Especialistas condenam combustível fóssil e debatem alternativas

 

09/06/2011 - 21h48

Especialistas condenam combustível fóssil e debatem alternativas 

Modelos de produção de energia solar, a construção da usina de Belo Monte e a decisão da Alemanha de fechar suas centrais nucleares foram alguns temas da audiência pública "Energia: Para que e como?", promovida pela Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Rio+20. Os debatedores convidados, mediados pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), concordaram que o modelo de produção de energia baseado em fontes fósseis (carvão e petróleo) precisa ser substituído por alternativas limpas, destacando a busca de formas eficientes de aproveitamento do sol e de novos paradigmas de produção e consumo de energia.

João de Deus Carvalho, consultor para projetos de energia solar, salientou o interesse crescente pela única matriz energética "100% limpa, 100% abundante e 100% renovável", destacando os avanços na tecnologia do setor termossolar, o que permite a construção de usinas de custo mais baixo, e o projeto no norte da África que poderá abastecer 20% da demanda de eletricidade da União Européia. No entanto, Carvalho lamentou a falta de planos de energia solar no Brasil e mencionou o Nordeste como uma região favorável a projetos de grande escala.

- Em Belo Monte, serão investidos R$ 30 bilhões, gerando a potência de quatro gigawatts. Para essa mesma potência numa usina termossolar, seriam necessários apenas 20,1 bilhões de reais, sem nenhum dano ambiental ou uso de terras produtivas - argumentou, antes de considerar "utópica" a proposta de redução de demanda de energia.

Produção do desperdício

Neilton Fidelis da Silva, professor da Coppe/UFRJ, classificou a universalização da energia como desafio da cidadania e vetor de desenvolvimento. Defendendo maior produção de bens reutilizáveis, criticou o aumento desnecessário da demanda energética devido à "produção do desperdício".

- As possibilidades de se ampliar a produção se distorcem quando você consolida uma prática de acento destrutivo e perdulário. As necessidades naturais, sob pressão da necessária ampliação da produção, são constantemente substituídas por necessidades historicamente criadas - alertou.

Neilton também denunciou a assimetria na produção de energia, apontando que 50% se destina a países desenvolvidos, e pediu forte intervenção na produção e no consumo energético.

Momento sombrio

Lembrando fatores como o Código Florestal e o anúncio da expansão do programa nuclear brasileiro, Pedro Henrique Torres, coordenador da Campanha de Clima do Greenpeace, lamentou o "momento sombrio" para o meio ambiente no Brasil e disse ser necessário discutir outro modelo de desenvolvimento aproveitando o potencial limpo do país.

Na avaliação de Torres, o exemplo da Alemanha mostra que "dá para jogar para escanteio" a energia nuclear, mas pediu que o país europeu tenha uma posição coerente e retire seu apoio ao projeto nuclear brasileiro. Pedro Henrique Torres entende que o Brasil não deve repetir o modelo dos países que investiram na dependência de combustíveis fósseis.

- Em dez anos vamos ter a triplicação da exploração do petróleo no Brasil, o que representa dobrar a emissão de gás carbônico no nosso país nos próximos dez anos só com a exploração do petróleo - calculou o ativista, dizendo que o plano pretende fazer do Brasil "uma nova Arábia Saudita".

Carlos Rittl, Coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF, se mostrou preocupado com o impacto da construção de grandes hidrelétricas, especialmente na Amazônia, e com o aumento da presença das termelétricas a carvão nos leilões de energia no Brasil. Sobre este aspecto, Rittl questiona por quanto tempo será mantido no país o padrão de matriz energética predominantemente limpa, e avalia o impacto do acidente de Fukushima, no Japão, na produção de energia nuclear.

- A regulamentação vai ser muito mais severa. As regras para produção de energia nuclear vão ser mais rigorosas e os aspectos de segurança vão implicar em aumento de custos.

Paulo Cezar Barreto / Agência Senado
 

Notícias

Regra do CNJ facilita venda de imóvel de herança para pagar inventário

Regra do CNJ facilita venda de imóvel de herança para pagar inventário Artigo da Resolução 35/2007 permite autorização por escritura pública, desde que o valor seja vinculado às despesas sucessórias Nathalia Costeira 03/07/2026 11:13  03/07/2026 11:14 Famílias que herdam imóveis muitas vezes...

Venda de imóvel em duplicidade obriga a indenizar pelo valor atual do bem

A conta chega Venda de imóvel em duplicidade obriga a indenizar pelo valor atual do bem 7 de julho de 2026, 13h50 Com relação aos danos morais, a juíza entendeu que situação vivenciada pelo trabalhador rural ultrapassa o mero aborrecimento contratual e fixou a indenização em R$ 15 mil. Prossiga em...

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária Periódico divulga teses firmadas pela Corte selecionadas pela novidade no âmbito do Tribunal e pela repercussão no meio jurídico. O Informativo de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça n. 894 (STJ) divulgou os...

Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva

Vínculos afetivos Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva Magistrada destacou que a filiação não se limita ao vínculo biológico, ao homologar acordo que reconheceu relação construída por afeto e convivência ao longo de 24 anos. Da Redação quarta-feira, 1 de julho de...