Parecer de Janot contra MP do ensino médio divide opiniões

Rodrigo Janot encaminhou o parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF). A MP 746/16 foi aprovada pela Câmara, mas ainda depende da análise do senadores. O prazo para votação da proposta, publicada em 23 de setembro, termina em 2 de março

22/12/2016 - 17h14

Parecer de Janot contra MP do ensino médio divide opiniões

 
Camila Souza/Governo da Bahia
Educação - sala de aula - estudantes escolas adolescentes vestibular ensino médio
Para a Procuradoria, a reforma do ensino médio não deve ser feita por medida provisória

Deputados divergiram sobre o parecer do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pela inconstitucionalidade da medida provisória da reforma do ensino médio. A MP 746/16 foi aprovada pela Câmara, mas ainda depende da análise do senadores. O prazo para votação da proposta, publicada em 23 de setembro, termina em 2 de março.

Rodrigo Janot encaminhou o parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde está em análise uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) proposta pelo Psol contra a MP. Na avaliação do partido, referendada pelo procurador, a medida é inconstitucional porque não atende ao pressuposto de urgência. Para Janot, pelo seu próprio rito abreviado, a medida provisória não seria, ainda, o instrumento adequado para reformas estruturais em políticas públicas.

O líder do Psol na Câmara, deputado Ivan Valente (SP), acredita que o entendimento do procurador será seguido pelo Supremo. "O procurador determinou que não há urgência num tema como esse, que significa a exclusão total da participação da sociedade civil no debate educacional brasileiro, feito a toque de caixa", ressaltou Valente.

Currículo
Para o deputado, há ainda a necessidade de se manter o ensino de sociologia e filosofia, "que Rodrigo Janot disse ser o preparo para a cidadania". Valente lembrou que existe, inclusive, determinação constitucional que demanda currículo compatível com a complexidade desse objetivo. O líder do Psol apontou ainda como problema na MP "a disponibilidade de itinerários formativos sem planejamento detalhado", com o risco de reforço das desigualdades regionais e sociais.

No entanto, o presidente da comissão mista especial que analisou a medida, deputado Izalci Lucas (PSDB-DF), disse que os argumentos do Psol acatados pelo procurador não levam em conta modificações feitas pela Câmara ao texto da MP 746, como a que tornou filosofia, sociologia, educação física e artes conteúdos obrigatórios na Base Nacional Comum Curricular. O deputado também destacou que, antes mesmo da edição da MP, a reforma do ensino médio já havia sido discutida numa comissão especial que trabalhou por três anos na Câmara.

"Dizer que não é relevante e não é urgente? Uma avaliação recente de 2016, que gerou a emissão da medida provisória, foi a avaliação do Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica]. O resultado do Ideb de 2016 equivale ao de 1997, ou seja, foram duas décadas perdidas", criticou Izalci. O deputado citou ainda a posição do Brasil em 65º lugar, entre 70 países avaliados pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). E questionou: "[O parecer de Janot é contrário] porque que no próximo ano vai ser discutida a Base Nacional Curricular e a regulamentação dos estados? É exatamente por isso que é urgente e relevante."

Requisito
Em nota, o Ministério da Educação afirmou que, apesar de respeitar o posicionamento de Janot, mantém o entendimento de que a MP obedece ao requisito constitucional de urgência e relevância.

O Supremo ainda não marcou data para o julgamento da ADI que questiona a medida provisória.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem - Ana Raquel Macedo 
Edição - Sandra Crespo
Origem das Fotos/Fonte: Agência Câmara Notícias
 
 

 

Notícias

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido?

Por que cada vez mais mulheres deixam de adotar o sobrenome do marido? Por Júlia Cople — Rio de Janeiro 08/01/2026 03h30  Atualizado há 23 horas Embora muitas mulheres ainda adotem o sobrenome do marido (foram mais de 371 mil só em 2024), a maioria hoje escolhe não fazê-lo, seja pelo receio da...

Contrato de namoro: Bobagem ou blindagem patrimonial?

Contrato de namoro: Bobagem ou blindagem patrimonial? Izabella Vasconcellos Santos Paz O artigo aborda a importância do contrato de namoro como proteção patrimonial em relacionamentos informais. terça-feira, 23 de dezembro de 2025 Atualizado às 13:24 "Os tempos são líquidos porque tudo muda tão...

STJ julga caso inédito de adoção unilateral com manutenção de poder familiar

Família STJ julga caso inédito de adoção unilateral com manutenção de poder familiar 4ª turma fixou solução inovadora proposta pelo ministro Buzzi. Da Redação sexta-feira, 6 de dezembro de 2019 Atualizado em 7 de dezembro de 2019 16:30 A 4ª turma do STJ concluiu na quinta-feira, 5, julgamento que...

Inclusão do cônjuge do devedor na execução: até onde vai a conta do casamento?

Opinião Inclusão do cônjuge do devedor na execução: até onde vai a conta do casamento? Lina Irano Friestino 19 de dezembro de 2025, 9h25 A decisão do STJ no REsp 2.195.589/GO reforça algo que, no fundo, já estava escrito na lógica do regime de bens: casar sob comunhão parcial significa dividir não...