Cimento: Aumento de demanda e escassez de oferta

03/08/10 - 00:00

MINERAÇÃO & METALÚRGICA
A oferta de cimento perde para a demanda

Paula Cristina


SÃO PAULO - Chegou na tarde de ontem ao Porto de Imbituba, em Santa Catarina, um carregamento de 221 peças para uma fábrica de cimentos. O lote, com peso total de 960 toneladas, conta com um moinho de cimento de 189 toneladas que precisou de procedimento especial para retirada do porto.

 

De acordo com fontes locais, os componentes chegaram da China e são parte integrante de uma nova fábrica da Votorantim Cimentos na cidade. Na nova fábrica de Santa Catarina, o grupo está investindo R$ 86,6 milhões, que deverá produzir 1,2 milhão de toneladas de cimento por ano, a partir de 2011.

 

O local de instalação da fábrica, um terreno de 240 hectares, estava ocupado por agricultores e a reintegração de posse da Votorantim aconteceu na última quarta-feira. Agora, o terreno está pronto para uso.

 

Enquanto as expansões da capacidade instalada de cimento não são finalizadas, o Brasil vive um período de aumento de demanda e escassez de oferta.

 

O Estado do Mato Grosso especificamente tem sido abastecido com produtos de Minas Gerais, de onde o grupo Votorantim tem trazido 20 mil sacas de cimento diariamente.

 

Para o presidente da Associação Mato-grossense dos Comerciantes de Materiais de Construção (Acomac), Antônio Guerino Zonpero, a situação é difícil. "Estamos com o produto escasso desde maio. Lojas optaram pelo racionamento da venda, enquanto outras simplesmente não têm o produto em estoque. Por conta da escassez, os preços dispararam de R$ 18,90, na segunda quinzena de maio, para R$ 27,50 por saca de 50 quilos, preço praticado ontem em várias lojas, o que representa uma alta de 45,5%", afirmou.

 

Para resolver a questão, empresários do setor de construção do Mato Grosso se reuniram com representantes da Votorantim que garantiram que o abastecimento estará normalizado nos próximos dias. "Com a chegada do cimento de Minas Gerais poderemos dar continuidade a grande demanda de construções civis que estão acontecendo", disse Zonpero.

 

Além do aumento das obras, o desaparecimento de algumas marcas daquele mercado, como Cauê e Ciplan, e a redução da produção do cimento em Goiás geraram escassez local do produto. "Não foi culpa exclusivamente da Votorantim Cimentos, pois com a queda de outras marcas, a demanda deles cresceu demais", disse.

 

Segundo o ex-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção do Mato Grosso (Sinduscon), Luiz Carlos Richter, o setor chegou a comprar cimento diretamente de outras regiões. "Muitos comerciantes foram direto a outros estados em busca do cimento, mas o custo ficava elevadíssimo, devido ao transporte."

 

Em Roraima a situação é um pouco diferente. Recentemente, a Votorantim Cimentos abriu uma fábrica no estado e hoje atende 70% da demanda local.

 

Mas, para o presidente do Sindicato das Indústrias Cerâmicas e Artefatos de Cimento do Estado de Rondônia, Osvaldo Duarte Rosalino, o preço está a cima da média nacional. "O valor do cimento aqui é bem superior ao que encontramos em outros locais onde também há fábricas para abastecer o consumo", disse.

 

"Uma alternativa dos comerciantes pode ser a mudança do fornecedor. Só é preciso um cálculo para ver questões como logística e transporte", afirmou.

 

Números do setor

 

Dados recentes sobre o setor de cimento no País apontam a que 2010 deverá ter um crescimento de 12,5% em comparação a produção de 2009. De acordo com os dados Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic), o Brasil deverá atingir a marca de 58 milhões de toneladas.

 

Os dados preliminares da entidade apontam que, até junho foram vendidos 4,7 milhões de toneladas de cimento no mercado interno, crescimento de 10,2% em relação ao mesmo mês de 2009. No acumulado do ano, são 27,6 milhões de toneladas, elevação de 14,6% sobre igual período do ano passado. "O mercado de cimento cresceu em torno de 15% no primeiro semestre, seguindo o rastro dos negócios na construção e nas revendas de material de construção", disse o presidente do Snic, Sério Maçães. Procurada pelo DCI, a Votorantim Cimentos não quis se pronunciar.

DCI

 

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