Medidas preventivas contra desastres naturais

27/12/2011 09:00

Projeto institui estatuto e fundo para proteção civil

Proposta foi elaborada por comissão especial que estudou medidas preventivas contra desastres naturais.

O Projeto de Lei 2978/11, em análise na Câmara, institui o Estatuto da Proteção Civil e cria uma política ampla de prevenção e gestão de desastres naturais e um fundo para financiar as ações previstas. O objetivo é garantir a rápida recuperação das regiões e das populações afetadas por enchentes, secas e queimadas em todo o País.

A proposta, elaborada pela comissão especial destinada a estudar medidas preventivas de catástrofes climáticas, busca desestimular as ocupações de áreas de risco, incentivar o planejamento do uso das bacias hidrográficas e promover a implantação de sistemas de monitoramento e alerta eficientes.

Gustavo Lima
Glauber Braga
O relatório de Glauber Braga alerta contra a ocupação desordenada do solo

A presidente da comissão, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), e o relator, deputado Glauber Braga (PSB-RJ), afirmam que as catástrofes decorrem, em grande medida, da ocupação desordenada do solo, principalmente nas áreas urbanas.

Citando dados da Organização das Nações Unidas, eles lembram que mais de 7 milhões de brasileiros já foram atingidos por desastres climáticos. Entre 2000 e 2010, ocorreram 60 catástrofes no Brasil, causando a morte de mais de 2 mil pessoas.

Articulação nacional
A chamada Política Nacional de Proteção Civil contará com o Sistema Nacional de Proteção Civil (Sinpec), que articulará os órgãos competentes da União, dos estados e dos municípios, para que atuem de forma integrada e coordenada.

A política de proteção civil deverá articular-se ainda com as de ordenamento territorial, planejamento urbano, habitação, saúde, meio ambiente, mudanças climáticas, gestão de recursos hídricos, educação, ciência e tecnologia e às políticas econômicas setoriais, tendo em vista a promoção do desenvolvimento sustentável.

O projeto prevê ainda o envolvimento social no assunto, a fim de democratizar a gestão dos recursos públicos e dar maior transparência à sua aplicação.

Fortalecimento dos municípios
Com a proposta, busca-se principalmente fortalecer os municípios, uma vez que a maioria não tem estrutura para enfrentar catástrofes. Aos municípios caberá, por exemplo, vedar novas ocupações em áreas identificadas e mapeadas como sendo de risco.

Os municípios deverão elaborar ainda o próprio Plano de Contingência de Proteção Civil, que inclua, entre outros itens, um sistema de atendimento emergencial à população, com localização das rotas de deslocamento e dos pontos seguros no momento do desastre, além dos pontos de abrigo e de distribuição de suprimentos.

Conforme o projeto, o prefeito que deixar de elaborar e executar o plano de contingência incorrerá em improbidade administrativa.

Calamidade
Ainda segundo o texto, o estado de calamidade pública e a situação de emergência serão declarados por decreto do prefeito ou, no caso do Distrito Federal, pelo governador. Quando o desastre atingir um ou mais municípios e exigir a ação imediata, o governador do estado poderá decretar o estado de calamidade pública e a situação de emergência.

O reconhecimento da situação pelo estado ou pela União deverá ocorrer em até 48 horas a contar da data de apresentação dos documentos requeridos, conforme regulamentação.

A União deverá manter linha de crédito específica destinada ao capital de giro e ao investimento de empresas ou pessoas físicas em municípios atingidos por desastre que tiverem a situação de emergência ou o estado de calamidade reconhecidos pelo Poder Executivo Federal.

Fundo
Para financiar as ações previstas, o projeto cria o Fundo Nacional de Proteção Civil (Funpec), a ser mantido em parte com recursos dos royalties e da participação especial oriundos da exploração do petróleo em terra e na plataforma continental.

“O consumo de combustíveis fósseis é uma das principais fontes de emissão de gás carbônico na atmosfera, contribuindo diretamente para as mudanças climáticas. Destinar uma parcela dos recursos oriundos da exploração do petróleo para a proteção civil significa investir na redução dos impactos sobre os ecossistemas e as populações”, afirma Glauber Braga.

