Deputados querem controle rígido para evitar venda de bebida alcoólica a crianças

 

24/05/2011 21:10

Deputados querem controle rígido para evitar venda de bebida alcoólica a crianças

 

Beto Oliveira
Dr. Ronaldo Laranjeira, professor titular do Departamento de Psiquiatria da Unifesp
Ronaldo Laranjeira: 1/4 da população brasileira tem problemas sociais ou de saúde associados ao álcool.

Controlar rigidamente a proibição de venda de bebida alcoólica para crianças e adolescentes é uma das medidas defendidas por parlamentares e especialistas para o controle do uso do álcool pela população. A proposta foi apresentada pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), em audiência pública da comissão especial criada para discutir políticas de combate ao uso abusivo do álcool.

O professor de psiquiatria da Unifesp Ronaldo Laranjeira ressaltou dados da Organização Mundial de Saúde, que mostram o álcool como o principal problema de saúde pública no Brasil, responsável por 9% das mortes e incapacitações, o dobro da média mundial. Segundo ele, o álcool supera o tabaco e a desnutrição.

Custo Social
Ele explicou que metade da população brasileira bebe e que 1/4 tem problemas sociais ou de saúde associados ao uso da bebida. No mundo, América Latina e Rússia têm o maior custo social relativo ao álcool. Após o fim da União Soviética, os russos perderam 17 anos de vida útil associada ao aumento do consumo de vodka.

O médico lembrou que esse quadro é típico de países onde não há um controle social do consumo de bebida. Ele informou que os Estados Unidos têm uma fiscalização rígida sobre a venda de bebidas a menores de 21 anos e a direção alcoolizada; e que é dificultada a licença para abertura de pontos de venda. No Brasil, há um milhão de pontos de venda.

Controle da propaganda
O psiquiatra também aponta como instrumento eficiente de combate ao uso indiscriminado da bebida alcoólica o aumento da tributação sobre o produto e o controle da propaganda. "Nós deixamos que a política do álcool seja determinada somente pelos interesses econômicos da indústria do álcool. Tanto o Ministério da Saúde quanto a secretaria Nacional Antidrogas nunca desenvolveram uma política nacional em relação ao álcool.” Ronaldo Laranjeira destacou o histórico de tolerância e descaso com o principal problema de saúde pública que a gente tem no Brasil.

Problema nas escolas
Representante da Associação Brasileira de Pediatria, Valdi Craveiro Bezerra afirmou que as escolas não enfrentam o problema. Ele disse que a escola presta mais atenção no uso de drogas ilícitas, que são mais raras do que o uso de álcool, que é muito mais frequente.

Banco de dados
O relator da comissão, deputado Vanderlei Macris, afirmou que as primeiras audiências públicas se destinam a recolher informações que possam alicerçar uma proposta de política pública. "Estamos começando a construir um banco de dados capaz de orientar, ao final dos trabalhos, uma postura, não só do Poder Público ao nível nacional, mas também dos estados e dos municípios, de uma política capaz de orientar essa questão do excesso de consumo de álcool."

Reportagem - Vania Alves
Edição – Regina Céli Assumpção
 Agência Câmara de Notícias

 

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