Para 79% dos juízes, mediação ajuda na solução de conflitos fundiários

Origem da Imagem/Fonte: CNJ
Juíza auxiliar da Presidência do CNJ Fabiane Pieruccini e Cosmo Albrecht, da Escola de Direito de Harvard - Foto: Zeca Ribeiro/Agência CNJ

Para 79% dos juízes, mediação ajuda na solução de conflitos fundiários

28 de junho de 2024
Notícias CNJ / Agência CNJ de Notícias

Quase 80% de um universo de 600 juízes brasileiros participantes de pesquisa realizada pela Clínica de Mediação de Harvard (HMC, sigla em inglês) acreditam que a mediação é uma ferramenta útil na solução de conflitos fundiários. Do total de entrevistados, 66% já utilizaram a técnica.

De acordo com a sondagem, quase a metade deles (277) teme que as decisões judiciais tradicionais tenham impactos não previstos em campo. A maior preocupação é com a violência que, na opinião de 259 entrevistados, pode ser evitada pela mediação.

A pesquisa foi realizada após os especialistas conhecerem in loco a experiência exitosa do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), estabelecida como parâmetro para a atuação das comissões de Conflitos Fundiários, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 828.

De relatoria do presidente do presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do STF, ministro Luis Roberto Barroso, a ADPF previu um regime de transição para a retomada da execução das decisões relativas a reintegrações de posse, suspensas no período da pandemia de covid-19. No julgamento, a mediação foi indicada como meio para a atuação pacificadora do Poder Judiciário nos conflitos fundiários.

Metodologia
Em duas viagens ao Brasil, os especialistas de Harvard puderam acompanhar três visitas técnicas e seis mediações. Além disso, realizaram 40 entrevistas com juízes, atores governamentais e especialistas internacionais em mediação.

Inspirados na experiência, desenvolveram uma metodologia de treinamento para magistrados, que inclui um manual sobre as competências fundamentais do mediador, simulações por meio das quais os juízes podem praticar habilidades na mediação, estudos de caso baseados em disputas reais e um plano de curso em caráter imersivo.

A metodologia foi aplicada, na prática, nesta quinta-feira (27/6), para cerca de 130 integrantes de comissões estaduais e da comissão nacional que trata do tema, durante a 1ª Oficina de Soluções Fundiárias do CNJ. Ministraram o treinamento a professora e o aluno da Escola de Direito de Harvard Deanna Pantin Parrish e Cosmo Albrecht, além da coordenadora do case para a HMC, Ana Carolina Viana Riella, e a juíza auxiliar da Presidência do CNJ Fabiane Pieruccini.

“Para trabalharmos nas comissões fundiárias, precisamos sair do lugar de juízes, fazermos essa desconstrução do nosso papel, para estabelecermos relações horizontalizadas com os envolvidos”, opinou a magistrada auxiliar do CNJ. “A prestação jurisdicional do juiz está terminada com uma ordem de reintegração de posse. Porém, o conflito só está começando”, observa a coordenadora do case para a HMC, Ana Carolina Viana Riella.

Origem da Imagem/Fonte: CNJ
A coordenadora do case para a HMC, Ana Carolina Viana Riella – Foto: Zeca Ribeiro/Agência CNJ

Segundo ela, ao se dar voz às partes, a tendência é de que elas cumpram com o que foi prometido. “Mesmo no caso de não haver acordo, a mediação possibilita uma discussão para uma saída voluntária, evitando assim a intervenção policial e até de violência”, analisou.

A professora da Escola de Direito de Harvard apresentou exemplos de boas práticas aplicadas por tribunais no Canadá, da Colômbia, da Índia, de Singapura e da China. “Mas a mediação nunca foi especificamente utilizada para disputas coletivas fundiárias ou em grande escala como no Brasil”, comparou. “Esse programa é singular e pode ser um modelo para o mundo inteiro. O Brasil é pioneiro”, acrescentou Albrecht.

Treinamento
De acordo com o presidente da Comissão Nacional de Soluções Fundiárias e conselheiro do CNJ, José Rotondano, a ideia de aplicar a metodologia de Harvard durante a 1ª Oficina de Soluções Fundiárias do CNJ partiu da identificação da necessidade de preparo dos magistrados. “A intenção é expandirmos o treinamento no país para deslancharmos nessa área, que é de extrema importância para o CNJ e para o Brasil”, declarou.

