Descriminalização da maconha divide opiniões

16/09/2015 - 13h23

Descriminalização da maconha divide opiniões em debate na Câmara

Luis Macedo - Câmara dos Deputados
Audiência pública
A Comissão de Seguridade Social e Família reuniu representantes da Ciência e do Direito para discutir a discriminalização, no contexto do julgamento que está em curso no STF

A descriminalização da maconha foi novamente a debate na Câmara dos Deputados e dividiu opiniões entre os debatedores. A Comissão de Seguridade Social e Família reuniu representantes da Ciência e do Direito para discutir o assunto, no contexto do julgamento que está em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal. Até o momento, os três votos apresentados na corte suprema são a favor da descriminalização.

O representante do Conselho Federal de Medicina Salomão Rodrigues Filho afirma que o consumo de drogas é o maior problema de saúde pública do Brasil e citou uma pesquisa realizada na Suécia da década de 80, em que a vida de 50 mil adolescentes foi acompanhada de perto. Metade deles consumia maconha uma vez por semana e foi neste grupo em que a incidência de esquizofrenia foi três vezes maior.

"A sociologia, a antropologia podem defender o uso da maconha. A medicina não pode, porque nós sabemos o quanto faz mal à saúde”, ressaltou Salomão. “Poder portar, poder consumir é um equívoco também porque, se ele vai portar essa droga, ele comprou de alguém. Como não está autorizada a venda, ele vai comprar de quem? Do traficante. Então isso é um estímulo ao tráfico. Na minha opinião é a oficialização do tráfico no Brasil."

Favoráveis
Já a professora da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UNB) Beatriz Vargas Ramos é a favor da descriminalização de todas as drogas, porque ela enxerga o tema também no âmbito da liberdade individual.

"Algo muito diferente da venda livre e indiscriminada é a venda controlada, não é?”, observa Beatriz Vargas Ramos. “Isto é o que se faz na Espanha, Portugal. O simples feito de o proibicionismo sair do campo de drogas facilita a informação pública sobre a natureza e os efeitos das drogas no organismo das pessoas."

A mesma opinião tem a coordenadora-geral do Centro de Referência Sobre Drogas e Vulnerabilidades Associadas da UnB, Andrea Gallassi, que afirma que a legalização tira o usuário da marginalidade.

"A criminalização dificulta o acesso de pessoas que têm problemas com drogas aos serviços de saúde e aos serviços de assistência social”, explica a acadêmica. “Estigmatiza essas pessoas pelo fato de a sociedade em geral as considerarem como criminosas ou como pessoas que devem ser rejeitadas e punidas pelo fato de usar drogas, e isso tudo traz um grande efeito negativo para a sociedade como um todo."

Epidemia das drogas
A epidemia das drogas é que é um problema de saúde pública, segundo o deputado Osmar Terra (PMDB-RS). Terra, que é mestre em neurociências, afirma que a maconha vicia 50% dos usuários e não apenas 9%, como afirma Andrea Galassi.

Na sua avaliação, o afrouxamento da legislação pode fazer com que o número de dependentes químicos exploda. Ele diz que o Brasil já tem 7 mil viciados em drogas ilícitas, enquanto tem 40 mil viciados em drogas legais. A maconha, segundo ele, afeta mais partes do cérebro do que qualquer outra droga.

"Porque ela, além de criar dependência química em 50% dos jovens, ela multiplica o número de jovens com psicose, com esquizofrenia, com doenças que causam um dano terrível, aumenta o número de suicídios”, afirma.

“E a dependência química da maconha causa retardo mental a longo prazo, irreversível, não tem volta. Assim como a psicose que ela causa não tem volta. E a dependência química não tem cura”, acrescenta o parlamentar. “Então, ao dizer que não tem problema, que maconha é remédio, nós estamos induzindo no erro uma quantidade enorme, gigantesca, de jovens que passam a acreditar que aquela sensação boa que a maconha causa quando ele fuma é a única coisa, e não é."

Penas para traficantes
Osmar Terra é autor de um projeto já aprovado na Câmara e em tramitação no Senado que prevê o aumento das penas para os traficantes de drogas. Segundo o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas (Inpad), o Brasil tem 3,5 milhões de usuários de maconha.

Terra citou dados da Previdência Social que apontam que o benefício do auxílio-doença destinado a viciados em álcool manteve-se estável de 2006 a 2012. Já entre viciados em crack, o número passou de 9.730 benefícios para 30.737 benefícios.

O deputado Assis Carvalho (PT-PI), autor do requerimento para a audiência pública, considera necessário manter o debate sobre esse tema, especialmente sobre os impactos da liberação com relação à saúde.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Newton Araújo
Origem da Foto em destaque/Fonte: Agência Câmara Notícias

 

Notícias

Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo

Extraído de Veredictum Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo by Max De acordo com a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, o pedido de concessão do benefício da justiça gratuita pode ser feito pela parte a qualquer momento ou grau de jurisdição. Quando for solicitado...

Trabalhador retirou-se da audiência porque calçava chinelos de dedos

  Indenização para trabalhador que, calçando chinelos, foi barrado em audiência (04.03.11) Um dia depois da matéria de ontem (3) do Espaço Vital sobre exigências formais (gravata, paletó e calçados) para participar de atos judiciais, surge a notícia de que a União foi condenada a reparar o...

Não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas

23/02/2011 - 14h21 STJ decide que é impossível reconhecer uniões estáveis paralelas A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça admitiu que não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas entre um funcionário público aposentado do Rio Grande do Sul e duas mulheres, com as quais manteve...

Imunidade profissional não é absoluta

03/03/2011 - 14h08 DECISÃO Advogado é condenado por calúnia e difamação contra colega Em mais um julgamento sobre excessos verbais cometidos por advogado no curso do processo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou seu entendimento de que a imunidade profissional prevista na Constituição...

Cirurgia essencial à sobrevida de segurado

03/03/2011 - 12h29 DECISÃO Unimed deve pagar despesas com cirurgia bariátrica de segurada com obesidade mórbida A gastroplastia (cirurgia bariátrica), indicada como tratamento para obesidade mórbida, longe de ser um procedimento estético ou mero tratamento emagrecedor, revela-se cirurgia...