Custo Brasil

João Vicente, Meneghetti, Luiz Henrique, Luiz Moan e Angela Crespo, no debate na CAE 

25/02/2014 - 21h15 Comissões - Assuntos Econômicos - Atualizado em 26/02/2014 - 10h45

Tributos elevam preço dos carros no Brasil, dizem debatedores

Augusto Castro 

A pesada carga tributária é um dos principais motivos dos altos preços dos carros no Brasil, segundo debatedores que participaram na tarde desta terça-feira (25) de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), conduzida pelo vice-presidente do colegiado, senador Luiz Henrique (PMDB-SC). Os impostos representam, em média, cerca de um terço do preço de um carro no país, de acordo com os participantes da audiência requerida pela senadora Ana Amélia (PP-RS).

A senadora Ana Amélia informou aos participantes que mais de 200 perguntas e observações foram enviadas por cidadãos brasileiros para a audiência pública por meio do Alô Senado e das redes sociais. O senador Luiz Henrique informou que todas as perguntas seriam entregues aos participantes da audiência para serem  respondidas.

Junto com Eduardo Suplicy (PT-SP), Ana Amélia debateu com os participantes sobre o grande número de recalls no Brasil, testes de colisão que apontam baixa qualidade dos carros vendidos no Brasil, congestionamentos nas médias e grandes cidades e problemas na reposição de peças no mercado nacional.

A jornalista do site Consumo em Pauta, Ângela Crespo, defendeu que a população brasileira precisa ter mais acesso à educação para o consumo. Ela disse que o brasileiro paga caro por veículos pessoais.

- Pagamos caro por um veículo e não temos a qualidade que esperamos por esse preço e não temos também um pós-venda eficiente - afirmou.

Ela informou que, nos últimos sete anos, quase 7 milhões de veículos foram convocados para recall. Anualmente, disse, o Brasil fabrica 3,5 milhões de carros e quase 1 milhão é convocado todos os anos. A jornalista acrescentou que pelo menos 40% dos proprietários convocados acaba não realizando o recall, o que aumenta a insegurança no trânsito.

Ângela também reclamou que a falta de peças para reposição é notória no país e que proprietários chegam a esperar meses para serem atendidos.

Tributos

O secretário-geral da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM), João Vicente da Silva Cayres, afirmou que a compra de materiais e componentes são responsáveis por 50% do custo das montadoras de veículos no Brasil. Ele acrescentou que a mão de obra representa 8% do custo, energia elétrica e água 0,3%, despesas com vendas 4%, propaganda 3%, fretes 1,6% e compras de peças de reposição 12%.

Já a participação dos tributos no preço dos carros no Brasil é de 30%, afirmou o sindicalista fazendo comparação com esse percentual em outros países como Estados Unidos (6%), Japão (9%) e Alemanha, França e Reino Unido (17%). Ele aproveitou para criticar o Brasil porque “cobra muito imposto sobre o consumo e muito pouco sobre a renda”.

Como exemplo do peso dos tributos no preço dos carros, João Vicente disse que o Camaro, da Chevrolet, é quatro vezes mais caro no Brasil do que nos Estados Unidos. No Brasil, segundo ele, esse automóvel custa R$ 213 mil, sendo R$ 64 mil de impostos. Ele também afirmou que a maioria dos carros brasileiros está defasada tecnologicamente se comparada com a realidade europeia.

Por sua vez, o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Antônio Meneghetti, informou que as 7.600 concessionárias brasileiras movimentam 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e geram 410 mil empregos. Ele também reclamou dos altos impostos.

- De cada R$ 100 do custo da receita líquida do fabricante, a margem bruta média de mercado possível é R$ 17,71 mais R$ 51 de impostos. Preço final: R$ 168 - pontuou.

Ele afirmou que a margem de lucro das concessionárias é muito reduzida.

- Sem sombra de dúvidas, é o maior problema na formação do preço final do automóvel. Se a carga tributária fosse menor, o mercado brasileiro seria muito maior - afirmou.

Meneghetti disse que o governo federal promoveu isenção do IPI para compra de carros novos entre maio de 2012 e dezembro de 2013, o que aumentou as vendas em 1,5 milhão de unidades.

- O governo federal deixou de arrecadar R$ 5 bilhões de IPI, mas ganhou R$ 5,6 bilhões em PIS/Cofins, R$ 6 bilhões em ICMS e R$ 1,5 bilhão de IPVA. Saldo líquido: o Brasil arrecadou mais de R$ 8 bilhões nesses 19 meses - afirmou.

Por sua vez, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirmou que os carros no Brasil não são caros e negou que as montadoras e fabricantes tenham alta lucratividade no país.

- Representamos 21% do PIB industrial, 5% do PIB brasileiro. A maior empresa em volume de produção do Brasil é a Petrobras e mais de 60% da produção da Petrobras é voltada para combustível automotivo. Portanto, podemos dizer que somos responsáveis por 60% da maior empresa do Brasil – disse Moan ao informar que suas representadas geram 1,55 milhão de empregos diretos e indiretos no país.

Ele afirmou que as montadoras pagam 54% de carga tributária e que o lucro médio dessas empresas no Brasil foi de 2,9% de 2003 a 2011.

 

Agência Senado

 

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