Em exercícios práticos, os participantes do treinamento foram desafiados a ler e analisar três cenários fictícios que poderiam enfrentar em uma visita técnica, a partir do diálogo com proprietários de terra bem como com ocupantes. Eles também realizaram um treinamento para desenvolver habilidades de mediação, como a escuta ativa.

“Precisamos cada vez mais caminhar para a realização de justiça e cumprimento da função social da propriedade. Mas, para tanto, é necessário que possamos compreender a necessidade alcançarmos as pessoas, quer sejam os proprietários ou os ocupantes”, afirmou a desembargadora do Tribunal de Justiça do Acre e presidente da Comissão de Conflitos Fundiários do estado, Eva Evangelista de Araújo Souza. “As comissões estão instituídas pelo CNJ e a ADPF 828 revelam-se de fundamental importância, sendo um modo novo de resolução de justiça em questões fundiárias”, acrescentou a participante do treinamento.

A juíza do Tribunal de Justiça de Rondônia Úrsula Gonçalvez Theodoro de Farias Souza, que já havia feito outras capacitações em mediação, enfatizou a contribuição da nova técnica no tema, que envolve maior complexidade e conflitos coletivos. “A clínica de Harvard está trazendo outros conceitos, como a importância de chamarmos até órgãos institucionais para conseguirmos gerar a possibilidade de solução dos conflitos”, considerou.

“A formação ajudou bastante a encontrarmos formas de dialogar com as partes e a compreendermos o que se espera que o juiz faça na visita técnica, que foi um dos principais objetos do treinamento”, declarou outro participante, o juiz do Tribunal de Justiça de São Paulo Alexandre Jorge Carneiro da Cunha Filho. “Aqui vimos que, na mediação, há um equilíbrio de forças”, comentou o juiz do Tribunal de Justiça do Piauí, Antônio Lopes.

Texto: Mariana Mainenti
Edição: Thaís Cieglinski
Agência CNJ de Notícias

                                                                                                                            

Notícias

Juiz aceita denúncia do Ministério Público apresentada sem documentos

10 de Fevereiro de 2012 Juiz aceita denúncia do Ministério Público apresentada sem documentos As provas que embasam a acusação são essenciais para possibilitar a ampla defesa e o contraditório. Portanto, os documentos que embasam uma denúncia devem acompanhá-la desde a sua apresentação. Foi...

Embriaguez ao volante: teste de alcoolemia não é indispensável

08/02/2012 - 17h16 EM ANDAMENTO STJ começa a julgar legalidade de outros meios de prova, além do bafômetro, para atestar embriaguez O Superior Tribunal de Justiça (STJ) começou a analisar um recurso que vai definir quais os meios de prova válidos para comprovar embriaguez ao volante. O...

Os “sinais da mentira”

Especialista dá dicas de como magistrados podem identificar a mentira nos depoimentos Os “sinais da mentira” foram tema da aula ministrada na tarde da última sexta-feira, 3/2, pelo psicólogo Sérgio Fernandes Senna Pires, aos 21 novos juízes recém-empossados no TRT da 15ª, durante o XXI Curso...

Dificuldades para abrir uma empresa e como evitá-las

Dificuldades para abrir uma empresa e como evitá-las Apesar das particularidades, alguns pontos são comuns a todos os novos empreendimentos   Pela redação - www.incorporativa.com.br 08/02/2012 A decisão de virar empreendedor enfrenta o primeiro desafio na hora de formalizar a...

Corretora que dificultou negócio fica sem comissão após transação fechada

Corretora que dificultou negócio fica sem comissão após transação fechada De: AASP - 07/02/2012 12h01 (original) A 3ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça, em matéria sob a relatoria da desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta, manteve decisão da comarca de Balneário Camboriú...

Cobrança de imposto prescreve em cinco anos

Cobrança de imposto prescreve em cinco anos De: AASP - 07/02/2012 16h05 (original) A Terceira Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (de Direito Público) não acolheu recurso interposto pelo Município de Tangará da Serra (239km a médio-norte de Cuiabá) e ratificou sentença...