Empresário aponta potencial para trabalho de ex-presos na construção civil

Foto: Agência CNJ

Empresário aponta potencial para trabalho de ex-presos na construção civil no CE

02/10/2013 - 10h00

A quantidade de prédios, casas e estradas em construção na região de Fortaleza/CE favorece o emprego de ex-detentos pela construção civil. Segundo o presidente da Usina de Reciclagem de Fortaleza (Usifort), Marcos Kaiser, premiado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por empregar ex-detentos, as 600 obras cadastradas no Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Ceará (Sinduscon/CE) poderiam utilizar a mão de obra de pelo menos 1,2 mil homens e mulheres que já foram presos e aguardam oportunidade para recomeçar a vida.

Desde junho, a Usifort tem, entre seus funcionários, dois ex-detentos, mas poderia empregar mais dez ex-presidiários. Segundo o presidente da Usifort, no entanto, a falta de assistência do governo a esses trabalhadores inviabiliza a iniciativa. “Precisamos de psicólogos e assistentes sociais para acompanhar constantemente esse pessoal, porque há o risco de recaídas. Atualmente não temos apoio do Poder Executivo e a única assistente social do Tribunal de Justiça que lida com o Começar de Novo (projeto do CNJ que promove a reinserção social da população carcerária e ex-presos) está sobrecarregada”, afirmou Kaiser.

Sejus – De acordo com a Secretaria de Justiça do Estado (Sejus), o governo oferece uma rede multidisciplinar estadual de apoio aos presos e ex-detentos pelo Programa Mãos que Constroem. O atendimento, que se estende ao empregador e à família do detento, é feito por advogado, assistente social, psicólogo e agente penitenciário. O objetivo da iniciativa é capacitar e empregar a mão de obra carcerária na construção civil para inserir esse público no mercado de trabalho, “aproveitando a demanda crescente por mão de obra no setor da construção civil, mas com responsabilidade de capacitar e acompanhar o assistido até sua efetiva contratação como funcionário”, afirmou a Sejus, por meio de sua assessoria.

Segundo a Secretaria, alguns dos operários que trabalham nas obras do governo, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), são ex-detentos selecionados pelo programa. A construção da Arena Castelão, estádio de Fortaleza que vai sediar a Copa do Mundo de 2014, também teve participação de ex-presos. O governo do estado do Ceará planeja agora incluir egressos do sistema prisional nas obras do Centro Olímpico do Ceará e na construção de unidades habitacionais em curso na capital.

Reconhecimento – Iniciativas de capacitação profissional de presos e ex-detentos no Pará, no Ceará e no Rio de Janeiro receberam o reconhecimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que premiou nove entidades e empresas com o selo do Começar de Novo, programa do CNJ que estimula a ressocialização da população carcerária e de egressos desse sistema por meio do trabalho e do estudo. Em maio, a indústria de reciclagem Usifort foi uma das sete empresas e entidades cearenses agraciadas.

 

Manuel Carlos Montenegro
Agência CNJ de Notícias

 

Notícias

Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo

Extraído de Veredictum Pedido de justiça gratuita pode ser feito a qualquer tempo by Max De acordo com a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, o pedido de concessão do benefício da justiça gratuita pode ser feito pela parte a qualquer momento ou grau de jurisdição. Quando for solicitado...

Trabalhador retirou-se da audiência porque calçava chinelos de dedos

  Indenização para trabalhador que, calçando chinelos, foi barrado em audiência (04.03.11) Um dia depois da matéria de ontem (3) do Espaço Vital sobre exigências formais (gravata, paletó e calçados) para participar de atos judiciais, surge a notícia de que a União foi condenada a reparar o...

Não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas

23/02/2011 - 14h21 STJ decide que é impossível reconhecer uniões estáveis paralelas A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça admitiu que não é possível reconhecer uniões estáveis paralelas entre um funcionário público aposentado do Rio Grande do Sul e duas mulheres, com as quais manteve...

Imunidade profissional não é absoluta

03/03/2011 - 14h08 DECISÃO Advogado é condenado por calúnia e difamação contra colega Em mais um julgamento sobre excessos verbais cometidos por advogado no curso do processo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou seu entendimento de que a imunidade profissional prevista na Constituição...