Pesquisa revela desempenho insuficiente de crianças de 8 e 9 anos nas escolas públicas do País

Origem da Imagem/Fonte: Agência Câmara Notícias
Os dados são da Avaliação Nacional da Alfabetização, apresentada nesta quarta-feira a deputados. Pelas metas do Plano Nacional de Educação, todas as crianças nessa idade devem ter desempenho satisfatório em leitura, escrita e matemática até 2024. Pesquisa apontou que menos da metade das crianças (45%) tem desempenho suficiente em leitura e matemática

22/11/2017 - 15h39

Pesquisa revela desempenho insuficiente de crianças de 8 e 9 anos nas escolas públicas do País

Os dados são da Avaliação Nacional da Alfabetização, apresentada nesta quarta-feira a deputados. Pelas metas do Plano Nacional de Educação, todas as crianças nessa idade devem ter desempenho satisfatório em leitura, escrita e matemática até 2024

Pesquisa apresentada aos deputados da Comissão de Educação nessa quarta-feira (22) pelo movimento Todos pela Educação concluiu que metade das crianças de 8 e 9 anos que estudam em escolas públicas do país não está alfabetizada.

Os resultados da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) mostram que cerca de um milhão de crianças do ensino fundamental não está com nível de aprendizagem considerada suficiente em leitura, escrita e matemática.
O exame foi aplicado no ano passado para 2,1 milhões de alunos da 3ª série de 48 mil escolas públicas. 

A pesquisa apontou que menos da metade das crianças (45%) tem desempenho suficiente em leitura e matemática. O índice é um pouco melhor em escrita, com 66 %. Em matemática, as maiores notas são da região sudeste, mas mesmo assim apenas pouco mais da metade (57,3%) dos alunos apresentou desempenho considerado satisfatório (veja quadro).

Para o gerente de políticas educacionais do movimento Todos pela Educação, Gabriel Corrêa, o resultado mostra um quadro grave, que compromete o futuro do país. Segundo ele, metade das crianças não conseguiu calcular, por exemplo, quanto é 112 mais 93.

"O resultado é um fracasso, é desanimador. Não haverá mudanças significativas no país se não melhorarmos a educação, fundamental para a melhoria da saúde, para o desenvolvimento econômico, para a segurança”, disse.

A pesquisa constatou ainda desigualdades provocadas pela diferença de renda. Escolas públicas localizadas em regiões de nível econômico baixo só conseguem ensinar matemática para 14% dos alunos. Em regiões de padrão econômico alto, o índice sobe para 88%.

“Isso em relação às escolas públicas. Se formos considerar as escolas particulares, o nível de desigualdade é muito maior", disse Corrêa.

Explicações
Os integrantes da comissão apontaram fatores que explicariam os resultados. Para o deputado Ságuas Moraes (PT-MT), é preciso mais investimentos públicos para que o Brasil atinja as metas do Plano Nacional de Educação (PNE). 

 
Vinícius Loures/Câmara dos Deputados
Reunião Ordinária e Apresentação de análise dos resultados da Avaliação Nacional de Alfabetização
Deputado Bacelar (C): classe política não leva educação a sério

Uma das metas é de que todas as crianças de 8 e 9 anos tenham desempenho satisfatório em leitura, escrita e matemática até 2024 – o que, de acordo com o resultado da pesquisa, ainda está longe de ser alcançado.

"O governo não tem se esforçado para cumprir as metas. Caso contrário, não teria congelado os investimentos públicos por 20 anos, entre os quais os investimentos em educação”, disse, se referindo à Emenda Constitucional 95, aprovada no ano passado pelo Congresso.

Já a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) apontou que a gestão dos recursos e de pessoal também explica os resultados. Ela disse ainda que as universidades não estão preparando professores para o ensino fundamental.

"Se você olhar os currículos de formação, as faculdades não capacitam suficientemente os futuros professores para trabalhar com alfabetização", disse.

Exemplo
O Movimento Todos pela Educação citou um caso de sucesso na educação básica: o estado do Ceará, que conseguiu reverter nos últimos dez anos o analfabetismo das crianças e hoje tem 100 escolas entre as melhores do país.

Segundo a pesquisa, isso foi obtido graças à cooperação do governo do estado com os municípios, formação de professores, destinação de parcela da arrecadação do ICMS para a educação básica e, principalmente, à continuidade das políticas mesmo com mudanças no governo.

“Um dos fatores para alcançar bons resultados é a continuidade e progressividade das políticas. Sem o comprometimento político com a educação, a gente não vai conseguir avançar”, disse Gabriel Corrêa.

O engajamento da classe política, porém, foi considerado insuficiente pelo deputado Bacelar (Pode-BA). “A classe política brasileira diz que a educação é prioridade, mas salvo honrosas exceções ninguém a leva a sério”, concluiu.

Reportagem - Antonio Vital
Edição - Geórgia Moraes
Agência Câmara Notícias
 

 

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