Pelo menos 50% dos recursos do Funpec serão aplicados em atividades de prevenção, como a identificação e o mapeamento das áreas de risco, o monitoramento de desastres e a revitalização de bacias hidrográficas.

A proposta destina ainda recursos do Fundo Social, criado pela Lei 12.351/10, que trata da exploração de petróleo em áreas do pré-sal, para a redução dos riscos de desastres.

Leis alteradas
O projeto revoga a Lei de Defesa Civil (12.340/10) e altera as seguintes leis: do Serviço Alternativo ao Serviço Militar Obrigatório (8.239/91), de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.394/96), dos Recursos Hídricos (9.433/97), do Petróleo (9.478/97), de Crimes Ambientais (9.605/98), do Saneamento Básico (11.445/07), do Programa Minha Casa, Minha Vida (11.977/09), do Pré-Sal (12.351/10) e do Estatuto da Cidade (10.257/01). As alterações, em geral, preveem ações específicas a serem desenvolvidas em áreas de risco ou voltadas para o atendimento das populações atingidas.

No que diz respeito, por exemplo, ao serviço alternativo ao militar, o projeto determina que ele incluirá o treinamento para atuação em áreas atingidas por desastre, em situação de emergência e estado de calamidade. Na área de educação, a proposta estabelece a inclusão, nos currículos dos ensinos fundamental e médio, dos princípios da proteção civil e da educação ambiental de forma integrada aos conteúdos obrigatórios.

O projeto também fixa pena de detenção de seis meses a um ano e multa para o agente público, político ou o explorador imobiliário que promover ou incentivar a edificação em área de risco.

Tramitação
A proposta será analisada pelas comissões técnicas da Câmara.

 

Reportagem - Noéli Nobre
Edição - Wilson Silveira

Foto/Fonte: Agência Câmara de Notícias

 

Notícias

Guerra fiscal

  Lei não pode dar incentivo sem acordo entre estados O Supremo Tribunal Federal assumiu papel importante na guerra fiscal entre os estados brasileiros na quarta-feira (1º/6). Por decisão unânime do Plenário, definiu que os estados não podem conceder benefícios fiscais sem acordo entre todas...

Ministro da Saúde reconhece no Judiciário brasileiro um aliado da pasta

Ministro diz que proximidade com Judiciário ajuda a reduzir demandas na área de saúde 02/06/2011 - 12h02 JustiçaSaúde Paula Laboissière Repórter da Agência Brasil Brasília – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou hoje (2) que reconhece no Judiciário brasileiro um aliado da pasta....

Manutenção da penhora em residência de família

Supremo Tribunal Federal (STF) Segunda-feira, 30 de maio de 2011   Ministro mantém penhora de imóvel residencial dado como garantia hipotecária   O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes negou pedido do empresário O.S. para que fosse suspensa decisão do Tribunal de...

Saúde do consumidor

  Plano de saúde não pode escolher tratamento Não se justifica a negativa de cobertura contratual para a realização de cirurgia bariátrica para redução dos sintomas de diabetes tipo II, uma vez que a operadora do plano de saúde não está autorizada a fazer a escolha do método mais adequado...

Reparação de danos por demora na transferência de propriedade

Extraído de Boletim Jurídico Compradora de veículo terá de reparar danos por demora na transferência de propriedade Inserido em 19/5/2011 Fonte: TJRS A 19ª Câmara Cível do TJRS reformou sentença proferida em 1ª Instância no Juízo de Santo Cristo e condenou ao pagamento de R$ 5 mil, por danos...

Incidente de inconstitucionalidade

30/05/2011 - 13h32 EM ANDAMENTO Norma do Código Civil sobre regime sucessório em união estável é alvo de incidente de inconstitucionalidade A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) suscitou incidente de inconstitucionalidade dos incisos III e IV do artigo 1.790 do Código Civil,...