LDO: parecer final permite execução do PAC sem lei orçamentária

04/07/2012 19:55

LDO: parecer final permite execução do PAC sem lei orçamentária

Renato Araújo
Sen. Antonio Carlos Valadares (relator da CMO) em coletiva
Senador Antonio Carlos Valadares diz estar aberto a discutir mudanças no parecer final.

O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) entregou nesta terça-feira (3) o parecer final ao projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2013 (PLN 3/12). Valadares manteve no texto a possibilidade de execução integral de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no próximo ano, mesmo na ausência de lei orçamentária sancionada até 31 de dezembro. Em 2013, o Orçamento do PAC será de R$ 45,2 bilhões.

O governo alega que a medida é necessária para evitar a descontinuidade dos investimentos públicos, principalmente em um cenário de retração da atividade interna e crise econômica externa. No ano passado houve a primeira tentativa de manter o PAC fora das regras de restrição da execução provisória do Orçamento. A medida acabou ficando de fora da LDO (Lei 12.465/11) depois que a oposição ameaçou obstruir a votação da proposta na Comissão Mista de Orçamento.

Na época, o entendimento dos parlamentares foi que o governo, garantindo a liberdade de execução dos investimentos, ficaria desestimulado a aprovar o Orçamento até o final do ano legislativo (22 de dezembro). Este ano, o assunto deverá ser um dos pontos de embate entre o governo e a oposição na votação marcada para começar na próxima semana.

O relator justificou a manutenção do texto do governo pela ausência de tempo para discutir a questão com os líderes dos partidos com assento na Comissão de Orçamento. Mas ele disse que está aberto a mudanças no substitutivo. Valadares afirmou que teve um “prazo extremamente curto” para analisar as 4.122 emendas apresentadas e para discutir os principais pontos da proposta com os parlamentares.

Superavit primário
O parecer final acolheu, total ou parcialmente, 1.565 emendas, das 4.122 apresentadas. O substitutivo ao projeto traz uma novidade que afeta o resultado primário. O projeto original determina que, para 2013, o superavit primário será de R$ 115,9 bilhões para o conjunto do setor público (União, estados e municípios). A parcela da meta de responsabilidade da União é de R$ 108,1 bilhões.

A proposta estabelece ainda que o superavit poderá ser reduzido até o montante da programação do PAC inscrita no orçamento fiscal e no da seguridade (R$ 45,2 bilhões).

Valadares manteve o teto do redutor, mas estabeleceu que ele será a soma do PAC, do Plano Brasil Sem Miséria – principal programa social do governo federal – e das 211 ações do anexo de metas e prioridades da LDO, construído a partir de emendas parlamentares.

Na prática, a mudança favorece o Executivo porque dificilmente ele consegue executar integralmente o PAC em um ano. Portanto, o valor do abatimento, na boca do caixa, é sempre menor do que prevê a LDO.

Em 2011, por exemplo, a LDO permitia o abatimento de R$ 32 bilhões relativos ao PAC, mas o governo só conseguiu pagar R$ 28 bilhões da programação, incluindo restos a pagar de outros anos. Ou seja, se quisesse usar o redutor, o limite máximo era de R$ 28 bilhões.

Ao incluir o Brasil sem Miséria e o anexo de metas e prioridades, o parecer fornece outras contas que poderão ser usadas para chegar ao redutor cheio, ainda que a soma de todas fique limitada a R$ 45,2 bilhões. Como a arrecadação federal está em queda, tornando o alcance da meta mais difícil, facilitar a obtenção de um redutor cheio pode ser importante para o Executivo no próximo ano.

Para o Congresso a medida pode ter um efeito positivo, valorizando o anexo de metas e prioridades, que passa a ter o mesmo status fiscal do PAC, ou seja, não impactando o resultado primário. Atualmente, as emendas parlamentares são contingenciadas sob o argumento de que afetam o superavit. As emendas de despesa de deputados e senadores direcionadas para as ações do anexo terão mais chance de execução no próximo ano.

Votação
O presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), vai colocar o parecer final da LDO em votação na próxima terça (10). Mas há um movimento de parlamentares pedindo que a reunião seja marcada para o dia anterior (9), para dar mais tempo à discussão da proposta, antes da votação.

Pimenta deverá ouvir o governo sobre a possibilidade de antecipar as deliberações. Tudo vai depender da capacidade do Executivo de mobilizar deputados e senadores da base aliada. “Se o governo conseguir trazer [a base], eu estarei presente”, disse o Antonio Carlos Valadares, que é favorável à antecipação.

O receio de parlamentares governistas é que não haja tempo para discutir e votar em duas semanas o extenso parecer final, que, além da Comissão de Orçamento, precisa ser analisado no Plenário do Congresso até o dia 17 de julho, data de encerramento dos trabalhos legislativos no semestre.

 

Matéria atualizada às 20h54.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Janary Júnior
Edição – Daniella Cronemberger

Foto/Fonte: Agência Câmara de Notícias
 
 


 

Notícias

Regra do CNJ facilita venda de imóvel de herança para pagar inventário

Regra do CNJ facilita venda de imóvel de herança para pagar inventário Artigo da Resolução 35/2007 permite autorização por escritura pública, desde que o valor seja vinculado às despesas sucessórias Nathalia Costeira 03/07/2026 11:13  03/07/2026 11:14 Famílias que herdam imóveis muitas vezes...

Venda de imóvel em duplicidade obriga a indenizar pelo valor atual do bem

A conta chega Venda de imóvel em duplicidade obriga a indenizar pelo valor atual do bem 7 de julho de 2026, 13h50 Com relação aos danos morais, a juíza entendeu que situação vivenciada pelo trabalhador rural ultrapassa o mero aborrecimento contratual e fixou a indenização em R$ 15 mil. Prossiga em...

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária Periódico divulga teses firmadas pela Corte selecionadas pela novidade no âmbito do Tribunal e pela repercussão no meio jurídico. O Informativo de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça n. 894 (STJ) divulgou os...

Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva

Vínculos afetivos Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva Magistrada destacou que a filiação não se limita ao vínculo biológico, ao homologar acordo que reconheceu relação construída por afeto e convivência ao longo de 24 anos. Da Redação quarta-feira, 1 de julho de...