Comissão vai discutir proibição de inibidores de apetite

08/10/2012 12:44

Comissão vai discutir proibição de inibidores de apetite

Profissionais da área médica, especialistas e parlamentares debatem na terça-feira (9), na Comissão de Seguridade Social da Câmara, os prós e contras de uma possível volta ao mercado dos medicamentos para emagrecer a base de anfetaminas. Há um ano, esse tipo de medicamento, chamado de anorexígeno, porque tiram a fome, foi proibido no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O órgão concluiu que eles trazem mais riscos do que benefícios aos pacientes. A sibutramina, outro princípio ativo usado no combate à obesidade, passou a sofrer mais restrições de venda. A decisão, que passou a valer em dezembro, foi - e continua sendo - muito polêmica.

A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) explica que pediu para que o assunto voltasse ao debate porque existe um projeto de lei em avaliação na Comissão de Seguridade Social que pretende retirar da Anvisa o poder de vetar remédios no Brasil. E se isso virar lei, os remédios anorexígenos estariam liberados de novo, na avaliação dela. Jô Moraes diz que espera dados concretos sobre os efeitos da retirada dos emagrecedores do mercado.

“Esperamos balanço de um ano da aplicação desta proibição para que nós possamos ter uma relação de equilíbrio no tratamento, sem ceder ao lobby dos laboratórios ou dos profissionais, nem à angústia dos portadores de obesidade”, afirmou.

Para a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) é preciso discutir mecanismos seguros desde a prescrição até a dispensação destes medicamentos. “Farmacêutica e bioquímica por formação, tenho a opinião de que a obesidade é uma doença crônica, multifatorial, geradora de danos irreversíveis à saúde. Não se deve desconhecer a situação do doente obeso que não responde ao tratamento via reeducação alimentar e de novos hábitos de vida, para os quais o endocrinologista faz a opção do apoio medicamentoso”, opinou Alice Portugal.

Avaliação
Paulo Giorelli, vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, lembra que os médicos sempre foram contra a proibição, alegando que cabe à pessoa e ao seu médico avaliar riscos e efeitos desses emagrecedores. Ele diz que o tratamento da obesidade diminui o risco de outras doenças, como pressão alta e diabetes - tratamento que não está sendo possível sem os anorexígenos.

“Com esse um ano, já dá para perceber que houve um aumento significativo das doenças decorrentes da obesidade. Porque aproximadamente 16 milhões de pacientes ficaram subitamente sem os medicamentos, sem ter nenhum outro para substituir“, avaliou.

Já os técnicos da Anvisa sustentam a proibição, alegando que as anfetaminas trazem riscos de doenças no coração e no sistema nervoso.

15 em cada 100 brasileiros são considerados obesos pelo Ministério da Saúde. O Brasil é um dos maiores consumidores de emagrecedores a base de anfetamina no mundo, e o líder no uso de sibutramina - em 2010, consumiu pouco mais da metade do que foi usado no mundo todo.

 
Câmara - Participação Popular - Selo internet - @

Participe
Quem quiser poderá assistir ao debate ao vivo e ainda participar de bate-papo on line sobre a discussão promovido pelo Portal e-Democracia. Basta acessar o link.

Foram convidados:

- o chefe do Núcleo de Gestão do Sistema Nacional de Notificação e
Investigação em Vigilância Sanitária da ANVISA, Maria Eugênia Carvalhaes Cury;
- o representante do Conselho Federal de Medicina, Dimitri Gabriel Homar;
- o presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter da Silva Jorge João;
- o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Airton Golbert; - o presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica; Rosana Radominski;
- o diretor geral da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Paulo Giorelli.

 

A reunião será realizada a partir das 14h30, no Plenário 7.

Atualizada às 16h00.

Reportagem - Ginny Morais
Edição - Rachel Librelon

Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara de Notícias
 
 


 

Notícias

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário

e-Not Provas e a prova digital no Brasil: avanço necessário Renato Martini e André Caricatti A relevância do e-Not Provas não está apenas na captura de uma tela, está na tentativa de resolver a volatilidade do conteúdo online e o risco de desaparecimento do vestígio. sexta-feira, 16 de janeiro de...

Nova Carteira de Identidade: 10 dúvidas comuns sobre o documento

Nova Carteira de Identidade: 10 dúvidas comuns sobre o documento Juliane Aguiar 15/01/2026 14:10 A Carteira Nacional de Habilitação (CNH) continua sendo um documento de identificação válido em todo o Brasil. No entanto, ela não substitui a CIN, que é o documento de registro civil oficial do...

Bens situados no exterior são mantidos fora de divisão de herança no Brasil

Bens situados no exterior são mantidos fora de divisão de herança no Brasil 14/01/2026 Lei brasileira não rege sucessão de bens no exterior. A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 9ª Vara da Família e das Sucessões da Capital que negou pedido de homem...

STJ afasta execução contra cônjuge de empresário em comunhão universal

Recuperação judicial STJ afasta execução contra cônjuge de empresário em comunhão universal Para 3ª turma, a comunhão total do patrimônio impede tratar o cônjuge como garantia “externa” à recuperação judicial. Da Redação terça-feira, 13 de janeiro de 2026 Atualizado às 11:56 A 3ª turma do STJ...

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido?

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido? Por Júlia Cople — Rio de Janeiro 08/01/2026 03h30  Atualizado há 23 horas Embora muitas mulheres ainda adotem o sobrenome do marido (foram mais de 371 mil só em 2024), a maioria hoje escolhe não fazê-lo, seja pelo receio da...