Atleta paraolímpico defende uso de cateter hidrofílico

Origem da Imagem/Fonte: Agência Câmara Notícias

20/09/2017 - 20h30

Comissão vai recomendar a SUS que adote equipamento para quem sofreu lesão medular

Atleta paraolímpico defende uso de cateter hidrofílico para melhorar qualidade de vida de paraplégicos e tetraplégicos

 
Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Audiência pública sobre Lesão Medular. Atleta Paralímpico RIO 2016 de Rugby em Cadeiras de Rodas, Rafael Hoffmann
O atleta Rafael Hoffmann defendeu o uso do cateter pelo SUS, para reduzir os casos de infecção urinária entre paraplégicos e tetraplégicos

A Comissão de Defesa das Pessoas com Deficiência vai recomendar ao Ministério da Saúde uma medida simples que pode melhorar a qualidade de vida de quem sofreu lesão medular. Trata-se do uso de uma sonda descartável necessária para que paraplégicos e tetraplégicos possam esvaziar a bexiga sem risco de infecções.

A Comissão quer que esse equipamento, chamado cateter hidrofílico, seja oferecido pelo SUS. O tema foi discutido em audiência pública nesta quarta-feira (20), que ouviu testemunhos como o de Rafael Hoffmann, atleta paraolímpico brasileiro, campeão sul-americano e medalha de bronze no Rugby em cadeira de rodas.

Ele ficou tetraplégico depois de um mergulho em águas rasas, aos 23 anos. Rafael conta que mesmo após o acidente, não abriu mão do sonho de se tornar atleta profissional, mas isso só foi possível quando pôs fim às recorrentes infecções urinárias, causadas pelo uso do cateter tradicional. Ele conseguiu acesso ao cateter hidrofílico pelo SUS por meio de ordem judicial. “Para quem tinha infecção urinária de três em três meses, diminuir para uma em três anos é considerável. Eu passei a ser uma pessoa produtiva novamente, tudo isso pela retomada da qualidade de vida”, disse Hoffmann.

Hemodiálise
Outros cadeirantes ouvidos pela comissão querem garantir os mesmos benefícios de Rafael Hoffmann. Edson Rosa, de Belo Horizonte, é paraplégico há 24 anos e há seis anos perdeu um rim por complicações geradas após infecção renal por não esvaziar a bexiga adequadamente e pelas sucessivas infecções causadas pela reutilização do cateter. Em Belo Horizonte, segundo ele, a orientação da secretaria de saúde é usar o mesmo cateter por cinco dias consecutivos. “Muitos amigos e atletas perderam um rim, outros foram para hemodiálise e outros foram a óbito, isso é muito grave", afirmou.

José Carlos Truzzi, médico da Sociedade Brasileira de Urologia, aponta as vantagens do uso do cateter hidrofílico que apresenta menores chances de complicações. Ele alerta para a necessidade de o SUS avaliar o custo-benefício de sua adoção e a economia que fará ao se evitar infecções.

“Não é viável, não é ideal que se pense apenas no custo unitário que vai se aplicar. Existe a consequência da não utilização desse tratamento. Um antibiótico de uso oral tem um custo unitário de uma dezena de reais, um antibiótico injetável tem um custo de milhares de reais por dia. Então, um indivíduo que sofra infecção três vezes ao ano e na hipótese de que uma ou duas vezes tenha que ser internado, o custo se torna exorbitante", avaliou.

Autor do requerimento para a audiência, o deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) informou que a Comissão vai recomendar a adoção do cateter hidrofílico à Comissão de Incorporação de Tecnologia em Saúde, do Ministério da Saúde.

Reportagem – Geórgia Moraes
Edição – Roberto Seabra
Agência Câmara Notícias
 

 

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