitoral teria o papel de certificação, ou seja, para cruzar os dados e ver se cada cidadão é aquele cidadão mesmo que se apresenta.

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Regina Céli Assumpção
Agência Câmara Notícias
 

 

Notícias

A prova da morte e a certidão de óbito

A PROVA DA MORTE E A CERTIDÃO DE ÓBITO José Hildor Leal Categoria: Notarial Postado em 18/02/2011 10:42:17 Lendo a crônica "Um mundo de papel", do inigualável Rubem Braga, na qual o autor critica com singular sarcasmo a burocracia nas repartições públicas, relatando acerca de um suplente de...

Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança

Extraído de AnoregBR Cópias sem autenticação inviabilizam mandado de segurança Seg, 28 de Fevereiro de 2011 08:54 O objetivo era extinguir uma reclamação trabalhista com o mandado de segurança, mas, depois dos resultados negativos nas instâncias anteriores, as empregadoras também tiveram seu...

O mercado ilegal de produtos

27/02/2011 - 10h00 ESPECIAL Decisões judiciais imprimem mais rigor contra a pirataria “Receita continua a fiscalizar comércio irregular em São Paulo.” “Polícia estoura estúdio de pirataria e apreende 40 mil CDs e DVDS.” “Quadrilha tenta pagar propina de R$ 30 mil e é desarticulada.” Todas essas...

A idade mínima para ser juiz

  Juízes, idade mínima e reflexos nas decisões Por Vladimir Passos de Freitas A idade mínima para ser juiz e os reflexos no comportamento e nas decisões é tema tratado sem maior profundidade. As Constituições de 1824 e de 1891 não fixaram idade mínima para ser juiz. Todavia, o Decreto 848,...

Quando o anticoncepcional falha

Quando o anticoncepcional falha (25.02.11) O TJ de Santa Catarina decidiu que uma indústria Germed Farmacêutica Ltda. deve continuar pagando pensão de um salário mínimo mensal - mesmo enquanto apelação não é julgada - a uma mulher da cidade de Navegantes que teria engravidado apesar de utilizar...

Credores não habilitados

Extraído de AnoregBR Concordatária tem direito ao levantamento de valores que estão depositados à disposição de credores não habilitados Sex, 25 de Fevereiro de 2011 13:53 A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que a empresa Ferragens Amadeo Scalabrin Ltda. tem direito ao...